Voluntários servem a galinhada para a comunidade (Fotos: Júnior Posselt/Folha do Mate)
Voluntários servem a galinhada para a comunidade (Fotos: Júnior Posselt/Folha do Mate)

As grandes filas que se formaram em todos os dias da festa não deixam nenhuma dúvida: a comunidade prestigia a galinhada do Bastião. Assim como no pastel, são voluntários em diversas pontas que se dedicam para entregar o melhor sabor. Mas, para isso, existe um intenso trabalho nos bastidores. Um dos coordenadores gerais da festa, Rogério Henckes, destaca que, antes do fogo ser aceso, dezenas de voluntários se dedicam a separar os ingredientes. “Tem equipes ficadas apenas em picar cebola e tomate, enquanto outras cuidam do tempero verde e das carnes”, comenta.

Para atender ao maior número de pessoas possível, a produção é em larga escala, com até 10 panelões com fogo a lenha funcionando simultaneamente. “Nossos voluntários são o alicerce da festa. É gente trabalhando, brincando e suando com muito amor para ajudar a paróquia. Sem esse esforço coletivo, seria impossível realizar a galinhada”, destaca

Rogério é voluntário há mais de 20 anos

Quais os segredos

Sobre os segredos que tornam o sabor da galinhada especial e reconhecida pela comunidade, Rogério explica que é uma combinação de vários fatores. Primeiro, é preciso paciência. Depois, acontece a fritura da carne, seguida pela adição gradual dos temperos e do sal. O arroz entra na sequência, e o toque final ocorre poucos minutos antes de servir. “O segredo é não colocar tudo de uma vez. Cada panelão tem um responsável que não para de mexer, para não grudar. O ‘tchan’ especial vem do tempero verde, que colocamos por cima cerca de cinco a dez minutos antes de servir, misturando bem para cozinhar no tempo certo”, revela.

Para garantir que todos sejam atendidos ou para que não haja desperdício expressivo da galinhada, segundo Rogério, cada panelão rende, em média, 75 pratos para quem opta por levar a refeição para casa. Quando o consumo é feito no refeitório pavilhão, o rendimento costuma ser um pouco maior. “No geral, uma servida já satisfaz bem o visitante”, explica Rogério.

Caminhada

Envolvido diretamente com a Paróquia São Sebastião Mártir desde 2005, quando foi festeiro, Rogério Henckes já passou por quase todos os setores, desde a coleta no interior à coordenação geral. Após um breve intervalo de quatro anos para “refrescar a memória”, segundo ele, retornou como membro do conselho e segue na linha de frente.

Nas muitas andanças, além dos segredos da galinhada do Bastião, Rogério sempre manteve em sigilo outras informações que despontavam curiosidade: o nome dos novos festeiros. Junto do Conselho Paroquial Administrativo, ele sabe com antecedência quem serão os responsáveis pela próxima edição. Além de visitar e participar do convite, há muitos anos o próprio Rogério é quem dirige o caminhão com músicos, atuais festeiros e dirigentes para a busca dos novos festeiros. Como já presidiu o Conselho Paroquial, acompanha o trabalho. “Já estou buscando os novos festeiros há mais de 10 anos. No início, eu tinha um caminhão, mas há uns dois anos eu vendi, e hoje pegamos um emprestado”, explica.

Rogério conta que muitas pessoas tentam ‘pescar’ os nomes dos novos, que são mantidos sob sigilo total. “As pessoas vão perguntando, mas a gente tira de letra. Fazem apostas. Mas isso que é o legal da festa”, comenta. Sobre a escolha, afirma que nunca teve problemas. “Sempre fomos muito felizes no convite. Nunca tivemos problemas, vamos com antecedência e é bem tranquilo”, finaliza.

Júnior Posselt

Repórter

Acompanha assuntos voltados ao interior e à educação.

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