Chimarrão, o companheiro de todas as manhãs

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O dia começa bem cedo para o aposentado Auri Jaeger, 71 anos. Faça chuva ou faça sol, ele acorda por volta das 6h para fazer o fogo no fogão a lenha e preparar o tradicional chimarrão, na propriedade onde mora, em Vila Deodoro, interior de Venâncio Aires.

Enquanto ceva um amargo, fica em frente ao fogão a lenha da cozinha para servir direto da chaleira, uma tradição que mantém há mais de 50 anos, quando ainda trabalhava na roça. “Já é um costume aqui em casa usar a chaleira. Utilizamos a garrafa térmica só quando chega alguma visita”, explica a esposa de Auri, Silma Jaeger, 68 anos.

Antes de começar o dia, ele já está com a cuia na mão para esperar o restante da família levantar da cama. Auri é o primeiro a chegar na cozinha. “Eu não levanto neste horário para acompanhar ele, fico na cama até umas sete horas”, salienta Silma.

Auri, mais conhecido como Pibi, costuma tomar chimarrão sozinho na primeira hora da manhã. Mas, também gosta de tomar a bebida em outros horários.“Meu horário para tomar chimarrão é pela manhã, antes do meio-dia e à tardinha”, afirma o aposentado, que também trabalhou como servidor público na prefeitura de Venâncio Aires.

Depois que mudou para cuidar do pai, Arnilo Jaeger, 91 anos, que mora em Vila Deodoro, ele conta com um parceiro para o amargo. Sentados na área de casa, eles compartilham o chimarrão todos os dias. No final da tarde, é bem comum encontrá-los em frente à casa da família. Em outros horários, a esposa também acompanha o marido e o sogro na roda do chimarrão. Agora, no entanto, durante a pandemia do coronavírus, eles estão evitando compartilhar a mesma cuia.

Pai e filho, Arnilo e Auri Jaeger gostam de sentar na área de casa para apreciar o amargo. (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Durante todos os dias da semana, Pibi mantém o hábito e, se por acaso não prepara o chimarrão da manhã, parece que está faltando alguma coisa para começar o dia. “O chimarrão faz falta para mim”, afirma o aposentado que está sempre com a cuia na mão, tanto no inverno quanto no verão.

Na casa de Pibi, o chimarrão é preparado sempre do mesmo jeito e ele não tem uma erva-mate preferida. “Antes ele tomava com açúcar, mas aí eu disse para ele que chimarrão é chimarrão, senão é mate doce”, conta Silma, sorrindo.

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