Trabalhar enquanto estuda é uma realidade de grande parte dos alunos de cursos técnicos e de graduação. Quando há possibilidade de atuar na área para a qual está estudando, a relação entre teoria e prática se estreita: no dia a dia, dá para colocar a mão na massa e testar o aprendizado da sala de aula, ao mesmo tempo que nos estudos é possível aprofundar o conhecimento, pesquisar e refletir sobre o trabalho.

A aproximação com a realidade do mercado de trabalho é uma das premissas da Reinvenção Pedagógica da Unisc, lançada na semana passada. Ao encontro disso, preparamos uma edição para falar sobre a importância desse intercâmbio, seja por meio de estágio, projeto ou contratação. Quando conversamos com a galera que tem um pé na universidade e outro no mercado de trabalho, não restam dúvidas de que essa é uma boa opção. Confira!

TEORIA E PRÁTICA DE MÃOS DADAS 

Com apenas 17 anos, Taís Dörr Fortes, hoje com 22 anos, decidiu cursar Jornalismo na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Já no primeiro semestre de faculdade, a jovem conseguiu seu primeiro emprego, que foi como assessora de imprensa de Mato Leitão. Atualmente, trabalha como repórter na Folha do Mate, onde passou de estagiária para funcionária efetiva. “Ter começado a faculdade abriu as portas para o mercado de trabalho”, considera a acadêmica.

Para Taís, atuar na área durante o curso ajuda na aprendizagem. “Tudo que eu via na sala de aula eu conseguia aplicar no dia a dia”, diz a estudante, que se forma em agosto do próximo ano. “Sei que vou ser uma profissional mais completa por conseguir aplicar os conteúdos de aula no trabalho.”

Estudante de Jornalismo da Unisc, Taís atua como repórter na Folha do Mate

Ela também ressalta que a universidade oferece grande incentivo para os alunos praticarem o que aprendem, e cita a Agência Experimental, onde é possível estagiar em diferentes áreas da comunicação, como Jornalismo e Publicidade. “Vejo que, assim como nós da comunicação temos a agência, outros alunos também possuem essa oportunidade, como as clínicas para a área da saúde”, comenta.

A estudante também lembra que a universidade oportuniza a experiência de fazer um jornal impresso, vivenciando a realidade de uma redação. “Durante uma disciplina, em um certo momento do curso, é feito o Unicom, jornal do Curso de Comunicação, por alguma turma de Jornalismo. E vejo que a prática aproxima da realidade de uma redação.”

APRENDIZADO E INTERAÇÃO

Natália é estudante do técnico em Enfermagem e trabalha em um laboratório

Aliar trabalho e estudo já faz parte do dia a dia da estudante do curso técnico em Enfermagem da Unisc Venâncio Aires, Natália Giombelli Ribeiro, 20 anos. Desde que ingressou no curso, em 2018, ela já se inseriu na área de geriatria, quando começou a trabalhar no Lar Novo Horizonte.

Um mês depois, a jovem recebeu uma outra oportunidade na área clínica, no Laboratório Venâncio Aires, onde atua até hoje. “A prática é fundamental e vejo como uma das fases mais importantes do curso. As minhas experiências em duas áreas diferentes foram muito positivas. No Lar, tive contato com os idosos e atuei diretamente com assistência geriátrica. Já no laboratório, aprendi análises clínicas e tive contato com outras patologias”, afirma.


“Sempre há oportunidades de trabalho nesta área, mas o segredo não é só gostar da profissão, mas, sim, amar aquilo que se faz. Precisamos estar sempre bem para transmitir isso aos outros.”

NATÁLIA GIOMBELLI RIBEIRO – Estudante do curso técnico em Enfermagem


Além de trabalhar na área, Natália também sempre esteve inserida em ações da universidade e feiras de saúde. “Gosto muito de participar das feiras para ter contato e conhecer o ambiente das outras pessoas. É importante para não chegarmos no estágio sem ter contato com o público. Interagimos com os outros e temos um retorno positivo da comunidade, que, além de ter acesso aos exames breves, também precisa de atenção”, considera.

Para ela, conviver com outras pessoas auxilia os alunos a desenvolver em empatia e aprenderem a ser mais receptivos, o que facilita o ingresso no mercado de trabalho.

NOVOS HORIZONTES A PARTIR DA UNIVERSIDADE

Luana Schweikart, 20 anos, começou a cursar Jornalismo na Unisc neste ano. Apesar de estar apenas no segundo semestre da faculdade, a guria já contabiliza experiências. Seu primeiro contato com a comunicação na prática foi através da Agência Experimental A4, que fica no campus de Santa Cruz do Sul.

Luana está no segundo semestre de Jornalismo

A estudante também trabalha como freelancer no site Guia Venâncio. Ela explica que a prática ajuda na realização dos trabalhos em disciplinas e vice-versa. “Como no site tenho bastante contato com foto e vídeo, neste semestre, quando tive a disciplina de Fotografia, já sabia um pouco sobre e me senti mais segura”, compartilha. “Com a experiência, a aula acaba sendo um complemento e ajuda até a perder a vergonha de chegar nas fontes para fazer as entrevistas.”

Para a jovem, o trabalho na área é uma forma de agregar conhecimento aos estudos e ajuda a conhecer como realmente é o cotidiano da profissão. “Na agência, eu trabalho mais a parte escrita e pesquisa de campo. No site, aprendi bastante sobre vídeo e TV. Então, em pouco tempo, consegui ter uma noção geral dos assuntos.”

Outro ponto que contribui com a formação, na opinião de Luana, são as palestras com outros profissionais. “Temos grandes nomes do jornalismo que vêm até a Unisc palestrar. É bom para tirar dúvidas e conhecer mais sobre a carreira deles.”

CAPACIDADE DE RESOLVER PROBLEMAS

A Reinvenção Pedagógica da Unisc, que passa a valer a partir do próximo ano, promete trazer muitos benefícios para os estudantes. Na nova modalidade de ensino, os alunos serão capacitados para resolver problemas do dia a dia da profissão.

O vice-reitor da universidade, Rafael Henn, explica que muitos estudantes eram tecnicamente bem formados, mas sem noção de como elaborar um plano de negócios, empreender ou lidar com desafios diários numa empresa, por exemplo.

Para isso, será criado um laboratório de empreendedorismo e práticas comunitárias vão passar a fazer parte dos cursos. A intenção é dar uma noção de gestão para os estudantes e ajudar a sociedade na solução de problemas gerais.

“Os alunos vão receber os problemas reais da sociedade e vão, ao longo do semestre, propor melhorias”, afirma. Os contratempos podem ser de alguma empresa ou instituição, sendo que os propositores dos problemas serão convidados a participar dos encontros como mentores.

O objetivo também é formar profissionais capacitados a lidar com situações do cotidiano e questões sociais. Todos os cursos terão um módulo chamado ‘Competências para a vida’. “A ideia é preparar o aluno para a vida, muito além da competência técnica que ele tem.”

Henn destaca que a equipe da universidade tem estudado muito as tendências mundiais e, no Fórum Econômico Mundial, foi apontado que muitas profissões vão deixar de existir. “A ideia é que um grande número de profissionais passe a atuar como prestador de serviço contratado pelas empresas”, completa. Devido a isso, se torna importante trabalhar a questão do empreendedorismo, que também é foco da mudança.

MAIS EXPERIÊNCIAS NO CURRÍCULO

A nova proposta de ensino, segundo o vice-reitor Rafael Henn, vai agregar muito ao currículo dos recém-formados. De acordo com ele, as experiências na resolução de problemas aumentam muito a empregabilidade, pois o aluno deixa de ter um aprendizado somente teórico e passa a ter vivência real de desafios práticos. “Quando ele for participar de uma entrevista de emprego, poderá dizer quais os problemas reais já conseguiu resolver”, cita.

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