Três acordes

(Foto: Geferson Kern/Divulgação)

# “É a cidade em que vivo, a cidade dos anjos. Sozinho eu sou, juntos nós choramos”.
# Podia ser o Red Hot Chili Peppers sobre Los Angeles em Under the Bridge, mas será este reles escriba, neste jornal, a falar sobre Venâncio Aires neste sábado congelante.
# O formato da coluna homenageia uma boa parcela de coisas desta querida cidade: está ao contrário. Que isso pare de se repetir, dentro e fora destas linhas. Vamos lá.

Sob a ponte (do Castelhano)
Afinal, o que raios as pessoas querem dizer quando temem a destruição do calçadão? Ele já o foi há muito tempo! Está feio, velho, atirado, malcuidado, etc. Testemunho de alguém que vive no local há três anos, desde que formou família com dona Cristiane, moradora da área desde antes de sua concepção: o calçadão era uma boa ideia quando criado, mas hoje atingiu o fundo do poço – e é preciso parar de cavar. Cortar as tipuanas, tão belas e que jamais pediram para ser plantadas no centro da cidade, não é questão de opção, mas de agendamento de data: os danos subterrâneos provocados, em edificações e no passeio público, são tamanhos a ponto de se sobrepor à beleza, sombra e frescor que oferecem sobre o solo.

Sob o túnel (verde)
A preocupação da população, expressada de forma intensa na caixa de comentários do Facebook após o tema ser capa da Folha do Mate nesta semana, é nítida. E plenamente justificada: como crer que o agradável túnel verde, uma das escassas belezas da área central desta pouco arborizada zona urbana, será reposto à altura? Ou em prazos razoáveis – a reportagem da semana citou novembro, mas de que ano? – para a conclusão da obra, ainda que boa parte da contratação e pagamento do serviço ficará por conta dos proprietários de imóveis? Se a Los Angeles de Anthony Kiedis está preparada para enfrentar terremotos, a Venâncio de Luiz Ruschel enfrenta dificuldades até para providenciar um ponto de ônibus razoável enquanto reforma a praça ao lado – ou tenta…

Difícil crer
“É difícil acreditar que não há ninguém lá fora”, cantava Kiedis no início da segunda estrofe. Pois parece que há: soube que o Conselho do Meio Ambiente também apresentará sugestões de espécies a serem plantadas, enquanto arquitetos e urbanistas locais se mobilizam para ampliar a discussão e, porventura, mostrar ideias melhores – e ainda assim viáveis – do que as já conhecidas. Que tal ampliar a discussão sobre trânsito ou, finalmente, tratar de coibir o barulho ao hospital neste debate? Historicamente, não é praxe de quem dá as cartas no belo recanto do Brasil ouvir pessoal especializado na hora de tomar decisões, sobretudo as importantes, mas a esperança nunca morre.

The city she loves me
O fato é: Sebastianfield não pode perder a enésima oportunidade de ampliar um bom debate e mudar seus próprios rumos, que empolgam cada vez menos. Não é de hoje que a cidade conserva aparência e astral hostis aos próprios moradores. Os recentes asfaltamentos melhoraram aspecto e tráfego, mas uma fonte me contou que parte deles, na Armando Ruschel e General Osório, mais precisamente, foram feitos ignorando que a Corsan ainda não havia feito sua parte no subterrâneo – e devem ser quebrados para tanto em até duas Copas do Mundo. Pois basta. A distância de Vaires pra LA é como a minha para John Frusciante em habilidades nas seis cordas, mas isso não é desculpa: chega de errar até na hora do acerto. Please take me back to the place I love.

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