Juíza Sandra Regina Moreira, delegado Vinícius Assunção, presidente do Comdim Jalila (intermediadora) e a soldado Quelen participaram da mesa redonda que abriu o evento (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Refletir, orientar e promover o debate sobre a violência doméstica foram objetivos do Seminário em Defesa da Mulher, realizado na tarde desta sexta-feira, 6, pelo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (Comdim), com o apoio do Rotary Club Venâncio Aires e Prefeitura. O público superior a 200 pessoas lotou as dependências da Câmara de Vereadores.

Com o tema ‘Causas e consequências da violência doméstica’, o seminário contou com a participação de quatro painelistas que, a partir das experiências com áreas onde atuam, contextualizaram informações a respeito do assunto. A atividade foi uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8, e ao primeiro ano de atividades do Comdim.

Graduada e mestre em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), a soldado Quelen Brondani de Aquino, que atua na Brigada Militar de Santa Cruz do Sul, foi uma das palestrantes da tarde. Em entrevista à Folha do Mate, ela destacou a necessidade de, nos dias atuais, se trabalhar com o empoderamento feminino. “Hoje em dia, com o acesso à informação e toda essa rede que está posta, precisamos fomentar que as mulheres vítimas de violência efetivamente promovam a denúncia dos seus agressores”, ressaltou.

Especialista em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local pelo Instituto Federal (IF) Farroupilha, campus São Vicente do Sul, Quelen ainda reforçou que além de fazer a denúncia e procurar ajuda, é necessário manter a rede informada em relação aos casos de violência. “O mais importante é se dar conta de que estamos sendo vítimas de violência. Às vezes, estamos em um relacionamento abusivo e não percebemos isso”, orientou.

Segundo a soldado, é relevante perceber que a violência doméstica tem início com ameaças, com a tentativa de diminuir a autoestima da mulher e restringir a liberdade dela, ao dizer com quem ela pode andar ou a roupa que ela pode vestir, bem como com a violência psicológica. “Costumo dizer que a violência física é o estopim. A pior delas é quando termina na morte da mulher. Mas, até chegar na morte, existe um caminho de violência para o qual precisamos estar atentos”, salientou.

Público lotou a Câmara de Vereadores para participar do Seminário em Defesa da Mulher (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

SORORIDADE

Para a soldado Quelen, é muito importante que a sociedade exercite a sororidade. “Temos que parar com aquela ideia de concorrência entre as mulheres. Temos que nos tratar como irmãs, uma empoderando a outra, uma fazendo com que a outra tenha autonomia, busque ajuda quando necessário e que acredite que somos capazes daquilo que nós quisermos”, relatou.

Ela ainda salientou que a cultura de que lugar de mulher é aonde ela quiser deve ser disseminada. “Precisamos ensinar para as nossas filhas e para os nossos filhos que não existe coisa de menina e coisa de menino. A geração de hoje precisa reproduzir que somos mulheres com direitos iguais aos homens e que não precisamos nos submeter a nada”, complementou.

Apesar de acreditar que os fatores para que a violência doméstica aconteçam sejam muitos, a policial militar pondera que a cultura patriarcal, ainda muito presente na sociedade, é uma das principais causas. “Temos que ensinar os nossos filhos a não reproduzir uma masculinidade tóxica, a respeitarem as mulheres, a respeitarem as suas irmãs, a serem também promotores dessa busca pelo empoderamento e autonomia da mulher. Nós mulheres também temos que nos dar contar disso, de que não precisamos estar em um relacionamento abusivo, que temos o direito de ter um relacionamento feliz, de nos sentirmos bem e que homem nenhum pode tirar isso da gente.”

Para a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher, Jalila Stahl Böhm Heinemann, o seminário cumpriu com a meta que a entidade havia estabelecido. Ela ressaltou a participação de estudantes e de representantes de entidades e de órgãos de segurança. “Estamos satisfeitos com o resultando e pensando já em um próximo evento”, avaliou.

Psicóloga Cristina Schwarz, de Porto Alegre, também participou do debate (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

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