
A cultura do milho apresenta um cenário bastante positivo na safra atual. Em comparação com anos anteriores, produtores rurais dedicaram mais área, consolidando o grão como uma das principais fontes de renda na agricultura de Venâncio Aires.
O escritório da Emater-RS/Ascar acompanha o movimento e, conforme engenheiro agrônomo e chefe do serviço na Capital do Chimarrão, Vicente Fin, a projeção é que a área total fique entre 10 mil e 10,4 mil hectares, entre o que já foi plantado e o que ainda será semeado. Até o momento, cerca de 7 mil hectares foram destinados ao cultivo, entre a safra principal e a safrinha. Do total previsto, a safra de verão ocupa a maior fatia, abrangendo entre 5 mil e 5,5 mil hectares.
O aumento da área busca atender a demanda e trazer rentabilidade aos produtores comerciais. A expectativa é de uma safra bastante positiva, especialmente comparando com o histórico recente na produção. Nos últimos cinco anos, castigada por períodos de seca, a média de produtividade da região ficou abaixo do potencial, registrando cerca de 53 sacas por hectare.
Para o ciclo atual, a estimativa média é de 6,8 mil quilos por hectare, aproximadamente 113 sacas. Mas, conforme Fin, as lavouras apresente grande variabilidade, desde 80 a 90 sacas até 180 sacas por hectare. “Mas a tendência é de uma média interessante, mesmo com as perdas que registradas”, considera.
Subsistência
O trabalho com o milho nas lavouras, normalmente, ocorre concomitante com a finalização da colheita do tabaco. Com a previsão de chuvas regulares para o período de estabelecimento das plantas, afirma o engenheiro agrônomo Vicente Fin, os produtores que realizam o plantio logo após a colheita do tabaco encontram condições ideais para o desenvolvimento de uma safra boa.
Dados
O chefe da Emater de Venâncio Aires detalha que, embora o milho verde tecnicamente pertença ao setor da olericultura, ele é classificado como milho grão. “Muitas vezes o produtor destina 10 ou 15 hectares para a venda de espigas na Ceasa, mas, na emissão das notas fiscais, o registro costuma ser unificado como milho. Por isso, mantemos tudo no mesmo levantamento”, explica Vicente Fin.
Segundo ele, entre 315 e 320 famílias de Venâncio Aires produzem milho, seja grão ou verde, com finalidade exclusivamente comercial.
Tecnologia impulsiona a produção de milho da família Bencke
Aos 58 anos, o produtor Ivo Clécio Bencke, morador de Linha Isabel, explica que dedicou 267 hectares para a produção de milho. São áreas de terra arrendadas que possibilitam, que dão expectativa de resultados positivos nesta safra. No atual ciclo, o clima foi o principal desafio. Embora não tenha faltado água, o sol forte e as altas temperaturas chegaram a ‘cozinhar’, segundo ele, algumas espigas.
Trabalhando desde os 11 anos com a produção de milho, quando ajudava os pais, Ivo realizou uma série de investimentos para possibilitar melhores resultados. O preparo do solo ocorreu com análise por mapeamento e correção via agricultura de precisão. No plantio, a distribuição das sementes foi ajustada conforme o potencial de cada área de terra. Além disso, a colheita e a secagem dos grãos são feitas com maquinário próprio antes da venda do grão.

Feijão também apresenta safra otimista
Ao contrário do milho, o feijão tem redução na área destinada para o plantio no atual ciclo. Segundo a Emater, o movimento vem acontecendo, pelo menos, nos últimos dois anos. Anteriormente, o plantio ocupava aproximadamente 250 hectares na safra principal e outros 50 na safrinha. Agora, o espaço consolidado recuou para 200 hectares.
Apesar disso, os valores da produtividade são positivos. Enquanto a média nos últimos cinco anos foi de 1.950 quilos por hectare, a expectativa para a safra atual é mais otimista, com rendimento próximo a 2,1 mil quilos por hectare. Para a próxima safrinha, a estimativa é que o plantio se mantenha em 50 hectares.
Segundo Vicente Fin, a safra otimista ocorre em função do perfil da produção local. “Muitos produtores alcançam entre 35 e 40 sacos por hectare porque plantam em áreas menores e selecionadas. O manejo é cuidadoso, feito no momento certo, e a colheita é manual, o que evita perdas e garante o aproveitamento total”, explica o chefe da Emater.
O feijão preto lidera a produção, representando mais de 90% em Venâncio Aires. Os 10% restantes ficam divididos entre as variedades carioca, amendoim, jalo, cavalo e sementes crioulas antigas.
A grande maioria das famílias de Venâncio que cultivam o feijão destinam o grão para consumo próprio, sendo somente entre 15 a 20 que se voltam para a produção comercial.