Síndrome da Cabana é um fenômeno psicológico que atinge algumas pessoas que têm medo de sair de casa, após um longo período de isolamento. (foto: Rosana Wessling)
Síndrome da Cabana é um fenômeno psicológico que atinge algumas pessoas que têm medo de sair de casa, após um longo período de isolamento. (foto: Rosana Wessling)

Talvez você ainda não tenha ouvido falar neste termo: Síndrome da Cabana. Mesmo que ainda seja desconhecido para alguns, ele já vem de uma longa data. Porém, o fenômeno psicológico nunca esteve com tanta evidência como agora, devido à mudança de comportamento com a chegada do novo coronavírus.

De acordo com a psicóloga Adriana Oswald, a Síndrome da Cabana é um fenômeno psicológico que acomete algumas pessoas, que têm medo de sair de casa, após um longo período de isolamento. Um comportamento bem comum atualmente, em diferentes lugares pelo mundo.

A síndrome já existe desde 1900, quando surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos. Ela foi criada para explicar um problema que ocorria com os caçadores, que sentiam repulsa ao retornar à civilização, depois de passar o rigoroso inverno nas cabanas.

A psicóloga explica que as pessoas têm uma tendência natural de evitar o novo e o desconhecido. “Todos os nossos hábitos e estilos de vida se tornam ‘normais’ e automáticos no dia a dia. Quando começou o confinamento, todos nós precisamos de alguma forma condicionar nosso cérebro e forçá-lo para essa nova realidade. É preciso esforço mental para se adaptar”, reforça.

Para diminuir o impacto causado pelo confinamento, a psicóloga orienta que sejam feitas algumas reflexões, como a técnica da psicologia chamada dessensibilização, que consiste em começar aos poucos. Isto vale, principalmente, para aquelas pessoas que tiveram que permanecer em casa durante um longo período e que já podem dar continuidade à rotina, gradativamente.

“Primeiro saia de casa e dê uma volta rápida no quarteirão. Assim, você vai aumentando diariamente o desafio, até que se sinta à vontade para retornar à rotina. Tenha em mente que essa sensação de estranhamento irá passar”, orienta a psicóloga.

A paciência também deve ser uma aliada no processo. Aliás, Adriana lembra que cada um reage de uma maneira diferente com as mudanças. “Respeite seu tempo, não se compare. Estamos todos passando pela mesma tempestade, mas em barcos diferentes”, observa.

Ela também destaca que, quanto mais as pessoas mantêm a resistência em sair, mais se reforça o medo e se intensificam os sintomas. A psicóloga recomenda que, se esta insegurança não for superada, é necessário buscar ajuda profissional.

Sintomas mais comuns

  • Falta de motivação e ânimo
  • Alteração de humor
  • Perda de memória e concentração
  • Sensação de frustração e impotência
  • Alteração no sono
  • Alteração na alimentação
  • Sintomas de ansiedade
Adriana indica que as pessoas devem fazer técnicas de reflexão para retomar a rotina. (Foto: Divulgação)
Adriana indica técnicas de reflexão para quem pretende retomar à rotina, após o isolamento. (Foto: Marília Haas/Divulgação)

“As pessoas devem sempre levar em consideração que os pensamentos interferem em como nos sentimos.”
ADRIANA OSWALD
Psicóloga

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