
Venâncio Aires - Está em vigor um alerta vermelho para uma onda de calor que atingirá o Rio Grande do Sul ao longo desta semana, até o sábado, 7. O aviso, que indica risco à saúde da população, foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e tem grau máximo de severidade. Entre os municípios que serão afetados pelo calor extremo, segundo lista do Inmet, está Venâncio Aires. A Defesa Civil do Estado também reforçou o alerta nas redes sociais. Além disso, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30% em áreas da metade Oeste do Estado, o que potencializa os riscos à saúde.
Conforme a meteorologista do Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Univates, Maria Angélica Cardoso, esta quinta-feira, 5, e a sexta-feira,6, devem concentrar os dias mais quentes do período. Ela concedeu entrevista para o programa Folha 105- 1ª Edição na Rádio Terra FM na terça-feira, 3, e explicou que a onda de calor é caracterizada por um período prolongado de temperaturas elevadas, superando em pelo menos 5°C a média normal da região.
Maria Angélica também compartilha que a onda de calor também impede a passagem de frentes frias. “O Inmet considera no mínimo três dias consecutivos, enquanto a Organização Meteorológica Mundial trabalha com cinco dias. Essa onda de calor é provocada por uma massa de ar quente e seca, que gera um bloqueio atmosférico”, destaca.
IMPACTO NOS CENTROS URBANOS
Segundo a meteorologista, esse cenário resulta em calor extremo, baixa umidade do ar e maior impacto nos centros urbanos, onde o concreto e o asfalto intensificam as chamadas ilhas de calor, fazendo com que as temperaturas máximas se prolonguem ao longo do dia. Em alguns municípios gaúchos, os termômetros podem alcançar 40°C, especialmente na sexta-feira. “Esse tipo de situação representa riscos significativos à saúde, por isso o alerta vermelho”, reforça.
“Para fugir do calor, pessoas procuram pelos condicionadores de ar para se refrescarem”
Além da exposição direta ao calor, o uso intenso do ar-condicionado também exige atenção. O médico pneumologista André Puglia explica que, durante períodos de calor extremo, o equipamento se torna praticamente inevitável, tanto em veículos quanto em residências. No entanto, o ar frio pode causar irritação nas mucosas do nariz, garganta, traqueia e brônquios, que não estão adaptadas a mudanças bruscas de temperatura.
Apesar disso, André Puglia ressalta que não é viável evitar o uso do ar-condicionado em situações de calor intenso. A recomendação é não direcionar o ar diretamente para o rosto e manter temperaturas moderadas, entre 23°C e 25°C. “Mesmo que alguns sintomas apareçam, eles podem ser controlados com medicação adequada. Para fugir do calor, pessoas procuram pelos condicionadores de ar para se refrescarem”, orienta.
“É mais seguro usar o ar-condicionado do que se expor ao calor excessivo durante a onda de calor que está por vir no Rio Grande do Sul. Porém, é necessário manter temperaturas moderadas.”
ANDRÉ PUGLIA
Pneumologista

Trabalho ao ar livre, cuidados com a saúde redobrados
Para quem trabalha ao ar livre, os impactos são ainda mais severos. Em uma obra no bairro Aviação, em Venâncio Aires, o mestre de obras Daniel Soares, de 41 anos, relata os desafios enfrentados na construção civil durante os períodos de calor intenso. Atuando há 15 anos na área, ele afirma que a rotina exige cuidados redobrados.“Hidratação constante, uso de chapéu e protetor solar são fundamentais”, destaca.
Segundo Daniel, os horários mais críticos vão das 10h ao meio-dia, com sensação térmica ainda mais elevada a partir das 14h. Mesmo com o calor extremo, o trabalho não é interrompido. “A gente faz pausas à sombra, toma bastante água e tenta refrescar o corpo, mas o serviço precisa continuar”, relata.

Falta de chuva reflete na plantação de milho e pastagensreflete na plantação de milho e pastagens
Além do calor atingir a área urbana de Venâncio Aires, com sensação de abafamento, o interior do município também registra impactos nas lavouras. Conforme o chefe do escritório local da Emater/RS-Ascar, Vicente Fin, a cultura mais afetada até o momento é o milho, mas ainda não há perdas irreversíveis. Já as pastagens também necessitam de chuva o quanto antes, e a demora nas precipitações, aliada às temperaturas elevadas, começa a trazer prejuízos.
