Existe uma idade mínima para criar um negócio e começar a ganhar o próprio dinheiro? O exemplo dos três jovens que apresentamos na edição de hoje comprovam que não. Não importa quantos anos se tem, os sonhos e o ramo que pretende seguir: o que vale é acreditar e tirar a ideia do papel.

Os relatos da Melissa, do Igor e da Letícia, que você vai ler a seguir, mostram que, mais do que garantir uma grana extra, o empreendedorismo traz outros tantos benefícios. Entre eles, organização e disciplina para administrar as finanças, responsabilidade e autoestima. Além disso, criar um negócio – por mais simples que ele seja – pode ser uma forma de ocupar o tempo livre, aliviar a ansiedade e canalizar as emoções. Quem sabe você se inspira e também começa uma brincadeira que pode virar profissão?

Hobby que virou negócio

Durante o período de quarentena, a estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Gaspar Silveira Martins, Melissa Storch, 17 anos, decidiu juntar a vontade de empreender com o seu hobby. Há cerca de um mês, a adolescente faz bolos para vender. Ela sempre se dedicou aos estudos e essa é a primeira experiência de trabalho. “Gosto de ter meu próprio dinheiro, é ruim ficar sempre dependendo dos meus pais”, explica.

Melissa começou a comercializar bolos há um mês (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

A adolescente lembra que sempre gostou de fazer bolos e, durante a quarentena, estava exagerando e não vencia comer tudo. “Nos últimos meses, fazia pelo menos dois bolos por semana, então tive a ideia de começar a comercializar.”

As receitas que aprendeu com a mãe são sucesso entre amigos e conhecidos. “Tive medo de começar, mas minha família e meus amigos me apoiaram e sempre ajudam na divulgação”, conta Mel.

A primeira coisa que a guria fez foi criar um perfil no Instagram para divulgar o trabalho. Depois, criou uma identidade visual e mandou imprimir adesivos. Logo na primeira semana, Mel vendeu em torno de 20 bolos, de quatro sabores diferentes. “Não esperava ter tantos pedidos, tive que sair atrás de mais ingredientes.” E ao longo do primeiro mês, ela calcula ter comercializado mais de 50 bolos.

ROTINA

Enquanto as aulas estão on-line, Mel consegue se organizar estudando pela manhã e fazendo bolos à tarde. Depois que as aulas voltarem a ser presenciais, ela acredita que precisará reorganizar essa rotina. “Penso que terei que aceitar encomendas para sexta e sábado, para diminuir um pouco a produção, porque vai ser corrido.”

Mesmo assim, ela pretende continuar com o microempreendedorismo. Atualmente, as encomendas já se concentram mais em dias próximos do fim de semana, por isso, pretende investir em novos doces. “Já comecei a fazer trufas e semana que vem terei bolo no pote. Sempre treino antes e levo para minha avó experimentar e dar a opinião.”

Aposta na maquiagem artística

Igor Daniel Fischer, 20 anos, decidiu trabalhar com maquiagem artística no ano passado. O gosto pela arte ele já carregava desde o Ensino Fundamental, quando pintava quadros na escola. Assim que saiu do emprego, em fevereiro deste ano, optou por dar asas ao projeto. Com a experiência que teve em uma empresa de cosméticos e o incentivo da amiga Vanessa Lima, ele fez cursos para se aperfeiçoar na área.“No início, eu treinava as maquiagens na minha mãe, na minha irmã e depois em mim, antes de aplicar nos clientes”, conta.

Igor Daniel Fischer conta que a maquiagem foi uma oportunidade para vencer a depressão (Foto: Taiane Kussler/Folha do Mate)

Igor elabora maquiagens artísticas e tradicionais para todos os públicos, principalmente jovens. “Geralmente faço maquiagem artística para festas temáticas e para quem faz challenge (desafio) para o Insta”, comenta o maquiador.

Há dois meses, ele também iniciou a venda de produtos à pronta-entrega e sob encomenda. Além de ganhar uma renda extra, em tempos de pandemia, a dedicação à maquiagem também foi uma oportunidade para ele vencer a depressão. Por meio do trabalho, Igor consegue expressar tudo aquilo que sente e ainda trazer realização pessoal aos outros. “Praticar aquilo que mais gosto foi fundamental para eu me encontrar. Foi algo libertador”, desabafa.

Artesanato: terapia e renda

Quando a ansiedade começou a ser muito forte na vida da estudante de Psicologia Letícia Karoline Bock Wilges, 22 anos, ela procurou fazer algo que aliviasse e descobriu, na costura, uma terapia. Quando o artesanato em feltro começou a fazer sucesso entre amigos, a guria decidiu tornar isso um microempreendimento: criou a Frida Feltros.

Letícia vê no artesanato mais do que uma opção de renda extra, uma terapia (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Sem cursos específicos na área, Letícia foi desenvolvendo a habilidade com a experiência. “Minha irmã fazia isso e eu precisei ajudar ela em uma encomenda, então peguei gosto”, conta a artesã, que confecciona chaveiros, marcadores de página e enfeites de porta, entre outros itens.

Como ela estuda e trabalha fora, fazer feltros acaba sendo uma atividade mais para o fim de semana. “É corrido, tenho que me organizar entre trabalho e faculdade, mas como eu gosto, dou um jeito.”

FINANCEIRO

Letícia afirma que ter essa renda extra ajuda muito financeiramente, e é um dinheiro que guarda para investir nela mesma. “O valor que entra do artesanato eu separo do meu salário. Uso este valor para investir em materiais e guardo também para usar em coisas que me fazem bem, como viagens”, comenta.

A jovem diz que, além da independência financeira, com a flexibilidade de horários, se forma um senso de responsabilidade e organização muito grande, pois uma pessoa só é chefe, contadora, secretária e operária – tudo ao mesmo tempo. “Também percebo o engajamento dos jovens empreendedores, pois o trabalho é um sonho e, para que ele prospere, há uma dedicação grande para fidelizar o cliente através do investimento em mídias e em um atendimento afetivo e personalizado.”

Dicas para quem quer empreender

Começar um negócio próprio é um grande desafio, principalmente durante a adolescência, quando, na maioria das vezes, ainda não se tem experiência em administração financeira. Por isso, é importante seguir algumas orientações para não errar na hora de empreender. De acordo com o economista e especialista em Educação Financeira da Fundação Sicredi, Everton Lopes, um dos primeiros passos é

Everton é economista e especialista em Educação Financeira da Fundação Sicredi (Foto: Divulgação)

identificar quais são as suas habilidades. “Buscar informação, fazer pesquisa de mercado, identificar o segmento de atuação (se tem habilidade para fazer ou vender algo) é fundamental para um futuro promissor. Por meio do Sebrae, os jovens podem buscar informações e aprender a fazer um plano de negócios”, orienta.

Ele considera que o mais importante de tudo é dividir o dinheiro pessoal do profissional. Os controles financeiros devem ser calculados separadamente. É preciso identificar o que é renda, pró-labore (remuneração dos sócios) e salário, e as contas pessoais – que também existem e serão pagas conforme o ganho da empresa.

Lopes lembra que esse controle financeiro pode ser feito manualmente ou por meio de plataformas digitais. O mais importante, é que essa prática seja um hábito. “O controle também precisa ser analisado, para saber se o negócio está dando lucros ou prejuízos”, indica.

Conforme o economista, as redes sociais podem ser uma ferramenta importante na divulgação do trabalho. “O marketing digital tem sido um dos grandes canais de venda, principalmente no momento em que estamos vivendo. O mercado está cada vez mais competitivo e as pessoas estão vendendo e comprando cada vez mais, por meio da internet”, afirma.

O canal no YouTube Me Poupe!, que está há quase 5 anos no ar e hoje tem mais de 5 milhões de inscritos, é uma boa opção para quem procura dicas financeiras. Os vídeos abordam questões sobre como ter uma renda extra, investimentos, como controlar gastos e contornar as dívidas. Com uma linguagem fácil e objetiva, o canal divulga ao menos dois vídeos por semana. As publicações também abordam questões como empreendedorismo, taxa de juros, passo a passo para juntar dinheiro e principais erros que levam às dívidas. Se você está focado em tocar um negócio ou mesmo em conseguir administrar sua grana, essa é uma boa opção para se aperfeiçoar.

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome