Tranqueira de galhos e lixo represa a água do Castelhano nos fundos do bairro Battisti. Prefeitura anuncia que vai limpar. (Foto: Divulgação/SMMA)

Reportagem da Folha no sábado mostrou o desastre ambiental que acontece na várzea do Castelhano, arroio que limita a cidade do lado norte e serve de fonte de captação de água pela Corsan. O assoreamento do leito do arroio e o lixo acumulado que tranca abaixo da ponte da RSC-453, está represando a água que se acumula na zona alagadiça próxima das margens e compromete a mata nativa dos dois lados da rodovia, onde centenas de árvores secaram. Essas matas sempre foram invadidas pelas enchentes do Castelhano, mas a água baixava depois das chuvas e a vida seguia normal. Agora, com o represamento do arroio, a água alaga por muito tempo essa área e provoca a morte das árvores.

A limpeza do ponto de estrangulamento, 500 metros abaixo da ponte da RSC-453, onde uma árvore de grande porte retém galhos, madeiras e lixo, formando a barreira de represamento, já poderia – e deveria – ter sido feita pelo município. A promessa do governo municipal é de nos próximos dias limpar àquele ponto.

Recebi do professor aposentado Maurício Konrad um texto sobre aproveitamento dos rios. Concordo com o professor sobre o futuro desta área do Castelhano. Também penso que pelo menos a várzea entre o Acesso ao bairro Grão Para e a RSC-453, possa ser transformada em área de preservação ambiental, com margens do arroio urbanizadas como descreve Maurício. Projeto desafiador, mas não é impossível.

 

O aproveitamento dos rios

Não sei se tu sabes, mas tenho ido à Europa todos estes 8 anos anteriores ao de hoje e tenho visto, na maioria das cidades em que passei, seus rios ou riachos e alguns córregos que as atravessam, sempre muradas. São os muros de contenção de suas encostas. Preservam assim suas fontes de água, pois há sistemas de coletas em locais distintos e todos servem de amostra para monitoramento da sua qualidade. Claro que lá a cultura geral e ecológica já está muito à frente daqui, mas creio que já é hora de pensarmos fazer o mesmo por aqui. Por isso é bom viajarmos para países adiantados. Nossa percepção das coisas e a nossa mentalidade social agradece. É notório o que a França fez no centro de sua cidade onde passa o rio Sena; ou Londres no Tâmisa; ou na Alemanha em cidades que são banhadas pelo rio Reno e Danúbio ou o Elba e outros tantos. Seria como cercarmos o nosso rio Guaíba em toda sua orla, desde Canoas até a zona sul de Porto Alegre, para além de Ipanema. Rios que servem de escoadouros de sua produção, através de pequenos e médios barcos. Muitos com eclusas. Grande parte serve de lazer aos que gostam de velejar ou andar de caíques. Imagine poder viajar de barco pelo Castelhano até chegar a foz no Taquari ? Também criaríamos uma zona de conforto familiar ao longo da seu perímetro urbano. Zonas de caminhadas entre suas árvores, pequenas praias em sua margens. Como fizeram em Paris. Criaram uma zona confortável ou de lazer a beira de uma das margens do Sena com direito a uma praia artificial. Ainda não vi mas já passei no local onde mais tarde isso foi feito . Quero dizer que cidades do porte de Venâncio Aires, por lá mereceriam há muito tempo uma canalização. Não deixar do jeito que está, a todo ano a mesma ladainha: enchentes ou alagamentos. Aqui em Venâncio não seria utopia se fazer isso. Pelo menos melhoraríamos essa parte inútil do nosso território para usá-la mais. Serviria para, até, um reservatório de água na seca pois um canal permite isso . Pescarias poderiam ser feitas. Seria um orgulho muito grande para nossa gente. Seria útil à maior parte dos que não tem muitas formas de lazer . Haveria até gente de fora interessada. Aliado a um parque ecológico, seria um show que poucas cidades do nosso porte tem no Brasil. As futuras gerações agradeceriam. O rio é nosso. Está logo ali ! Gasta-se tanto em outras coisa. Poderia ser por uma APP. E o prefeito que conseguisse o feito teria seu nome gravado para sempre como um bom administrador público. Verdadeiro legado à posteridade!

Maurício Konrad

Professor aposentado

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome