Com certeza, você já fez algum trabalho voluntário e deve se lembrar da sensação de alegria e bem-estar ao fazer a ação por alguém, sem pedir nada em troca. E não importa se a atividade for ligada a alguma entidade ou individual. O que vale é colocar a mão na massa para exercitar a doação.

Quando falamos em doação, não nos referimos apenas à doação material, mas também à dedicação de tempo, paciência e carinho. Especialmente agora, por conta do isolamento social, reservar um tempinho para conversar com os avós, um amigo ou um familiar, por telefone ou chamada de vídeo, pode ser a melhor forma de ajudar.

Nesta edição, apresentamos exemplos de quem está empenhado em ações voluntárias e trazemos dicas de como você também pode auxiliar. Afinal, embora estejamos vivendo momentos muito difíceis, por conta do coronavírus, o voluntariado está ao nosso alcance para fazer a diferença e tornar este período um pouco mais leve – para você e para quem receber sua ação. Boa leitura!

Nas ações voluntárias, lições para a vida

Interact Venâncio Aires

O voluntariado faz parte da vida de Maria Eduarda Mattie, 18 anos, há mais de 3 anos. A atual presidente do Interact de Venâncio Aires comenta que ajudar o próximo é um objetivo de vida, pois é uma oportunidade de tentar amenizar a desigualdade social. “Vai além do básico de doação material ou em valores, o voluntariado inclui a doação do seu tempo, sua atenção e dedicação”, destaca.

Com incetivo da família, que também participa de ações voluntárias, Maria decidiu fazer parte do clube. “Na época eu já havia recusado o convite para me associar, porque não tinha noção da importância que isso traria a minha vida, mas, desde que virei associada, brinco que eu respiro Interact.”

A adolescente observa que, além do desenvolvimento pessoal, como liderança, oratória, responsabilidade e gestão, participar do Interact também lhe trouxe muitas amizades e reflexões. “Me fez despertar em vários sentidos, comecei a valorizar mais minha vida e o que tenho nela, passei a ver o que de fato era essencial”, afirma.

Para a menina, cada ação traz uma lição para a vida, mas teve uma que a marcou muito. “Fizemos o projeto ‘Acolhendo corações’ na Casa de Acolhimento, onde proporcionamos uma tarde cheia de diversões as crianças. O dia me marcou pelas histórias dos pequenos, tudo que já passaram e todas suas dificuldades. Com isso, passei a valorizar mais minha família.”

Neste momento de pandemia, o grupo de voluntários trocou a reunião presencial por videoconferências, mas continua projetando novas atividades. “Estamos organizando diversas ações, mas em decorrência da Covid-19 não podemos realizá-las. Então, assim que cessar a pandemia, acreditamos que podemos ser úteis para nossa comunidade se restabelecer”, diz a presidente do Interact.

No final, não importa a dificuldade que foi a organização do projeto, porque o sorriso sincero de quem recebeu faz com que tudo tenha vAlido a pena. Acabamos, muitas vezes, recebendo mais do que doamos.

Maria Eduarda Mattie

Presidente do Interact

 

Mais do que nunca, é hora de ajudar

Há cerca de dois meses, estamos enfrentando a pandemia de coronavírus e a recomendação é de ficar em isolamento social, principalmente para os idosos e grupo de risco. Com o objetivo de ajudar essas pessoas, Amanda Becker, 15 anos, começou a praticar o voluntariado.

Amanda faz as compras do mercado para os pais e avós, para evitar a circulação deles em locais com aglomeração de pessoas

A primeira ação dela foi auxiliar seus pais e avós. Depois postou no Facebook uma mensagem dizendo que poderia ajudar outros idosos nas compras diárias, para evitar que eles precisassem sair de casa. “É um jeito de prevenir e cuidar da saúde deles, pois são grupo de risco pela idade e também por problemas de saúde”, diz.

Amanda não recebeu pedidos de ajuda na postagem da rede social, porém, lembra que, quem precisar, pode pedir para ela.

Geralmente, uma vez na semana, ela faz as compras no supermercado e ajuda os avós. Pede a lista para eles e depois entrega as compras. “Eu vou quando eles me pedem,. Normalmente, quando é farmácia, outras pessoas da família ajudam também”, explica a guria, ao lembrar que tudo é feito com os devidos cuidados de prevenção, como o uso de máscara e higienização das mãos.

Pelas redes sociais, ajuda também é compartilhada

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou um programa de voluntariado para jovens entre 16 e 24 anos, para disseminar informações confiáveis sobre o coronavírus à população, por meio das redes sociais, e combater as fake news (notícias falsas). Em Venâncio Aires, três adolescentes foram selecionados. Entre eles, o estudante de Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Marcelo Eduardo dos Santos, 19 anos, que já havia sido voluntário em projetos escolares.

Marcelo está entre os três adolescentes do município que são voluntários da Unicef no programa de combate às fake news (Foto: Arquivo Pessoal)

A decisão de participar veio pela vontade de colaborar com o próximo. “Eu gosto de ajudar as pessoas, assim achei uma maneira de fazer isso mesmo em isolamento social”, argumenta. O grupo de voluntários se encontra semanalmente – pela internet, claro. “Discutimos as notícias da semana e conversamos sobre as falsas. Tudo averiguado pelo Unicef”, explica Marcelo. Posteriormente, esse material é divulgado nas redes sociais dos voluntários.

O guri acredita que o projeto está ajudando na divulgação e na oferta de notícias mais confiáveis. “Vejo, inclusive, que meus pais estão checando com mais frequência a fonte de alguma reportagem ou notícia sobre a Covid-19.” Além disso, ele percebe que as pessoas estão mais atentas e tentam denunciar as fake news.

Atitudes para exercitar a empatia, o amor e a esperança

O isolamento social desperta em muitas pessoas o desejo de ajudar ao próximo e se doar a quem mais precisa. Para a professora de Filosofia e Sociologia do Colégio Gaspar Silveira Martins, Kamila de Oliveira, a crise obrigou a população a ressignificar valores. “Estamos passando pela mesma tempestade, mas com percepções, experiências e necessidades completamente diferentes”, analisa.

Ela observa que, nesta situação que o mundo todo enfrenta, a desigualdade social ficou evidente em muitos campos. “Muitas pessoas não têm um conforto, perderam o emprego, estão sofrendo de violência doméstica, não têm acesso a internet para prosseguir com as atividades do ano letivo e tiveram que mudar a rotina. Há também aqueles que, mesmo com medo, precisam sair para trabalhar, como também os que dependem do trabalho, mas não podem sair de casa”, exemplifica.

Kamila acredita que, por meio do voluntariado, é possível minimizar as dores e contribuir com as pessoas, que neste momento, precisam de apoio e atenção. “Durante este período de distanciamento social, os privilégios de cada um se tornaram ainda mais evidentes. A partir do momento que enxergamos e valorizamos o que temos, percebemos que podemos sempre ajudar com algo. E o fato de ajudar ao próximo nos conforta e nos dá alegria”, afirma a professora.

Kamila de Oliveira

Ela lembra que este é o momento para colocar em prática a empatia, o amor e a esperança, por meio de atitudes simples, que podem fazer uma grande diferença.

As atitudes voluntárias edificam e enobrecem. Nos tornam pessoas melhores, capazes de perceber e entender a dor e as necessidades do outro.

Kamila de Oliveira

Professora de Filosofia e Sociologia

 

Dicas de como auxiliar

– Ajude com doações

– Se ofereça para ir ao mercado para auxiliar o vizinho ou outra pessoa do grupo de risco

– Repasse informações importantes e confiáveis, inclusive nas redes sociais

– Seja paciente com seus pais, familiares e professores

– Ligue para um amigo que está triste

– Separe roupas e calçados para doação

– Ajude um colega a compreender um conteúdo da aula

– Fique em casa

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