Esse erro comum mata uma zamioculca mais rápido do que a falta de água

Pode parecer exagero, mas a zamioculca morre muito mais por excesso de cuidado do que por abandono. Em muitos lares, especialmente nos interiores do Brasil, essa planta virou sinônimo de praticidade: aguenta ambientes fechados, resiste à seca e se mantém verde o ano todo. Mas basta um deslize aparentemente inocente — como um detalhe no vaso — para que suas raízes entrem em colapso em silêncio.

O maior vilão da zamioculca não é a escassez de água, mas a falta de drenagem adequada no vaso. Muita gente acredita que um pratinho embaixo ou um cachepô decorativo já dá conta do recado. Só que o que acontece ali embaixo, longe dos olhos, é um acúmulo lento e constante de umidade nas raízes. Quando não há furos suficientes ou não se coloca uma camada de drenagem no fundo, a planta entra em estado de alerta: suas raízes começam a apodrecer sem dar sinais evidentes no início.

Por que a podridão avança tão rápido na zamioculca?

A zamioculca é uma planta de rizoma — ou seja, armazena água em estruturas subterrâneas. Isso significa que ela precisa de intervalos secos entre as regas para manter seu equilíbrio interno. Quando o solo permanece constantemente encharcado, mesmo que na superfície pareça seco, as raízes não conseguem respirar. A falta de oxigenação cria o ambiente ideal para fungos e bactérias se multiplicarem rapidamente, comprometendo o sistema radicular por inteiro. Quando os primeiros sinais aparecem — folhas amarelando, haste mole — muitas vezes já é tarde demais.

Um erro típico de quem vive em apartamento

É muito comum ver moradores de cidades como Jundiaí, Maringá ou Uberaba escolhendo a zamioculca como “planta coringa” para o apê. Ela vai bem no canto da sala, na cozinha, até no banheiro. Mas aí mora o perigo: em ambientes pouco ventilados e com luz indireta fraca, a evaporação da água do solo é ainda mais lenta. E como a zamioculca não “pede água” com folhas murchas, o cuidador médio acredita que deve manter o solo úmido o tempo todo. Um erro silencioso, que vai matando a planta por dentro.

Evite esses hábitos que prejudicam sua zamioculca

Colocar sua zamioculca diretamente em cachepôs sem furos ou mantê-la com pratinho cheio d’água são práticas comuns, mas perigosas. Outro hábito arriscado é regar por rotina — tipo toda terça e sexta — sem avaliar se o substrato realmente secou. Essa planta, por mais resistente que seja, precisa de pausas. Outro ponto que poucos observam: misturas de solo muito ricas em matéria orgânica tendem a reter umidade em excesso. O ideal é usar um substrato bem aerado, com perlita ou areia grossa, e garantir que a água escoe completamente após a rega.

Este é canto da casa onde a zamioculca engorda os caules e não amarela
Imagem – G4 Marketing

Como identificar o problema a tempo

Se a sua zamioculca começou a amarelar de baixo para cima ou apresentar folhas moles e brilhantes demais, acenda o alerta. Esses sinais indicam que o rizoma está com excesso de água e pode já estar comprometido. Outra dica é sentir o cheiro do substrato — se estiver com odor de mofo ou levemente ácido, há chance de apodrecimento. Nesses casos, o ideal é retirar a planta do vaso, cortar as partes escuras e moles com uma tesoura esterilizada, deixar o rizoma secar por 24h e replantar em substrato seco e bem drenado. Não regue nos primeiros dias após o replantio.

A escolha do vaso faz toda a diferença

A estética costuma vencer a funcionalidade em muitos lares. Mas no caso da zamioculca, vale inverter essa lógica. Prefira vasos de barro, que são porosos e permitem melhor respiração do solo. Evite recipientes sem furos ou com reservatórios de água embutidos. Se quiser usar cachepô por motivos decorativos, garanta que o vaso interno tenha boa drenagem e que o fundo não fique em contato direto com a água. Um simples suporte interno ou camada de pedrisco já pode evitar umidade constante na base.

A culpa nem sempre é sua — mas o reparo depende de você

Muita gente compra a zamioculca já plantada em arranjos de loja ou vasos sofisticados, sem saber como está a estrutura por dentro. É comum encontrar raízes espremidas, substrato de má qualidade ou falta de furos no vaso original. Mesmo com os melhores cuidados, isso vira uma armadilha invisível. Por isso, a primeira atitude ao trazer a planta para casa deveria ser replantá-la num vaso adequado — algo que poucos fazem. Tratar bem a planta é mais do que regar: é entender o que acontece abaixo da superfície.

O que essa planta nos ensina sobre exagero

Curiosamente, a zamioculca nos dá uma lição importante sobre limites. Ela é resistente, elegante, discreta — mas pede espaço e tempo. Excesso de zelo, nesse caso, faz mais mal do que abandono. Em tempos em que tudo pede imediatismo e resposta rápida, essa planta nos convida a esperar, observar e agir com mais intenção. E talvez esse seja o verdadeiro motivo pelo qual ela se adapta tão bem às casas brasileiras: porque ela exige o que muitos de nós esquecemos de cultivar — paciência.