Reinvenção. Transformação. Adaptação. Estas palavras ajudam a exemplificar o que a pandemia de coronavírus vem exigindo de todos. Os reflexos não são apenas para a saúde pública e economia. Neste cenário que entra para a história mundial, a educação foi uma das áreas mais impactadas. Com as aulas suspensas, a necessidade em dar sequência ao ano letivo se tornou uma demanda urgente, mas também passou a expor, ainda mais, a desigualdade educacional, não apenas entre o ensino público e privado, mas também entre os alunos de escolas urbanas e rurais.

Enquanto a pandemia acelera a transformação digital em diversos setores e processos, uma realidade muito diferente ‘mora’ perto da gente. Muitas escolas públicas não conseguem acompanhar a velocidade destas ‘conexões’, especialmente as que estão localizadas na área rural.  Ao mesmo tempo que milhares de alunos estão tendo aulas programadas de forma virtual, no interior a carência ou a falta da tecnologia provam que as soluções de aprendizagem, por meio de modernas plataformas digitais, não servem para todos. Não servem justamente porque o básico, o acesso à tecnologia, ainda não chega até essas comunidades. Sem sinal de telefonia e acesso à internet, manter as aulas em meio à pandemia é um desafio, para alunos e professores. 

Para mostrar o outro lado das aulas a distância, desconhecido por muitos, a Folha do Mate compartilha, neste sábado, 13, em reportagem especial, a realidade do jovem Leonardo Rafael Posselt, 13 anos, de Vila Deodoro e da professora Lizete Frey Wagner, que é vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Cristiano Bencke, localizada em Centro Linha Brasil. Enquanto o jovem caminha cerca de um quilômetro para encontrar um local com sinal de telefone para entrar em contato com a Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Sebastião Jubal Junqueira para combinar quando irá retirar e devolver as atividades de aula, a professora percorre dezenas de quilômetros, de motocicleta, para entregar as atividades nas casas de alunos, a fim de garantir que nenhum deles fique sem aprender e garantam a frequência escolar.

A rotina do aluno Leonardo e da professora Lizete escancara uma demanda que já existia, mas que a pandemia tornou mais presente. E urgente. A tecnologia é uma importante aliada, mas para quem só tem a opção da educação off-line, a internet não é considerada democrática. Professor da Escola de Educação de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, Fernando M. Reimers disse ao canal da CNN, que “a pandemia causará a maior ruptura na oportunidade educacional que o mundo já viu em, ao menos, um século.”

Neste período, que tanto se projeta o cenário pós-pandemia, é fundamental inserir esta demanda na agenda política, de todas as esferas: municipal, estadual e federal.  Se por um lado avançamos e nos tornamos mais conectados nos últimos anos, por outro, o interior segue prejudicado, sem acesso ao que, para muitos, faz parte do dia a dia e é sinônimo de atualização, entretenimento e comodidade.

Esse outro lado, apresentado na reportagem, é a prova de que vivemos tempos desafiadores e com tema de casa a concluir. 

LEIA: Realidade da aula a distância sem sinal de telefone e internet

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