Ângela decidiu colocar em prática as habilidades na cozinha que aprendeu com a avó. (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)
Ângela decidiu colocar em prática as habilidades na cozinha que aprendeu com a avó. (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

A pandemia do coronavírus chegou de surpresa e atingiu diretamente vários segmentos, que tiveram que fechar as portas por um período indeterminado. Além de causar impactos na situação financeira das famílias, o momento de incertezas obrigou algumas pessoas a se reinventarem para não ficarem paradas.

Foi o que aconteceu com Ângela Schwendler, 48 anos, que trabalha com decoração há 17 anos e decidiu investir na produção artesanal de geleias. Acostumada a manter uma rotina agitada, para cumprir a agenda de compromissos em Venâncio Aires e outros municípios do estado, desde março Ângela teve que pensar em novas oportunidades, para se distrair e lidar com esta nova realidade. “Investi nos doces para ocupar a cabeça, pois sou muito ativa e não gosto de ficar parada. Os primeiros que fiz distribuí para as minhas amigas e, aos poucos, fui testando novos sabores”, afirma.

A ideia de fazer geleias caseiras surgiu das lembranças e sabores que Ângela ainda carrega da infância. “Toda a minha família gosta de cozinhar. Lembro da minha falecida avó preparando doces no fogão à lenha, quando morava no interior”, recorda. Há 20 anos, Ângela trabalhou em um restaurante.

Além da fabricação própria de doces caseiros, Ângela contou com o auxílio da tia Leonita (conhecida como Niti), que ainda guarda uma receita antiga da bisavó, de doce de leite. “Faço os doces de frutas do meu jeito, coloco tudo a olho, sem medida, mas o carro-chefe é o doce de leite da minha bisavó”, destaca. Ela recorda que a receita sempre foi muito solicitada pela família. “Meus filhos Éverton e Michele chegavam a esconder o pote quando trazíamos o doce da colônia”.

Ela não descarta a possibilidade de seguir fazendo os doces paralelo à decoração, assim que os eventos forem normalizados. “Nunca tinha ficado tanto tempo parada, no máximo uns 10 dias. Em decorrência da pandemia, tive um tempo para fazer uma autoavaliação”, observa.

CRIATIVIDADE NA COZINHA

Além do tradicional doce de leite, da bisavó, Ângela já preparou doces de manga, kiwi, pera, carambola e outras frutas diferentes. Algumas das receitas ela também acrescenta complementos (damasco e tâmara no doce de leite e pimenta nos doces de frutas).

“Durante este período, percebi que é preciso valorizar mais a família e dar valor às pequenas coisas. Tudo tem um lado positivo.”

ÂNGELA SCHWENDLER

Decoradora

Autoconhecimento

Segundo a psicóloga, Bruna Pereira, as mudanças são fundamentais na vida. “Temos uma mudança repentina, isso nos pega de surpresa. Então é comum, que nesses casos, a gente fique receoso e inseguro no primeiro momento mas, isso nos faz reavaliar os nossos hábitos, nossa rotina, buscar novas estratégias e novos hobbies. Somos obrigados a nos reinventar de diferentes formas e nos redescobrir”, explica.

O isolamento social proporcionou às pessoas o autoconhecimento.”Quando temos mudanças que são impactantes na nossa vida, as nossas emoções, crenças pessoais e comportamentos também se alteram e a partir disso mudamos a opinião e o valor que atribuímos para nós mesmos”, destaca a profisional.

Neste caso, as pessoas saem da zona de conforto e identificam aquilo que mais gostam e que é importante para si mesmas. “Quando descobrimos o que nos dá energia e motivação, definimos metas, temos contato com as nossas qualidades, temos também uma melhora na nossa autoestima”, avalia.

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