(Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Somente em abril foram realizados 463 encaminhamentos de seguro-desemprego na agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine), de Venâncio Aires. O número representa um crescimento de 51% em relação ao mesmo período de 2019 e representa uma média de 15 encaminhamentos, por dia.

Nestes primeiros quatro meses de 2020 foram contabilizados 1.018 pedidos de benefício de forma on-line, não estão contabilizados os encaminhamentos feitos pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. De acordo com o coordenador local do Sine, Adriano Costa, o número de encaminhamentos nestes primeiros meses é menor que o mesmo período do ano passado, quando foram realizados 1.062 pedidos, representando um diminuição de 4%.

É visível um crescimento apenas em relação ao mês de abril quando ocorreu 15 encaminhamentos por dia em 2020 e cerca de dez diários, no ano passado. Para Costa, os números do quadrimestre ainda não refletem a crise econômica em função do coronavírus. “O número de demissões ainda pode aumentar nos próximos dois meses”, complementa.

De acordo com ele, o número significativo do mês de abril está relacionado aos desligamentos da empresa Beira Rio, de Mato Leitão, acometida por um incêndio, no dia 17 de março. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Calçado e Vestuário de Venâncio Aires e Mato Leitão, João Émerson de Campos, as demissões da empresa refletiram também na redução do quadro de associados da entidade, que era de aproximadamente mil e caiu para cerca de 650.

O CENÁRIO

O economista e professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Sílvio Cezar Arend, destaca que ainda não é possível fazer uma análise da economia regional e brasileira neste início de ano. Isso porque, até o momento, não foram divulgados os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), plataforma que traz dados referentes aos vínculos trabalhistas. Em compensação, ele acredita que o cenário seja negativo para os próximos meses, com número de demissões maior do que o de 2019 – ano que teve 307.311 demissões. Somente em março de 2020, foram 32.872 pedidos de encaminhamentos de seguro-desemprego no Brasil. “O que podemos afirmar é que teremos um crescimento no mês de abril equivalente a março ou maior”, destaca.

O economista lembra que, inicialmente, 2020 era para ser um ano bom para a economia. O Produto Interno Bruto (PIB) deveria crescer 1,1%, semelhante ao ano passado. Para Arend, essa expectativa inicial de crescimento foi afetada pelo coronavírus e deixará marcas no cenário econômico.

COMÉRCIO LOCAL

Marcas que vão fazer com que o consumidor priorize por suas contas em dia e evite o endividamento. “É importante destacar que devemos valorizar o comércio local”, pontua, sobre a importância dessa valorização para a retomada da economia após a pandemia do coronavírus.

Para as empresas, segundo Arend, é o momento de repensar o próprio negócio e buscar atender outros públicos. “Quem não adotar novas medidas de negócio está fadado a fechar”, sugere.

Oferta

No momento, com o cenário da pandemia da Covid-19, Adriano Costa adianta que o maior número de vagas que estão sendo ofertadas pela agência venâncio-airense é para o setor metalúrgico.

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