Ao longo dos dias da festa, comunidade pediu bênçãos ao padroeiro de Venâncio (Foto: Júnior Posselt/Folha do Mate)
Ao longo dos dias da festa, comunidade pediu bênçãos ao padroeiro de Venâncio (Foto: Júnior Posselt/Folha do Mate)

Venâncio Aires - A 150ª Festa de São Sebastião Mártir de Venâncio Aires chega ao quinto e último dia de programações nesta terça-feira, 20. Feriado municipal, a data é uma das mais especiais na Capital do Chimarrão e promete reunir milhares de fiéis do santo padroeiro. Além da diversificada grade de atrações, a missa campal, realizada no gramado ao lado da Igreja Matriz, e a tradicional procissão pelas ruas da cidade engajam, historicamente, um grande público, que busca bênçãos para o ano, paga promessas ou agradece pela vida.

Conforme o pároco Roque Hammes, a missa será presidida pelo bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, Dom Itacir Brassiani. Essa será a primeira vez que Dom Itacir vai participar da Festa do Bastião. Ele tomou posse em setembro de 2024 e, por questões de agenda, não conseguiu participar da festividade em 2025, enviando o bispo emérito dom Aloísio Alberto Dilli.

A missa terá duração de aproximadamente uma hora, iniciando às 17h, e vai refletir sobre o tema da festa deste ano: ‘150 anos de fé, esperança e missão: Venâncio Aires caminha com São Sebastião’. A animação será da Banda do Bastião, formada por jovens ligados à paróquia.

O trânsito na rua Tiradentes estará bloqueado para a circulação de veículos, garantindo a segurança do público. A procissão inicia às 18h, com fiéis sendo guiados pela imagem de São Sebastião pela Tiradentes, junto de comitiva formada por padres, festeiros, organização da festa, coroinhas e ministros, seguindo pela rua Voluntários da Pátria, dobrando a Júlio de Castilhos, ingressando na General Osório e retornando ao gramado para a bênção final.

A missa campal encerra um ciclo de diversas celebrações realizadas desde o começo da festa, sempre acompanhadas da imagem do santo padroeiro e casais festeiros Marlon Borre e Nair Milene Barbosa, da Comunidade São Francisco Xavier, do bairro São Francisco Xavier; Romeu Fagundes e Maria Terezinha Schmidt Hanzen, da Comunidade São Lucas, do bairro Aviação; e César Alexandre Gonçalves e Mariza Schmidt, da Comunidade Menino Jesus de Praga, de Linha Cerro dos Bois.

Ação entre amigos

  • Ainda dá tempo de garantir cartelas da ação entre amigos da Festa do Bastião
  • Alguns números estão disponíveis e estão sendo vendidos na entrada dos pavilhões
  • Do total de R$ 87 mil distribuídos em 35 premiações, R$ 34 mil são em dinheiro
  • O prêmio principal desta edição é de R$ 20 mil; o segundo, de R$ 8 mil; terceiro, de R$ 4 mil; e o quarto de R$ 2 mil.
  • O valor da cartela, com quatro números, custa com R$ 10.

Programação para hoje

10h – Missa na Igreja Matriz
10h – Pastel do Bastião (no local ou tele-entrega)
11h15min – Galinhada (no local ou levar para casa)
14h – Wilceu Pause, Mary Pause e Banda
17h – Missa Campal
18h – Procissão
19h – Busca e apresentação dos novos festeiros
19h30min – Banda Destinu’s
22h – Banda Magia
22h – Sorteio da ação entre amigos – Sistema Globo
24h – Encerramento da 150ª Festa de São Sebastião Mártir

Expectativa é superar projeções iniciais

A festa ainda nem terminou e os resultados já estão sendo comemorados pela organização. Conforme o presidente do Conselho Paroquial Administrativo, Elmo Fengler, a expectativa é de superar as projeções iniciais. “Os resultados alcançados até agora estão dentro ou acima daquilo que esperávamos. Estamos muito felizes. E, com a certeza que o tempo vai estar a nosso favor, temos certeza que vamos superar tudo aquilo que projetamos. Muito animados”, afirma Elmo.

Conforme dados fechados na noite do domingo, 18, 16 mil pastéis já foram produzidos por mais de 120 voluntários. Na galinhada, a produção também superou a expectativa, com 60 panelões servidos à comunidade. Ainda na gastronomia, foram 1,2 mil cachorros-quentes comercializados. No setor de bebidas, 582 engradados de cerveja foram consumidos.

Os números, segundo Fengler, refletem à valorização do público ao maior evento religioso do município. “O povo se prepara e é devoto de São Sebastião, fazendo com que a festa tenha alegria, paz e muita harmonia. Vimos que o público esteve feliz e nós muito mais, fazendo dessa festa um sucesso”, avalia.

Melhorias

A edição histórica dos 150 anos da festa do padroeiro de Venâncio Aires apresentou uma série de melhorias na estrutura dos pavilhões. Entre elas, está um novo pavilhão, de 400 metros quadrados, localizado à esquerda de quem entra pelo portão principal, onde estão os brinquedos infláveis e demais expositores.

Os voluntários que se dedicam à produção dos pastéis também ganharam uma ‘casa’ nova. Um espaço fechado, e climatizado, favorece a produção com ainda mais qualidade, cuidado e transparência, com o público podendo acompanhar todos os processos, desde a massa até a fritagem. “Quando a gente proporciona um ambiente melhor aos voluntários quem vem nos visitar também recebe um ambiente legal. E essa alegria a gente observa no rosto de todo mundo”, diz.

Grande público prestigiou a festa na noite do sábado

Venâncio celebra a Festa de São Sebastião desde 1876

A primeira festa dedicada à São Sebastião Mártir em Venâncio Aires aconteceu em 1876. Segundo o livro tombo da Comunidade Católica, na época, um grupo de 13 escravos e três homens livres teriam se reunido para organizado do evento e criado a Irmandade de São Sebastião. No dia 20 de janeiro daquele ano foi realizada, pela primeira vez, uma procissão ao santo padroeiro. Conforme a historiadora Angelita da Rosa, moradores livres do faxinal, hoje município de Venâncio Aires, junto de escravos, participaram do evento, que ainda teve churrasco ao meio-dia.

Apesar do registro histórico, ainda seguem contrapontos em torno da origem da festa que ainda não foram explicadas, devido a falta de registros. O evento seria conhecido como Kampfest, significando festa de campo, ou comparada com o kerb, dando denotação germânica à origem da festividade.

Foto do acervo da Casa de Cultura de Venâncio Aires mostra procissão em meados de 1934 com a Igreja Matriz em construção (Foto: Divulgação)

Tempos passados

De acordo com Angelita da Rosa, os primeiros eventos ocorriam em barracas que os próprios festeiros e comissões montavam, já que nessa época ainda não existia o pavilhão da paróquia. Na época, normalmente, as empresas emprestavam materiais de construção e os festeiros assumiam o compromisso de entregar tudo no final do evento.

A festa passou a ter lucrativos a partir da década de 1930, onde o resultado passou a ser revertido para a construção da nova Igreja Matriz, que teve obras iniciadas em 1929. Por muitos anos, também ocorreu show de fogos de artifício, que acontecia às 24h do dia em que se iniciavam os festejos, em frente a Igreja.

Júnior Posselt

Repórter

Acompanha assuntos voltados ao interior e à educação.

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