(Foto: Edemar Etges/Folha do Mate)

A cadeia produtiva do tabaco é a base econômica de Venâncio Aires e de diversos municípios do Vale do Rio Pardo. Nesta semana, os produtores de tabaco iniciaram o plantio da nova safra. O calor fora de época antecipou o transplante das mudas e a tendência é de que, no fim de setembro, iniciem as primeiras colheitas em solo venâncio-airense.

Com um novo ciclo de plantio também se renovam as expectativas por ‘boas colheitas’. Aliás, o semeio de uma nova safra impacta em muitas vidas, no campo, na indústria, no comércio e, principalmente, no lar de milhares de famílias que dependem desta cultura agrícola. Somente em Venâncio são mais de 4,2 mil famílias fumicultoras.

Com a nova safra ‘brotando’, ao mesmo tempo que o produtor torce para que nenhuma intempérie climática atinja as lavouras – afinal as forças da natureza podem destruir o trabalho de meses e comprometer a produção de uma safra inteira – , o produtor de tabaco semeia cada canteiro com o anseio de boa remuneração após a colheita. Para a maior parte dos produtores rurais, o tabaco é a principal fonte de renda.

A importância do tabaco para muitas famílias venâncio-airenses se justifica com números: somos o segundo município do Rio Grande do Sul em produção de tabaco de acordo com o último levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Estamos atrás, apenas, de Canguçu, na região Sul do estado.

A diversificação, é verdade, cresce a cada ano na Capital do Chimarrão, que também é destaque em proteína animal, em soja, milho e aipim. Além disso, há algumas safras, a Afubra vem recomendando a redução da área plantada. A orientação vai ao encontro do cenário mundial que aponta para uma redução no consumo de cigarros e também para um crescente uso de dispositivos alternativos, como cigarros de tabaco aquecido. Embora não haja percentuais específicos, reconhece-se que nestes produtos se utiliza menos tabaco.

Neste começo de safra, deve-se buscar o equilíbrio entre oferta e procura e seguir à risca as recomendações técnicas que garantem mais qualidade, fator determinante na hora da classificação e da posterior remuneração.

O cultivo de tabaco faz parte da geração de muitas famílias na nossa região há décadas, no entanto, o cenário mudou e temos que estar atentos a todos os fatores que impactam o setor, desde a mão de obra do produtor até a exportação.

Por aqui, o que nos rodeia é o trabalho dos fumicultores, a representação das indústrias e o impacto desta renda na nossa economia. Porém, é o mercado internacional que aponta os rumos e até o quanto é produzido aqui. Para se ter ideia, a própria cotação do dólar influencia, uma vez que 90% do tabaco brasileiro é exportado. E a maior fatia deste percentual sai da nossa região.

Cada safra que ‘germina’ tem um peso significativo em emprego e renda e este é o argumento e a defesa incansável que diversas entidades representativas do setor sustentam. Nesta semana, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto de lei que oficializa a Abertura da Colheita do Tabaco no Rio Grande do Sul. Depois de muitos anos, o tabaco recebe esse reconhecimento, um sinal de que esta ‘folha’ é e seguirá sendo essencial para a agronegócio, sobretudo, para a economia do nosso estado e de tantos municípios. Venâncio é um deles.

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