Briga de Peso

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Algumas das lembranças mais queridas que trago da infância são relacionadas a comida. Minha avó produzindo doces de leite no fogão à lenha, meu pai preparando deliciosos bolos de cenoura com cobertura de chocolate, minha mãe cozinhando sobremesas recheadas de leite condensado e meu avô descascando para mim açucaradas laranjas do céu.

Quando era criança, ficava com meus avós no interior do município enquanto meus pais trabalhavam. Todos os dias, acompanhada da minha avó, pegava um ônibus para ir e voltar da escola. Após a aula, sempre era recepcionada na parada de ônibus com uma surpresinha: alfajores, brigadeiros, casadinhos, biscoitos ‘orelhas de macaco’ e tortas prestígio eram alguns dos quitutes oferecidos pela querida dona Nelda.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasA foto comprova que uma infância cheia de brincadeiras davam conta das calorias extras
A foto comprova que uma infância cheia de brincadeiras davam conta das calorias extras

E a fartura gastronômica não parava por aí: na casa da vó, em um antigo guarda-louça, existia o que chamávamos de ‘moquinha’. Ali, nunca faltava chocolates Bis e Refeição, da Neugbauer; e bolachinhas recheadas Passatempo. à noite, um dos jantares mais tradicionais era pão francês com maionese e salsicha, acompanhado de um copo de Pepsi.Ao contrário do que possa parecer, não fui uma criança acima do peso. Graças a abençoada fase de crescimento, e a uma infância cheia de brincadeiras ao ar livre, sempre me mantive em forma.

O problema é que a gente cresce.

A fase de crescimento terminou (continuando com potencial apenas para os lados) e o metabolismo resolveu que não eliminaria calorias de bom grado. O problema é que o paladar não sofreu alteração alguma. Continuei gostando dos alfajores, brigadeiros, casadinhos, orelhas de macaco e tortas prestígio.

Além disso, um problema se somou ao drama: com tantos momentos felizes envolvendo comida, meu cérebro se acostumou a fazer a associação. é fim de semana? Comida. é feriado? Comida. Férias? Comida. Visitas queridas? Comida. Família reunida? Comida. Na minha casa, como em muitas de origem alemã, felicidade é sinônimo de mesa farta (e gorda).

Ou seja, eu não preciso de uma nutricionista. Preciso de uma psicóloga. Ou ainda, de um tratamento de choque.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasAté hoje, tenho o ciclismo como um dos esportes favoritos
Até hoje, tenho o ciclismo como um dos esportes favoritos

é sobre esse drama que vou falar aqui no Tudo & Todas. Apesar de ter tido alguns ‘perrengues’ com o peso durante a adolescência, foi há dois anos que a minha briga com a balança se intensificou de verdade. Por isso, em todas as segundas-feiras (dia internacional do ‘ai meu Deus, porque eu comi tanta sobremesa’), estarei aqui para partilhar com vocês um pouco das minhas dietas, treinos físicos, receitinhas e, principalmente, minha luta diária contra a gula.

Espero que vocês gostem, se identifiquem e possam trocar ideias comigo.

Nos falamos por aqui!