Myrian mora desde criança na Osvaldo Aranha (Foto: Juliana Bencke/Folha do Mate)

A professora aposentada Myrian Alles Heck, 78 anos, acompanhou as mudanças do Largo do Chimarrão das últimas sete décadas. Quando ela e os pais passaram a residir no prédio onde mora até hoje, na quadra entre a General Osório e a Travessa São Sebastião Mártir, ela tinha apenas 8 anos.

Na época, a rua era de chão batido e predominantemente residencial. “Os prédios eram todos ocupados por famílias. Os vizinhos se sentavam na frente de casa para conversar. Vez ou outra um carro passava”, lembra.

Assim como o paralelepípedo substituiu a estrada de chão, as residências foram abrindo espaço para o comércio. Farmácia, loja de ferragens e barbearia são alguns dos estabelecimentos que faziam parte da rua, muito antes do Calçadão. “Ao lado da nossa casa ficava o Banco Nacional. Volta e meia, mudava a família que morava no prédio, pois sempre a família do gerente residia no local”, conta.

Se, no início, as próprias famílias moradoras do local começaram a apostar no comércio, como uma forma de aproveitar os prédios, mais tarde, as salas foram sendo alugadas. “Hoje, praticamente não se tem mais vizinhança. Já não se tem mais vizinhos para conversar”, observa Myriam.

Outro hábito de outros tempos que a moradora já não pode fazer é observar, da sacada, os desfiles de Carnaval e procissões. “Antigamente, todos os desfiles cívico, de Carnaval e até mesmo procissões passavam por aqui. Agora, só as vitórias de um ou outro time que ainda dá para acompanhar”, diz ela, referindo-se às carreatas. Nos últimos anos, desfiles terminam na esquina com a Jacob Becker.

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