Aos 80 anos, Cecília é exemplo de superação (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

São nas páginas rabiscadas de cadernos antigos ou pequenos pedaços de papel que encontra nos diferentes cômodos da casa, que estão escritas as mais bonitas lições de vida. Frases de encorajamento, gratidão, amor e felicidade são criadas pela professora aposentada Cecília Ivone Schwengber, 80 anos. Ela relata que quando lembra algum assunto logo coloca no papel para que aquele pensamento não se perca. “Eu escrevo muito sobre coisas que eu aprendi, a vida ensina muito a gente”, declara.

Das anotações, Cecília quer produzir um caderno com tudo passado à limpo, contando a história da sua vida. A intenção é que a produção seja concluída em breve. “Quero fazer para deixar de recordação para a minha família”, diz.

Moradora do bairro Xangrilá, também faz parte da rotina cuidar das flores no pátio, ler e passear com os amigos. Além disso, aprecia de um bom jogo de canastra e bingo com as amigas.


“Nasci na roça e sempre fui uma pessoa simples. Não tenho luxo e nunca fui gananciosa. Mas sempre fui muito feliz.”

CECÍLIA SCHWENGBER – Professora aposentada


TRAJETÓRIA

Cecília nasceu no interior de Passo do Sobrado, na época pertencente à Rio Pardo. Aos 10 anos foi estudar no Colégio das Freiras, em Santa Cruz do Sul, e retornou para a terra natal aos 16. Foi quando começou a dar aulas na Escola Nossa Senhora dos Navegantes. Lecionava nas turmas de 1º a 5º ano e morava com a avó materna, por residir próximo ao trabalho em Rincão de Nossa Senhora.

Em 1960, casou com Erno José (já falecido), com quem teve Enoir, Enair e Fagner Luís. A família morava em Passo do Sobrado até 1971, quando veio para Venâncio Aires devido a oportunidades de trabalho do marido de Cecília, que era carpinteiro. Cecília, o marido e os filhos moraram de aluguel em diversas residências até adquirir a casa própria, no bairro Xangrilá, onde Cecília vive até hoje.

Concursada da Prefeitura de Rio Pardo, atuou em Passo do Sobrado até a aposentadoria, aos 42 anos. Inquieta e sempre com vontade de aprender e trabalhar, depois da aposentadoria foi recepcionista na Fumossul. Lá, cuidava do controle de entrada e saída de pessoal, onde ficou de 1992 a 2003, com uma curta parada em 1998 para auxiliar a filha e o neto recém-nascido.

Um eterno recomeço

Em 2003, um imprevisto fez com que Cecília tivesse que passar por cinco cirurgias, sendo uma delas a colocação de uma prótese no quadril. Numa ida ao mercado, ela foi atacada por um cachorro na calçada, o que fez com que invadisse a via onde passavam veículos e foi atropelada por um automóvel. Ela precisou ficar 45 dias internada em um hospital em Porto Alegre. “Foi um recomeço. Precisei aprender a caminhar de novo”, relata.

Neste ano, outros dois desafios precisaram ser superados. No início do ano, fez novamente uma cirurgia no quadril, para troca da prótese. Depois, descobriu um câncer, o que a levou a um procedimento para retirada da mama e fez sessões de radioterapia em Santa Cruz do Sul. “As pessoas perguntam como eu sou tão forte. Ficar triste e se perguntar o porquê das coisas acontecerem não adianta. Tenho fé que tudo melhora”, afirma.

Enquanto escreve as memórias e ensinamentos para deixar para a posteridade, Cecília aguarda o nascimento de mais uma bisneta. Levando o nome da bisavó, a filha da neta Caroline deve nascer no fim deste mês.

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