
Você já tentou montar uma hortinha na sacada, mas as plantas simplesmente não vingaram por causa da pouca luz? A boa notícia é que algumas ervas aromáticas se adaptam melhor do que outras e podem prosperar mesmo com sol limitado. E o melhor: além de fáceis de cuidar, elas trazem perfume, frescor e sabor para a cozinha do dia a dia, sem exigir grandes espaços ou técnicas avançadas.
Ervas aromáticas ideais para locais com pouco sol
A maioria das ervas precisa de, no mínimo, algumas horas de luz direta por dia. Mas existem exceções bem valiosas para quem mora em apartamentos com sacadas sombreadas. O erro comum é insistir nas mesmas espécies de sempre — como alecrim ou manjericão — que exigem muito sol e acabam murchando em poucos dias. Saber escolher as ervas certas muda tudo.
Cebolinha e salsinha: dupla infalível
A famosa combinação de cebolinha com salsinha, o cheiro-verde, vai bem até mesmo em ambientes com luz indireta. Essas duas resistem melhor à sombra parcial e são fáceis de manter. A salsinha prefere substrato úmido e não lida bem com sol direto nas horas mais quentes, o que pode ser até uma vantagem para sacadas voltadas ao sul.
A cebolinha, por outro lado, aprecia regas frequentes e rebrota rapidamente após a colheita. Ambas se adaptam bem a vasos e jardineiras, e ainda oferecem um visual verdinho que alegra o ambiente.
Hortelã: refrescância com pouco esforço
Poucas plantas têm tanto vigor quanto a hortelã. Ela cresce com rapidez, perfuma o ambiente e se desenvolve até mesmo em meia-sombra. Por isso, é uma das melhores apostas para quem tem pouco sol. Em vasos grandes, com drenagem adequada e solo sempre úmido, vira uma verdadeira moita — pronta para chás, sobremesas ou sucos detox.
No entanto, é importante cultivá-la sozinha, pois tende a sufocar outras espécies no mesmo vaso. Com alguns cuidados simples, ela pode durar meses sem perder o frescor.
Coentro: o polêmico que gosta de sombra
Amado por muitos e rejeitado por outros, o coentro tem um diferencial importante: tolera sombra melhor do que outras ervas. É comum em regiões mais quentes do Brasil e pode ser cultivado em vasos fundos, com substrato leve e regas regulares. Seu ciclo de vida é mais curto, mas compensa com crescimento rápido e sabor marcante.
Em cidades do interior, onde o coentro é figura constante na cozinha, tê-lo sempre à mão faz diferença — especialmente para quem curte um tempero mais nordestino ou pratos com peixe e frutos do mar.
Manjericão-anão: uma versão mais adaptável
Diferente do manjericão tradicional, o manjericão-anão ou “bush basil” é uma variedade que se adapta melhor a ambientes com menos sol. Ele tem folhas menores e crescimento mais compacto, ideal para vasos pequenos e locais sem incidência direta de luz por muitas horas.
Ele precisa de pelo menos 2 a 3 horas de sol por dia, mas pode sobreviver bem com iluminação indireta intensa. É uma opção para quem não abre mão do aroma do manjericão, mas vive em apartamentos com sacadas viradas para áreas internas.
Erva-cidreira: calmante que não exige muito
A erva-cidreira, também conhecida como melissa, tem fama de planta sensível, mas se comporta muito bem em vasos e meia-sombra. Suas folhas exalam um aroma cítrico agradável e podem ser colhidas para infusões relaxantes. Ela se adapta a locais com claridade difusa e precisa apenas de regas constantes e substrato fértil.
Perfeita para quem busca uma planta que contribua com bem-estar e ainda ajude a compor um cantinho de relaxamento no lar, como uma sacada com poltrona ou rede.
Orégano: sabor forte com pouca luz
Surpreendentemente, o orégano tolera mais sombra do que se imagina. Apesar de crescer melhor sob sol pleno, ele não morre em locais mais sombreados, desde que receba boa ventilação e substrato bem drenado. Pode ser cultivado em vasos pequenos e é ideal para quem gosta de temperar pizzas, molhos e carnes com sabor marcante direto da sacada.
Tomilho-limão: resistente e perfumado
O tomilho-limão é uma versão mais suave do tomilho comum e apresenta excelente tolerância a variações de luz. Ele cresce bem em vasos, precisa de menos regas e se adapta a locais parcialmente sombreados. Seu perfume cítrico é ótimo para uso culinário e também ajuda a espantar insetos, tornando-se um bom aliado para ambientes urbanos.
Como adaptar a sacada para uma horta funcional
Mesmo com espécies mais tolerantes à sombra, é importante observar o microclima da sacada. Algumas dicas simples fazem diferença:
- Posicione os vasos próximos à fonte de luz, como janelas de vidro ou treliças com boa entrada solar.
- Use vasos com boa drenagem e substrato leve, para evitar acúmulo de umidade nas raízes.
- Gire os vasos de tempos em tempos para estimular crescimento por igual.
- Sempre observe o aspecto das folhas: coloração opaca ou murcha pode indicar excesso de água ou falta de luz.
Quem mora em cidades menores, com apartamentos mais ventilados, pode inclusive criar estruturas verticais para otimizar o espaço, usando prateleiras de madeira, pallets ou suportes de parede.
Uma sacada cheia de aromas e memórias
Montar uma horta com ervas aromáticas que resistem ao sol limitado não é só uma questão de praticidade, mas também de conexão com o lar. Ter à mão folhas frescas, cuidar das plantas no dia a dia e ver o verde tomando forma em pequenos vasos é uma experiência que muda o ritmo da casa.
Na correria das cidades, principalmente no interior, onde a tradição de plantar e colher ainda vive forte, cultivar temperos na sacada é um gesto de reconexão. E com as espécies certas, até a falta de sol se transforma em aliada.