Ravi, Gladis, Davi e Camili se reencontraram nessa sexta-feira (Foto: Alvaro Pegoraro)
Ravi, Gladis, Davi e Camili se reencontraram nessa sexta-feira (Foto: Alvaro Pegoraro)

Venâncio Aires - Gladis Anhaya, 42 anos, é uma mãe cuidadosa. “O engasgo sempre foi um medo meu. Pode perguntar para os meninos, enquanto são pequenos eu sempre corto os pedaços de carne bem pequenos e, quando pedem bala, quebro em pedaços menores”, conta a dona de casa, moradora de Vila Palanque, interior de Venâncio Aires. Porém, como ensina aquele ditado, com crianças todo cuidado é pouco. E foi numa dessas pequenas brechas de desatenção que o dia a dia provoca que começou uma cena que mais parecia um pesadelo.

“Era umas 14h, na última terça-feira [13]. Estávamos na sala de espera de uma empresa, aguardando meu horário. Os meus filhos Ravi [Luis de Azeredo, 2 anos] e Davi [Luis de Azeredo, 11 anos] estavam comigo e pediram para pegar uma bala. Como eu sempre faço, peguei para o Ravi e quebrei em pedacinhos para ele, mas, quando eu vi, ele já tinha tomado uma inteira da mão do mano e colocou na boca”, lembra.

A partir desse momento, o menino engasgou, começou a tossir e foi em direção à mãe para pedir ajuda: “Eu logo vi que tinha se engasgado. Então comecei a bater nas costas, não adiantou. Cheguei a tentar enfiar os dedos na garganta para tentar tirar a bala, mas não consegui. Nesse momento, ele já estava um pouco mole”.

Socorro da heroína improvável

Foi então que surgiu uma heroína improvável. Como descreve Gladis, após não ter sucesso na intervenção, a mulher já estava pensando em pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros Militar. Rapidamente, a esteticista Camili Almeida da Rosa, 21 anos, apareceu para virar o menino de cabeça para baixo e fazer a manobra, com tapas firmes nas costas. Logo deu resultado e Ravi voltou a respirar, embora ainda muito assustado.

Camili, que também é mãe, está sempre atenta a primeiros socorros (Foto: Alvaro Pegoraro)

A profissional rememora que estava atendendo um cliente quando viu a situação. Segundo conta, ela nunca fez curso para desengasgo. “Mas tenho um filho de 3 anos, e com filho devemos estar preparadas para qualquer acontecimento, então sempre vi vídeos na internet para caso acontecesse”, explica.

“Um anjo”

Gladis adiciona que chamou a atenção a atitude da mulher, até então desconhecida: “Ela foi a única que conseguiu reagir ao que estava acontecendo. Todos os outros ficaram paralisados, acho que em choque. E, depois de salvar o meu filho, ela foi correndo para o banheiro chorar”.

Para a mãe, o sentimento que ficou foi de gratidão. “Quando ela voltou, nós nos abraçamos e eu comecei a chorar. Eu olhei para ela e disse ‘Tu é um anjo’. Quando acontecem essas coisas, esperamos ajuda sempre de um bombeiro ou algo assim, mas por ter sido ela, que só estava ali, eu considero 10 vezes mais heroína.”

Juan Grings

Repórter

Atento aos principais fatos que impactam a comunidade, também é produtor de programas jornalísticos da Rádio Terra FM.

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