O Caps i fica na rua Sete de Setembro e atende crianças e adolescentes (Foto: Cassiane Rodrigues)

O Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps i) está há mais de um ano prestando serviços às crianças e adolescentes. São cerca de 30 avaliações feitas mensalmente, de pacientes de Venâncio Aires e microrregião.

Inaugurado oficialmente em novembro do último ano, o espaço conta com serviços para crianças e jovens com transtornos mentais, depressão, bipolaridade, automutilação e tentativa de suicídio. A equipe é formada por um enfermeiro, um médico psiquiatra, uma terapeuta ocupacional, duas psicólogas e três cuidadoras.

Segundo o coordenador Paulo Roberto Fischer, no centro são atendidas crianças e adolescentes encaminhadas pela escola, rede de saúde ou até mesmo por vontade própria. “Algumas pessoas chegam aqui e pedem por atendimentos.”

A partir do encaminhamento, o paciente passa por todas as avaliações, posteriormente os profissionais debatem o caso e são definidos e marcados os atendimentos necessários. “Às vezes, nós encaminhamos para outra rede de saúde, pois pode ser apenas problemas de aprendizado ou algo do tipo”, diz Paulo.

Além disso, é possível participar do grupo familiar. Trata-se de uma roda de conversa para expor situações e soluções em conjunto, ou do grupo de adolescentes, que é um bate-papo semanal com os jovens. Também é oferecido reiki, terapia alternativa que visa harmonizar os chakras. Oficinas de pintura, música e artesanatos são incluídas nos tratamentos, dependendo do caso.

O centro atende crianças e adolescentes de 4 a 18 anos incompletos, e funciona das 7h30min às 17h30min.

456

pacientes já passaram pelo Caps i. Atualmente, 235 estão em atendimento.

 

“Ter um Caps aqui foi uma superconquista”

O Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps i) faz uma grande diferença na vida de Nycolas Henrique Gastler, 8 anos. Há cerca de seis anos, o menino sofreu traumatismo craniano grave, ficou na UTI em Porto Alegre durante três semanas e depois um longo período de repouso em casa. Atualmente, frequenta o Caps i com atendimento de psicóloga e psiquiatra.

Segundo a mãe de Nycolas, Andréia Willms, o menino já frequentava o Caps Infantil em Rio Pardo, que atendia Venâncio Aires antes da inauguração de um centro no próprio município. Mas o deslocamento complicava um pouco. “O Nycolas não gosta de viajar, não consegue ficar muito tempo dentro de um carro, então ter um Caps aqui foi uma superconquista”.

Na instituição, localizada na rua Sete de Setembro, na esquina com a Avenida Ruperti Filho, a criança ainda participa de oficina de música. “Ele começou na semana passada, e chegou em casa todo animado, adorou”, conta. A mãe ainda destaca que o centro oferece apoio para toda família. “Eu venho aqui e posso desabafar com todos, nos sentimos em casa”, acrescenta.

Andréia comenta que o preconceito das pessoas sobre o atendimento de saúde mental é a pior parte. “O preconceito tem em todos os lugares. Isso é o que mais me machuca”, lamenta. Apesar disso, ela fica feliz em ver a evolução do filho e sabe que a ajuda do centro é importante para que isso aconteça. “No hospital em Porto Alegre comentaram que ele só ia aprender a ler pelos 12 anos, e desde os 7 anos ele já sabe ler.”

“A rede escolar precisa preparar professores para trabalhar com crianças especiais. Isso ainda é um problema.”

ANDRÉIA WILLMS

Mãe de paciente

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