
Venâncio Aires - Uma morte por afogamento foi registrada na tarde da terça-feira, 27, no Rio Taquari, em Vila Mariante, no interior de Venâncio Aires. A fatalidade é o primeiro caso, em 2026, no município, e reacendeu o alerta sobre banhos no local, considerado impróprio pelos órgãos de segurança.
A reportagem do Grupo Folha do Mate esteve na tarde da terça-feira em Mariante, para acompanhar o movimento da localidade durante a época de veraneio e registrar histórias de pessoas que escolhem o 2º Distrito para passar o verão, mesmo depois da enchente que atingiu a localidade em maio.
No local, havia pessoas pescando às margens do rio e poucas famílias se banhando. A vila estava de certo modo silenciosa, com pouco fluxo de pessoas e veículos, que tende a ser maior nos fins de semana. Por volta das 16h20min, duas mulheres passaram a pedir socorro ao perceberem que outras duas pessoas estavam se afogando no rio. Tratava-se de Élder Rivarola da Silva, de 44 anos, e da filha dele, de 14 anos. A adolescente foi retirada imediatamente da água por populares que sabiam nadar. Em seguida, outro homem chegou para auxiliar no resgate do homem, que estava ainda na água e inconsciente.
Populares acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o resgate do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), que atenderam a ocorrência registrada nas proximidades da entrada da localidade de Santa Mônica. Por mais de 10 minutos, as equipes realizaram tentativas de reanimação, porém o homem não resistiu e o óbito foi confirmado no local.

(Foto: Divulgação)
Conforme apurado pela reportagem, pai e filha se banhavam no rio Taquari quando foram arrastados pela correnteza em direção a um redemoinho. A adolescente passa bem e não corre risco.
Férias
Naturais de Quaraí, Élder e a filha estavam no Rio Taquari com a companheira dele e uma amiga (também com a filha dela). A adolescente de 14 anos passava férias escolares na casa do pai e da madrasta, em Vila Mariante. Segundo informações de vizinhos, Élder morava havia cerca de seis meses no distrito. O corpo foi transladado para Quaraí, onde ocorreram as últimas homenagens e os atos fúnebres.
“Afogamento é um problema de saúde pública no Brasil”
O Corpo de Bombeiros Militar (CBM) alerta para as mudanças no leito do rio e a formação de buracos após a enchente registrada no mês de maio de 2024. O comandante do Corpo de Bombeiros, tenente Luciano Machado Morais, ressalta que as ocorrências de afogamento são uma preocupação constante, uma vez que os perigos em ambientes aquáticos são numerosos. Segundo ele, o afogamento acontece de forma muito rápida e exige um tempo de resposta extremamente curto para que a intervenção e o salvamento da vítima sejam bem-sucedidos.
A recomendação é que as pessoas evitem utilizar, para banho, locais como rios, açudes e lagoas que não possuam áreas delimitadas e que não contem com a presença de guarda-vidas. Nessas situações, o risco de afogamento é elevado, como ocorre no Rio Taquari, em Mariante.
Sobre a responsabilidade pela sinalização dos locais, o comandante explica que cabe ao Corpo de Bombeiros Militar identificar e sinalizar os pontos considerados adequados para banho e que contam com a atuação de guarda-vidas, tanto em ambientes de água doce quanto no mar.
ALERTA PARA RIOS DA REGIÃO
Durante o programa Folha 105 – 1ª edição, no dia 6 de janeiro, a jornalista Letícia Wacholz abordou dicas para evitar afogamentos nesta época do ano. Além de Morais, participou da entrevista o comandante da 2ª Companhia do 6º Batalhão de Bombeiros Militar, capitão Fábio Cristiano Lopes. Conforme Lopes, em 2024, 5,8 mil pessoas perderam a vida por afogamento no Brasil. “O afogamento é um problema de saúde pública no país. Foram 16 mortes por dia em 2024”.

O capitão também ressalta que, diferentemente do rio Jacuí, o Taquari não possui formação de bancos de areia, as conhecidas ‘prainhas’. “Quando acionamos mergulhadores para atuar no Taquari, recebemos relatos de que a área apresenta muitos buracos, além de diversos elementos submersos. O risco é muito grande. Há locais que ultrapassam cinco metros de profundidade. É importante lembrar que não há postos de salva-vidas nesses pontos, pois o local é impróprio para banho.”
Sobre os riscos de afogamento no Rio Taquari, o tenente Morais também destaca que a ocorrência das enchentes modificou significativamente a superfície do fundo do rio, provocando a abertura de diversos buracos em seu leito, além da presença de troncos e galhos de árvores que não são perceptíveis pelas pessoas que entram na água.
“As pessoas podem cair em um buraco e não conseguir sair, ou mesmo ficar presa em algum material submerso na água. Outro fator muito perigoso é a forte correnteza que pode arrastar as pessoas para locais mais profundos do rio, causando dificuldades para sair.”
LUCIANO MACHADO MORAIS
Comandante do Corpo de Bombeiros de Venâncio Aires
Cuidados para evitar afogamentos
- Reconhecer os perigos relacionados ao afogamento, conhecer os riscos presentes no local, galhos, troncos, pedras, profundidade e correnteza.
- Sempre utilizar dispositivos flutuadores, preferencialmente coletes salva-vidas.
- De forma alguma deixar crianças entrarem na água sem a presença de um adulto responsável, ainda que com a utilização de dispositivos flutuadores.
- Não realizar o consumo de bebidas alcoólicas quando for se banhar
- Se presenciar um afogamento não se exponha ao risco, ofereça um dispositivo que ajude o pessoal a não submergir e ligue para o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193
- Frequentar locais com presença de guarda-vidas
Fonte: Tenente Luciano Morais, Comandante do Corpo de Bombeiros.