
Aos 30 anos, a árbitra-assistente venâncio-airense Tais Regina Ruver realizou um sonho. Ela estreou, na última quarta-feira, 14, como bandeirinha em partida do Campeonato Gaúcho de futebol. O confronto foi entre Inter, de Santa Maria, e São Luiz de Ijuí, no Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria. “Estava muito ansiosa e com frio na barriga, mas também concentrada dentro de campo, para que nada passasse despercebido. Foi uma sensação espetacular”, conta.
Ao lado dela, a equipe de arbitragem foi composta pelo árbitro Jonathan Benkenstein Pinheiro, o assistente Tiago Augusto Kappes Diel, o VAR Rodrigo Brand da Silva e o quarto árbitro, também venâncio-airense, Edimilson Fernando dos Santos da Luz. “A equipe foi sensacional comigo, desde a viagem até o estádio, sempre dialogando e me explicando como proceder em cada lance”, relembra.

Trajetória
Tais diz que o interesse no esporte vem desde os 5 anos, quando acompanhava o pai Sérgio nos jogos de Veteranos e sonhava em ser jogadora profissional. Em 2015, através do árbitro, também venâncio-airense, Daniel Soder, se inscreveu no curso de arbitragem pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF).
Naquele mesmo ano, passou a trabalhar em jogos do campeonato regional da Associação de Ligas do Vale do Taquari (Aslivata). Em 2016, realizou o primeiro jogo pela FGF no Gauchão Sub-15 entre Igrejinha x Ivoti, e, assim, passou a ser escalada em demais categorias, como Gauchão Sub-13, Sub-17 e Sub-20; Gauchão Feminino, Gauchão Feminino Sub-15, Sub-17 e Sub-20; Gauchão Série A2 e Série B; e a Copa FGF.
“Tenho várias pessoas que estão sempre prontas para me dar suporte e são grandes incentivadoras. Meu pai foi árbitro assistente em campeonatos amadores, o tio Vianei Hammes tem ligação com o esporte há anos, o namorado Luiz também é árbitro, mãe Liane, irmã Tainara, não medem esforços para me ver feliz fazendo o que gosto. Agradeço a todos”, comemora.
Preparação
A pré-temporada para o Gauchão foi na semana passada, entre os dias 7 e 10 de janeiro, no Serviço Social do Comércio (Sesc), em Porto Alegre. Houve treinamentos com lances de jogo com e sem a ferramenta VAR; treinamentos de campo, como posicionamentos de árbitra assistente com a bandeira; e assuntos relacionados às regras de jogo.
No entanto, ela relata que vem se preparando para o índice masculino há dois anos. Passou por testes físicos e teóricos todos os anos; no teórico, foram 20 questões e precisa de aprovação 7 (FGF) e 7,5 (CBF). O físico foi dividido em três etapas; na primeira, é uma corrida de 10 metros de frente e volta lateral de oito metros, oito metros novamente e volta 10 metros de frente, a segunda são cinco sprints de 30 metros, e a terceira são 40 tiros de 75 metros. Todos têm tempo limite de tempo para ser concluído.
“A expectativa é continuar dedicada nos treinamentos físicos, técnicos e teóricos, para ter a oportunidade de trabalhar cada vez mais nos campeonatos ministrados pela FGF e, com certeza, mais ainda nesse nosso maior campeonato do Rio Grande do Sul. E quem sabe ter mais uma estreia neste ano, que poderá ser pela CBF”, completa.