Depois de três meses, Paresp retorna às atividades com os cuidados e protocolos de prevenção (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)
Depois de três meses, Paresp retorna às atividades com os cuidados e protocolos de prevenção (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

A Organização Não-Governamental parceiros da Esperança (Paresp), localizada no bairro Morsch, retomou ontem as atividades com 30% das crianças e adolescentes que frequentam a ONG.

Em função da pandemia de coronavírus, a entidade estava sem atuação desde março, mas com aval do promotor Pedro Rui da Fontoura Porto e da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Social, a qual a Paresp é vinculada, as atividades foram retomadas. “Não somos escola, temos objetivos de proteção e promoção destas crianças e adolescentes”, ressalta a coordenadora da Paresp, professora, Sara da Rosa. Dos 106 matriculados, 30 recomeçaram com os atendimentos.

As crianças e adolescentes foram indicados a partir de trabalho feito pela psicóloga e assistente social da Paresp, diante da necessidade de medidas protetivas da família. “Havia crianças com problemas graves de saúde, de higiene, sem alimentação e, muitas, ficavam sozinhas em casa, em função de que os pais precisam trabalhar”, ressalta a coordenadora.

Da mesma forma, a coordenadora diz que a maioria estava sem fazer as atividades enviadas pela escola. “Muitos nem tinham as tarefas, fomos atrás e aqui estão recebendo as orientações para fazer e entregá-las nas suas respectivas escolas”, ressalta a professora.
Sara da Rosa comenta que, nos três meses em que a entidade ficou sem receber as crianças, o atendimento domiciliar, com averiguações das situações e distribuição de alimentos, produtos de higiene e outros, foi feito pela equipe da Paresp. “Não deixamos de visitar as famílias e, em função desta necessidade que percebemos, decidimos buscar autorização para voltar”.

Sara da Rosa destaca que Paresp não é escola e objetiva proteção e promoção de crianças e adolescentes (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)
Sara da Rosa destaca que Paresp não é escola e objetiva proteção e promoção de crianças e adolescentes (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Sara diz que nestes 90 dias foram observadas crianças sozinhas, nas ruas, com problemas graves de higiene que causaram doenças dermatológicas, e crianças com necessidade de cozinhar para poder ter o que comer. “Um dos nossos meninos veio para cá praticamente sem roupas neste frio. Hoje, já está vestido, vai levar comida, pão e frutas para casa”, comove-se Sara que é a fundadora da Paresp em Venâncio Aires.

As orientações e protocolos de prevenção à saúde estão sendo praticados com aferição de temperatura, uso de máscara, utilização de álcool em gel e, em especial, o distanciamento caracterizado nas salas, refeitório e ambientes de circulação, onde estão divididos por turmas.

Solidão

“Eu já estava com saudade e estou feliz em poder voltar, pois lá perto de casa não tenho amigos”. Amanda Gollmann, 12 anos, frequenta a Paresp há cinco anos. Moradora do bairro São Francisco Xavier, estava em casa desde março.

Ela conta que neste período sem aula e sem Paresp, fazia os temas da escola com celular emprestado da mãe. “Eu fazia as atividades, deixava a casa arrumada, mas me sentia muito sozinha, e com medo, porque não tenho amigos perto da minha casa”, disse a adolescente.

Ela complementa que, agora, pode ocupar os computadores da Paresp para realizar as atividades e enviar para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dois Irmãos, onde frequenta o 7º ano.

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