Ciclismo é parte do esporte (Foto: Arquivo pessoal)
Ciclismo é parte do esporte (Foto: Arquivo pessoal)

A idade é apenas um número. O jargão é tão popular que se tornou até cansativo. Mas, quando você tem 59 anos e, literalmente, já é avô, disputar uma competição que envolve quase dois quilômetros de natação, 91 quilômetros de bicicleta e 21 quilômetros de corrida não parece ser a missão mais tranquila do mundo. Para o venâncio-airense José Felippe Henn, a tarefa é pesada, mas a disciplina e a organização falam mais alto. E ele disputará o Ironman neste ano.

Desde criança, Felippe tem o esporte como parte da rotina. Futebol, academia, natação, mountain bike, corrida. Diversas foram as modalidades que já praticou. No entanto, há cerca de 15 anos, o investidor passou a ter maior dedicação ao mountain bike no grupo Pedal Trilheiro. “Gosto muito de me desafiar”, afirma.

Mas não era o bastante. Ele queria mais. Em 2020, com a sugestão de um amigo, passou a praticar o triatlo, esporte que consiste em três modalidades em sequência: natação, bicicleta e corrida. “Decidi que seria o meu esporte e mudei toda a minha rotina de treinos. Os primeiros seis meses foram terríveis, até o corpo se adaptar”, relembra.

Logo passou a competir no Campeonato Gaúcho da categoria. Em 2024, conquistou o primeiro lugar na categoria 55/59 anos, com tempos superiores aos de categorias mais baixas — divididas a cada cinco anos. “Tinha tempo do pessoal de 40 anos”, acrescenta. Após a vitória, também decidiu dar um passo à frente e começou os treinos com Rodrigo Oliveira, especialista na categoria, além do suporte de fisioterapeuta e nutricionista.

Em novembro do ano passado, ficou em quinto lugar no Challenger, disputado em Florianópolis, em Santa Catarina. A prova é formada por 1,9 quilômetro de natação, 91 quilômetros de bicicleta e 21,6 quilômetros de corrida. “Me dediquei muito. Queria terminar em seis horas e fiz em cinco horas e 40 minutos. Entrei no top 5, conquistei um pódio e classificação para o Mundial na Eslovênia”, comemora.

Contudo, ele não pretende disputar a competição pelos custos financeiros. Após a prova, conta que ficou três dias sem caminhar, pelo desgaste físico. A média dos batimentos cardíacos durante a prova foi de 166 por minuto, chegando a picos de 193 — em quase seis horas de duração.

“Me sinto com 25 anos. Sou extremamente focado; disciplina e organização são essenciais.”

José Felippe Henn
Atleta

Dedicação

Felippe treina de segunda a sexta-feira duas vezes por dia e, aos finais de semana, realiza corridas de sprints longos. Para isso, também precisa de cuidados com alimentação e sono. “Tira um pouco do tempo da família, elas me cobram, mas entendem”, brinca, referindo-se à esposa Raquel, às filhas Gabriely e Isadora, e à neta Alice, que precisaram se acostumar com a rotina de atleta do patriarca.

Felippe tem 1,80 metro e 69 quilos, com índice de gordura corporal muito baixo, e treina entre 13 e 16 horas por semana. “É um legado para a gurizada, um incentivo para todos”, considera.

Ironman

Em outubro deste ano, pretende disputar o Ironman 70.3, competição de triatlo também conhecida como meio Ironman, que tem as mesmas distâncias do Challenger já completado. A prova ocorre em Florianópolis. Neste caso, se entrar no pódio e garantir vaga no Mundial da categoria no Havaí, nos Estados Unidos, quer competir. “Focado, quero ir para o Mundial. Não sei quando vou decidir parar. Este ano mudo de categoria, para os 60 anos”, brinca.

Leonardo Pereira

Repórter

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