EDITORIAL: Caminho saudável da produtividade

Garantir comida para todo ‘mundo’ será um dos principais desafios do planeta nos próximos anos. Mas essa não deve ser uma preocupação apenas social e econômica, mas também de saúde. Para isso, o alimento deve ser acompanhado desde a origem: na lavoura. Com o incentivo, cada vez mais crescente, da diversificação, logo, da agricultura familiar, o uso de agrotóxicos foi o caminho fácil adotado para ampliar a produtividade dos alimentos. Entretanto, neste manejo ‘facilitado’, a comida chega à mesa dos brasileiros ‘temperada’ de altos índices de contaminação. A alface que é comum nas refeições, por exemplo, tem mais de 50% de presença de defensivos. O pimentão e o moranguinho, são os campeões no índice de agrotóxico. Se dados oficiais mostram que 70% do cardápio brasileiro é servido por frutas, legumes e hortaliças plantadas e cultivadas pelo pequeno produtor e, a maioria dos produtos consumidos, recebe as ‘pitadas’ destes venenos, a consequência não poderia ser outra a longo prazo: desenvolvimento de doenças, entre elas, o câncer. Para se ter uma ideia, cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Mas esta realidade parece estar longe de ter um fim. E o problema não está, apenas, na falta de orientações dos produtores, que muitas vezes desconhecem alternativas e limites de uso, mas na própria política de incentivos do Brasil, que mais apoia o uso dos defensivos do que trabalha para estimular uma alimentação orgânica. Primeiro, que os agrotóxicos tem estímulo fiscal para serem comercializados no país. Há um convênio de 1997, que oferece isenção fiscal de 50% do ICMS, do Cofins, do IPI e do PIS/Pasep para todos os agrotóxicos vendidos no Brasil. Se não bastasse, há mutos tipos de defensivos banidos no mundo que circulam ‘livremente’ no Brasil. E nas nossas mesas.Por outro lado, cresce, a passos lentos e, pode-se dizer, caros, o consumo de produtos orgânicos. Muitas vezes, não são os mais atrativos da feira, mas são os saudáveis. Um mercado para ser explorado e popularizado. Um desafio para Venâncio e região, que luta, no campo e nos gabinetes, pela diversificação e vem apostando na produção de alimentos como o caminho para não depender, para sempre, do tabaco. Este, cada vez mais prejudicado com as restrições dos órgãos de saúde e que perde força com os números, cada vez menores, de fumantes. Aliás, números bem destacados às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado neste domingo.Venâncio tem potencial para levar comida para a mesa de muitas famílias e já é referência no estado, inclusive, no fornecimento de alimentos para a merenda escolar. A campanha Produzido em Venâncio, promovida pela Administração e Folha do Mate, no ano passado, quando a Folha levantou a bandeira da Diversificação, mostrou aos produtores a necessidade de apostarem em seus pepinos e cenouras, alfaces e beterrabas. Ensinou a agregar valor. Buscar alternativas para produzir sem defensivos, sem trazer riscos ao produtor e ao consumidor é um caminho a ser regado e colhido. Neste, ‘plantio’, mais uma vez, a região pode se voltar a um ensinamento da missão em Israel, realizada no mês passado por lideranças do Vale do Rio Pardo. Uma das maiores potências da agricultura do mundo, foca em estudos e pesquisas e efetua melhorias genéticas das plantas para garantir mais rendimento.Lição para degustar. é o caminho saudável para produzir.