A rejeição do voto impresso

A votação da PEC que instituía o voto impresso junto a urna eletrônica foi votada na terça-feira, 10, na Câmara dos Deputados, e rejeitada. Com 449 dos 513 deputados presentes na votação, venceu o sim pelo voto impresso com 229 deputados, contra 218 que votaram não. Mas para aprovar eram necessários 308 votos, 2/3 dos deputados.
Dos 31 deputados gaúchos, bem mais de dois terços, votaram a favor do voto impresso. Foram 20 votos sim, sete votos não e quatro que não compareceram. Veja como votou seu deputado.
Votaram SIM Alceu Moreira (MDB), Bibo Nunes (PSL), Carlos Gomes (Republicanos), Daniel Trzeciak (PSDB), Giovani Cherini (PL), Giovani Feltes (MDB), Heitor Schuch (PSB), Jerônimo Goergen (PP), Liziane Bayer (PSB), Lucas Redecker (PSDB), Marcel van Hattem (Novo), Marcelo Brum (PSL), Marcelo Moraes (PTB), Márcio Biolchi (MDB), , Marlon Santos (PDT), Maurício Dziedrick (PTB), Osmar Terra (MDB), Paulo Calefi (PSD), Pompeo de Mattos (PDT) e Sanderson (PSL).
Votaram NÃO Afonso Mota (PDT), Fernanda Melchiona (PSOL), Nereu Crispim (PSL) e a bancada do PT com Bohn Gass, Henrique Fontana, Dionilso Marcon e Paulo Pimenta.
Não estavam presentes Afonso Hamm, Covati Filho e Pedro Westphalen do PP e Maria do Rosário do PT.
Dos federais da região dos Vales, Marcelo Moraes (PTB) tinha antecipado voto a favor do voto impresso. Heitor Schuch (PSB) disse não ver necessidade do voto impresso, mas que não teria problemas em votar sim, se esta fosse a vontade do povo. E ele votou sim.
Encerrado este capitulo, seguimos com a urna eletrônica, como vem sendo nas ultimas décadas. É assim a democracia.

Giovane e o voto impresso

O ex-prefeito Giovane Wickert (PSB), hoje secretário estadual Adjunto de Obras, e pré-candidato a deputado estadual, usou as redes sociais para reforçar sua posição diante do voto impresso, antes da votação na terça, onde foi rejeitado o projeto. Giovane disse ser a favor de melhorar a segurança do sistema de votação, mas contra a instituição do voto impresso, se com cópia para o eleitor. Não era esta a proposta do projeto.
“O destino da urna eletrônica, que virou objeto de discussão nos últimos dias, deve ir à votação ainda hoje, na Câmara Federal. De Brasília à Venâncio Aires, tenho visto esse debate ser desviado, da grandeza de sua utilidade pública, para a banalidade de uma finalidade política. Minha posição é clara: Sempre que estivermos falando em melhorar a segurança do nosso sistema de votação, serei a favor. E se para isso for necessária uma nova forma de auditoria na urna, que se faça. O que sou e serei sempre contra, é tornar essa pauta, como todas as outras que vierem para melhorar nossa cidade e nosso país, uma questão meramente política, que possa favorecer compra de votos, que atende aos interesses daqueles que só conseguem enxergar a política através dos olhos da divisão e dos interesses pessoais”, escreveu Giovane.
O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira orientou a votação pela aprovação do projeto na terça, antes da votação, e parte dos deputados do partido votaram sim, como os gaúchos Heitor Schuch e Liziane Bayer.

Notinhas

* O deslocamento de tanques das Forças Armadas para Goiás, onde realizam exercícios militares anuais, virou polêmica, pelo ineditismo de passar na frente do Palácio do Planalto, com o argumento de entregar um convite a Bolsonaro, que é militar. Pois foi justo no dia em que teria a votação sobre o voto impresso.
* Se Bolsonaro acusou o STF, TSE e a grande mídia de pressionar deputados para rejeitar o voto impresso, a oposição acusou o desfile de tanques como pressão para votar a favor.
* O que não está bem explicado é se o desfile foi marcado para o mesmo dia da votação, ou a votação foi marcada para o mesmo dia do desfile. Pois mera coincidência não foi.
* E a grande imprensa ‘levantou a régua’ dos ataques contra Bolsonaro, abrindo espaços para membros dos governos do PT, especialistas e intelectuais, quem fossem contra o presidente e se encaixassem na narrativa pronta anti-Bolsonaro da grande mídia.
* Aliás, sobre a polêmica do voto impresso, penso que no fundo foi mais estratégia eleitoral de Bolsonaro do que preocupação com a contagem de votos. O Congresso rejeitou, mas os deputados que votaram contra saíram ‘chamuscados’ nas bases. Bolsonaro, pregando transparência do voto, saiu derrotado no Congresso, mas saiu ganhando nas ruas.
* Comissão Especial no Congresso aprovou o distritão, pelo qual se elegem os mais votados na Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e Câmara dos Deputados. Junto veio a volta das coligações, que foi retirada em 2019. A votação agora vai para o plenário.
* O STF, que anulou as condenações de Lula na Lava Jato, em Curitiba, agora anula as condenações por desvio de dinheiro do Sistema S, no Rio. Os Ministros da Corte vão formando, através de suas decisões, o entendimento de que o crime compensa. E se ofendem com as críticas que recebem por isso.

Do Twitter

* Gazeta do Povo: Plenário da Câmara rejeita PEC do voto impresso auditável, bandeira de Bolsonaro
* Estadão: Minutos após derrota do governo, Lira volta a defender voto auditável
* Folha S. Paulo: Horas após derrota do voto impresso, Bolsonaro critica TSE e diz que eleições de 2022 não serão confiáveis
* Globo: Supremo Tribunal Federal anula atos do juiz Marcelo Bretas na Operação Esquema S
* UOL: Ministro da Educação diz que universidade ‘deveria ser para poucos’. Milton Ribeiro disse que a universidade deveria ser um espaço de acesso “para poucos” e que os institutos federais de ensino técnico sejam os verdadeiros protagonistas no futuro.
* Gustavo Paim: Sinto cheiro de bode na sala. Essas excrescências do sistema distritão e do distritão misto estão sendo utilizadas para barganha e aprovação da volta da coligação na eleição proporcional. Com isso fariam com que comemorássemos o retrocesso como se fosse uma conquista. Lamentável.
* Alexandre Garcia: Com esse resultado de 229 a 218, sem alcançar 308, pode-se parafrasear a então presidente: Quem ganhou, perdeu. E quem perdeu, não ganhou. Todo mundo perdeu. Inclusive candidatos e eleitores, que perdem a oportunidade de ter uma garantia adicional para o voto digital.

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