Amora foi a última gata de Rosane a ser castrada pelo programa, nesta semana. Ela ainda está em recuperação do procedimento (Foto: Eduarda Wenzel)

Iniciada na metade do ano passado, a segunda edição do programa de castração gratuita de fêmeas de cães e gatos vai contemplar 155 animais de Venâncio Aires, até junho deste ano. Os bairros Bela Vista, Coronel Brito e Brands foram que mais tiveram moradores inscritos no programa.

Conforme dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), até agora, já foram realizadas 83 cirurgias de esterilização, totalizando pouco mais de R$ 27 mil. Nos próximos meses, mais 72 cachorras e gatas devem ser contempladas com o procedimento, realizado por quatro clínicas veterinárias credenciadas ao Município.

Ao todo, R$ 50.710 oriundos do Fundo Municipal de Meio Ambiente, de multas da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e recursos próprios do Município são utilizados para custear as esterilizações.

A fiscal de Meio Ambiente, Clarissa Gomes, explica que o cadastramento das pessoas interessadas em castrar cachorras e gatas ocorreu durante ações de uma unidade móvel, nos bairros, para aplicação de medicamentos nos animais, e também na própria secretaria, na metade de 2019.

“Nos bairros, foram 108 pessoas inscritas e 160 na Semma, mas em número de animais, chega a 400, pois muitas pessoas inscreveram mais de um”, comenta. Além disso, alguns animais foram encaminhados pela Organização Não Governamental (ONG) Amigo Bicho.

GATAS

De acordo com Clarissa, houve demanda significativa para esterilização de gatas, nesta edição do programa. Inclusive, por isso, grande parte das castrações disponibilizadas foram para animais de até cinco quilos – o valor da castração varia conforme o peso do animal.

Entre as gatas contempladas, quatro são da moradora do Centro Rosane Fischer, 56 anos, que tem a companhia diária de Amora, Jade, Nina, Luna e Preta, todas resgatadas da rua. Nos últimos meses, a defensora dos animais conseguiu castrar quatro gatas pelo programa. Além disso, inscreveu outros animais que estão em lares temporários.

No apartamento de Rosane, as gatas têm ‘gatil’, cama, sofá, comida, água e muito amor. Mas nem sempre foi assim. No ano passado, Rosane salvou quatro gatas que estavam abandonadas, entre elas uma filhote. Como já tinha duas em casa, ficou com seis animais para cuidar.

A primeira coisa que ela fez foi ir até a Secretaria do Meio Ambiente. “Inscrevi elas e uns três meses depois duas já foram castradas, depois a outra foi chamada e nesta semana a menor fez a cirurgia. Uma delas foi adotada depois de passar pela cirurgia”, conta.

Cirurgia garante o bem-estar da fêmea

Rosane ressalta a importância da castração, porque as gatas sofrem muito durante o cio e ainda podem ter, em média, três gestações por ano. “Não tem como não perceber que o animal está no cio. A última que eu tive aqui, tava com dificuldades para se mexer, porque tinha dor. Elas também ficam manhosas e o miado muda” observa.

Ela observa que, depois de fazer o procedimento, é preciso ter cuidados básico com os animais. “Elas ficaram dois, três dias internadas, mas é muito tranquila a recuperação. Até porque, notei que agora o corte é menor que antigamente.” Para Rosane, outro aspecto importante no programa são os chips. “Cada animal que a Prefeitura castra recebe um chipes, então se ele foge ou é abandonado, as pessoas conseguem logo rastrear e achar.”

As outras gatas que já viviam com Rosane foram castradas de forma particular. “Tem muitos outros animais que eu tirei da rua e castrei por conta própria, depois procurava um lar para eles. Quando vejo um animal sofrendo e faço de tudo para recolher. Levo direto no veterinário, depois vejo como vou cuidar dele.”


“Uma gata que não é castrada entra em contato com muitos gatos e pode pegar doenças. Além de ter muitas crias durante o ano, que, por vezes, são abandonadas.”

ROSANE FISCHER
Tutora de cinco gatas


SOBRE A SELEÇÃO

1. Depois das inscrições, iniciadas na metade do ano passado, ocorreu a seleção das pessoas que teriam os animais contemplados pelo projeto.
2. Os critérios levaram em conta questões como vulnerabilidade financeira do tutor, animais com problemas de saúde e que vivem em casas com pátio não cercado e têm contato com machos não castrados.
3. A cada mês, os selecionados são avisados que foram contemplados com a castração da gata ou cachorra. O limite é de 15 castrações, por mês, por clínica veterinária.
4. A fiscal de Meio Ambiente, Clarissa Gomes, comenta que, em muitos casos, os números de telefone informados na inscrição não funcionam. Por isso, orienta que, em casos de alteração de número, as pessoas inscritas no projeto atualizem os dados. O contato com a Sema pode ser feito pelo telefone 3983-1034 ou na rua Tiradentes, 959.
5. Em 2018, na primeira edição do programa, em torno de 70 animais foram castrados.

*Colaborou: Juliana Bencke

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