
Depois de quatro processos licitatórios frustrados — por falta de interessados ou por problemas de documentação dos vencedores — teve início, na última segunda-feira, 24, a reforma do atualmente chamado Casarão da Cultura de Venâncio Aires. O prédio localizado na esquina das ruas Osvaldo Aranha e Reynaldo Schmaedecke, que já teve várias funções, estava inabitável há alguns anos, mas a situação de abandono parece estar com os dias contados. A expectativa é de que o espaço volte a ganhar vida após a conclusão das obras.
A secretária de Planejamento e Urbanismo, Deizimara Souza, explica que, neste momento, a prioridade é dar andamento e concluir a reforma estrutural, garantindo que o prédio esteja totalmente seguro e adequado para uso. A partir disso, menciona, o Casarão será preparado para abrigar atividades culturais permanentes e eventuais, com possibilidade de receber exposições, oficinas, rodas de conversa, apresentações e ações de formação cultural.
“A proposta é que o espaço funcione como um ponto de encontro da comunidade, oferecendo atividades contínuas e também servindo como suporte para projetos de cultura. A programação detalhada será definida na etapa final da obra, levando em conta demandas dos artistas locais, grupos culturais, e da comunidade em geral”, explica.
CONSELHO DE CULTURA
Na mesma linha, o atual presidente do Conselho de Cultura de Venâncio Aires — e também secretário municipal de Cultura e Esportes —, Sandro Kroth afirma que o Casarão será fundamental para atender projetos sociais, atividades da comunidade cultural e encontros do Conselho Municipal de Cultura, que atualmente não dispõe de um local próprio.
Ele explica que estava particularmente apreensivo porque a obra já havia sido tentada de várias formas, sem sucesso. Agora, com os recursos garantidos e uma empresa habilitada para a execução, o cenário finalmente avançou. “O que posso garantir é que essa obra é de fundamental importância para reerguer ainda mais o setor cultural do nosso município”, observa.
Por que o nome Casarão de Cultura?
• Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Venâncio Aires, o termo Casarão de Cultura vem sendo utilizado porque traduz a proposta de revitalização do espaço. “O prédio, por sua relevância histórica e simbólica, sempre esteve associado à memória e à identidade de Venâncio Aires, e a ideia é justamente reforçar isso. A denominação pretende consolidar o local como um local cultural de referência, conectando a preservação do patrimônio com um uso contemporâneo e comunitário. Além disso, manter um nome simples e facilmente identificável auxilia na comunicação, no reconhecimento público e no fortalecimento da marca cultural do município”, explicou.
Como será a obra?
• A reforma do Casarão da Cultura está sob responsabilidade da Construsil Construtora Ltda, empresa vencedora do processo e responsável pela execução do projeto. Os trabalhos começaram pela área externa, com a instalação do tapume de proteção na calçada, visando garantir segurança e organização no início da obra.
• A revitalização inclui recuperação estrutural, revisão das redes elétrica e hidráulica, nova pintura, substituição de pisos e esquadrias, além da restauração de elementos originais da fachada. O projeto também prevê salas de atividades e um auditório.
• Como resume o engenheiro civil responsável pela obra junto à Construsil, Danilo Metzdorf, a área interna será remodelada e ganhará um aspecto novo. “Já a parte externa vai ser mantida exatamente como está hoje, com todos seus detalhes sendo mantidos”, diz.
• Segundo informado pela assessoria de imprensa da Prefeitura, o investimento é de R$ 505.169,87, financiado pelo programa Finisa, da Caixa Econômica Federal, e o prazo de conclusão é de 240 dias.
Construído em 1917, prédio foi casa de Emílio Selbach e teve diferentes funções

Atualmente inabitável, o futuro Casarão de Cultura data de 1917, conforme informado pela assessoria de imprensa da Prefeitura. Trata-se, portanto, de um imóvel centenário que, ao longo do tempo, teve diferentes funcionalidades. Segundo o site Venâncio na História, produto da Folha do Mate, a casa foi moradia de Emílio Selbach — cujas iniciais ‘E’ e ‘S’ ainda podem ser vistas sobrepostas na fachada. Nascido em 1866, em São Sebastião do Caí, filho de Elisabeth Prinz e do alemão Philipp Jacob Selbach, ele integrou uma das famílias de destaque de Venâncio Aires no período.
Ainda de acordo com o site, o prédio já abrigou a Secretaria Municipal de Cultura e Esporte, uma cadeia e um Posto de Higiene Central (antiga denominação dos postos de saúde). Além disso, conforme a assessoria de imprensa da Prefeitura, o espaço também já serviu de sede para a Associação dos Amigos do Centro Municipal de Cultura de Venâncio Aires (AACemuc).
SOBRE EMÍLIO SELBACH
Conforme o Venâncio na História, Selbach foi reconhecido por sua habilidade nos negócios, alcançando êxito em diferentes empreendimentos e tornando-se um importante comerciante da região. Participou ativamente da comunidade, auxiliando na administração do Hospital São Sebastião Mártir em seus primeiros anos. Por volta de 1925, instalou uma fábrica de banha na esquina das ruas Tiradentes e 7 de Setembro — local onde hoje funciona a Rio Grande Energia (RGE). A qualidade do produto, refrigerado e empacotado, garantiu vendas dentro e fora do município, chegando a outras cidades do estado e do país.
Ele também manteve um comércio de secos e molhados e de tecidos finos na rua Osvaldo Aranha. Emílio Selbach casou-se com Bertha Machry, com quem teve três filhos: Arthur, Osvaldo e Virgulino. Arthur casou-se com Erônita ‘Nenê’ Campos, integrante da família Mariante Campos, de grande relevância no município.
De acordo com o site, Emílio Selbach faleceu em 1952 e está sepultado no cemitério municipal. Sua sepultura se destaca pelo monumento em bronze que remete à ‘Pietà’, obra clássica de Michelangelo.