Emoção sobre rodas

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Quem vê os atletas deslizando sobre rodas não consegue entender, muitas
vezes, como é possível chegar a uma coreografia perfeita, cheia de
expressão, movimentos suaves e passos precisos. Nesta edição, destacamos um
esporte que não é comum, mas tem tido expoentes em Venâncio Aires: a
patinação.

Em torno de 70 crianças e adolescentes do município e de Mato Leitão se
dedicam aos treinos. Além de apresentar exemplos de venâncio-airenses que
praticam o esporte, o Na Pilha! conta um pouco sobre a rotina intensa dos
treinos e dos cuidados com a saúde necessários para garantir um desempenho
satisfatório na pista.

Ainda, evidencia a trajetória de Marcel Stürmer, o brasileiro medalhista mundial que inspirou (e ainda inspira) muitos jovens patinadores. Boa leitura!

Uma vida voltada para a patinação

Nathalia patina desde os 3 anos, nas categorias minigrupo e individual (Foto: Arquivo pessoal)

Nathalia Bortoluzzi, 16 anos, começou na patinação por incentivo da mãe,
quando tinha apenas 3 anos. “Minha mãe achava um esporte lindo e me
inscreveu nas aulas. Quando comecei a competir, com uns 6 anos, percebi que
eu realmente adorava a patinação”, conta.

A irmã Fernanda, 13 anos, que sempre assistia às apresentações de Nathalia e
decidiu seguir os passos da irmã. “Na hora de recreio, eu ia ver a Nathalia
ensaiar, estava sempre nas apresentações e quis aprender.” Ela lembra que as
primeiras aulas foram difíceis. “Sempre fui miudinha, então os patins
ficavam grandes, tudo me machucava. Mas, com persistência, deu certo”,
relembra, feliz.

Neste ano, Fernanda irá focar na categoria individual para campeonatos (Foto: Arquivo pessoal)

Agora, nas férias, as irmãs treinam todos os dias. Mas durante o ano letivo, os
treinos são três vezes na semana, em Santa Cruz do Sul. “Quando não temos
treino, vamos para a academia, porque é importante para auxiliar na
resistência e força para a patinação”, ressalta Nathalia.

Da mesma forma, elas reforçam o cuidado com a alimentação. “Comemos de três
em três horas, porque temos tendência a emagrecer fácil, então nossa
alimentação tem bastante proteína e carboidrato. Temos que ter força para
patinar, então não podemos perder peso”, diz Nathalia.

INTERNACIONAL

O esporte proporciona conhecer muitas pessoas e lugares. Para Nathalia, o exemplo de um dos momentos mais marcantes foi no Pan-Americano 2018, em Bogotá, na Colômbia,
e no Sul-americano 2019, no município catarinense de Joinville. “O minigrupo
ficou vice-campeão nas duas competições.” Os campeonatos mundiais, na França
e Barcelona também foram muito importantes para a atleta. “A experiência de
estar lá é demais”, expressa.

Fernanda, que está se preparando para conquistar medalhas na categoria
individual, lembra com carinho do Sul-americano. “Em 2017, conquistei a
medalha de bronze”, comenta a guria, que quer ser convocada novamente para a
competição, neste ano.

As irmãs que ‘respiram’ patinação consideram que o esporte ensina a conviver
em grupo, ter disciplina e responsabilidade. “Gostamos do esporte e do que
ele nos ensina. Porém, não pretendemos seguir como carreira. Mas nunca vamos
deixar de praticar a patinação”, diz Fernanda, que sonha em ser pediatra.


“Às vezes, não alcançamos nossos objetivos, mas precisamos correr atrás e
não desistir, porque o resultado é gratificante.”

NATHALIA BORTOLUZZI – Patinadora


 

Menino também patina

Faz um ano que Gabriel Luiz Kist, 7 anos, começou a praticar o esporte. Foi
através de um convite  que decidiu ir em uma aula. “A professora de
patinação passou na sala e convidou, eu quis conhecer e gostei. As primeiras
aulas foram difíceis. Achei que não ia conseguir, caí vários tombos, mas
depois deu certo”, lembra.

Gabriel faz patinação há cerca de 1 ano (Foto: Eduarda Wenzel)

Os treinos de Gabriel ocorrem no ginásio do Colégio Bom Jesus. Entre os 30
atletas que praticam o esporte no local, apenas três são meninos. “Alguns
colegas até foram me ver na apresentação. Porém, a maioria faz piadinha
sobre menino patinar”, lamenta. Mesmo assim, Gabriel tem consciência que
todo mundo pode praticar o esporte. “Não devemos ter preconceito com nenhum
esporte. Os atletas são pessoas corajosas e empenhadas”, argumenta.

Tímido, o menino comenta que ensaia uma vez por semana, em turno oposto ao
da escola. “Fico nervoso antes de me apresentar, mas durante a apresentação
me sinto livre.” Além da patinação, ele também faz natação e futsal. “Ajuda
a ter mais resistência e disciplina”, afirma Gabriel, que pretende levar a
patinação como hobby.

Sobre as aulas

Em Venâncio Aires, as aulas de patinação são realizadas pelo grupo Pattins
Sul, que tem sede em Santa Cruz do Sul e utiliza os ginásios dos colégios
Gaspar Silveira Martins e Bom Jesus para as aulas. São cerca de 70 atletas
que fazem aulas semanais.

O esporte é dividido por categorias, que começa com a nível 1 ou ‘fraldinha’,
para crianças de 3 anos. Mas, para competições em geral, os atletas
começam a partir do nível 7, na faixa etária de 6 e 7 anos.

Conforme a coordenadora técnica Regina Käfer, quando o ciclo de competição
se inicia, os treinos passam a ser mais seguidos. “Dois, três meses antes de
competição, o patinador individual começa a treinar diariamente. Dentro da
categoria individual, ele tem mais categorias de estilos, então precisa
estar bem em todas”, exemplifica.

O minigrupo, que tem 12 atletas, treina nas sextas-feiras, nos sábados e
domingos em Santa Cruz, por questão de espaço. “O maior desafio, atualmente,
para manter os atletas, é o espaço físico, porque não temos nenhum lugar
grande suficiente para treinar.”

Marcel Stürmer, o maior patinador brasileiro

O lajeadense Marcel Ruschel Stürmer, 34 anos, é considerado o maior
patinador da história do Brasil, pelos títulos conquistados ao longo da
carreira. Em entrevista para o Na Pilha!, ele conta que começou a patinar
aos 6 anos, após assistir a um show da escola de Jaqueline Nonnenmacher.
“Quando o show começou, falei para os meus pais: ‘quero aquilo também’”.

Em dezembro do ano passado, show Zbura, de Marcel Stürmer, reuniu alguns dos maiores campeões da patinação mundial, em Porto Alegre (Foto: Daniel Nunez)

Para o patinador, as maiores conquistas da carreira foram o tetracampeonato
dos Jogos Pan-Americanos (2003, 2007, 2011 e 2015) e o ouro dos Jogos
Mundiais de 2013. Em 2015, após o Pan de Toronto, ele parou de competir e,
atualmente, se divide entre Porto Alegre, Goiânia e São Paulo. “No momento,
faço shows e tenho duas escolas, em Porto Alegre e Goiânia.

No último
dezembro, fiquei em cartaz no Teatro do Sesi, em POA, com meu show Zbura,
que reuniu alguns dos maiores campeões da patinação mundial.”

A dica de Marcel para quem está no meio competitivo da patinação é

Marcel Stürmer é considerado o maior patinador brasileiro (Foto: Daniel Nunez)

perseverança. “A patinação é um esporte de repetição, você tem que treinar
muito e depois mais um pouco. Se mantenha motivado, e quando não estiver,
tenha disciplina.”


“A patinação é a minha vida. Tudo que faço de diferente também partiu daí. Foi minha porta para o esporte, a arte e o mundo.”

MARCEL RUSCHEL STÜRMER – Patinador


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