Ovinocultura no RS

O Rio Grande do Sul sempre foi um grande produtor de lã, principalmente na metade sul do estado. No entanto, a crise da lã iniciada na década de 1980 devido à competição com a fibra sintética e ao grande estoque de outros países afetou severamente a atividade. De lá para cá, a produção de lã não é mais a mesma, perdeu muito em termos de rentabilidade. De modo geral, lã e pele são produtos da ovinocultura produzidos em sistemas extensivos de produção em comparação à produção de ovinos cuja a finalidade é leite e/ou carne. A ovinocultura é considerada uma atividade de ciclo produtivo curto, atraindo pecuaristas e empreendedores. Uma atividade de grande potencial, mas que nunca se desenvolveu de fato.

Se as carnes bovina, suína e de frango estão presentes cotidianamente no prato do brasileiro, a ovina ainda luta por seu espaço: 12% dos brasileiros nunca sequer comeram carne ovina. Analisando pelo lado positivo, é uma cadeia produtiva que tem um potencial de expansão promissor. A cada dia, surgem novos nichos de mercado, evidenciando uma tendência para o aumento do consumo de produtos ovinos. Por enquanto, a falta de adequação da carne ovina a uma situação de consumo frequente é a principal barreira. Acaba sendo, muitas vezes, um produto para ocasiões específicas e confraternizações.

Do ponto de vista do produtor rural, o requisito básico para iniciar uma criação de ovinos é a definição de objetivos. Ou seja, o produtor tem que decidir, antes de tudo, se ele vai dar mais importância à produção de carne, de lã ou de pele, pois as características das instalações podem variar de acordo com o objetivo fixado. A infraestrutura disponível, tipo de solo e ambiente (clima e topografia) e raça são alguns aspectos a serem considerados na hora de escolher o melhor sistema de produção de ovinos. Existem várias possibilidades, basta escolher corretamente o nicho de mercado desejado.

Podemos elencar uma série de características da ovinocultura no RS: crescente demanda interna por produtos ovinos (desequilíbrio entre oferta e demanda), falta de escala de produção (qualidade e quantidade variável de carne), elevada sazonalidade de produção (concentração de vendas em novembro, dezembro e janeiro), além de falta de mão de obra e elevada proporção de abate clandestino. Enfim, são muitos os desafios da ovinocultura aqui no estado. No entanto, fica evidente a necessidade de organização da cadeia produtiva. Mudanças são necessárias: escala e eficiência produtiva, aspectos imprescindíveis para o desenvolvimento do setor. Atualmente, mais de 80% do rebanho ovino do RS está na metade sul do estado, criados a campo de forma extensiva. No entanto, seria muito interessante que a atividade pudesse se desenvolver aqui pela região de Venâncio Aires e região. Potencial ela tem!

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