
Venâncio Aires - O venâncio-airense Lúcio Geller Júnior, de 30 anos, está vivenciando um dos momentos mais importantes da trajetória acadêmica. Atualmente doutorando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ocupa uma cadeira na Universidade de Valência, na Espanha, após conquistar o primeiro lugar em uma seleção do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior, promovida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Lúcio está em solo europeu desde meados de outubro de 2025 e o período de estudos tem previsão de término em 30 de junho deste ano.
Filho de Lúcio e Simone Geller, o doutorando é oriundo o bairro Morsch, em Venâncio Aires. Egresso da primeira turma de curso técnico em Informática do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) Venâncio Aires e ex-professor da rede estadual em Santa Cruz do Sul, Lúcio acumula duas honrarias direcionadas para discentes pelo desempenho e passagens como editor-chefe da revista Aedos, que é a revista dos alunos do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS.
Sob a orientação da professora e doutora Caroline Silveira Bauer, no Brasil, e a supervisão do professor Antonio Morant I Ariño, na Espanha, o pesquisador se dedica a entender as reinterpretações dos conceitos de fascismo e comunismo em contextos como no Brasil, Rússia e Ucrânia entre o final da década de 1980 e o início dos anos 2020. “Por isso, acabei direcionado para a Universidade de Valência, que conta com um valioso corpo de especialistas no assunto, como o próprio professor Morant I Ariño”, compartilha.
Adaptação
Esta é a primeira vez que Lúcio realiza uma imersão de estudos fora do Brasil. Para ele, a experiência vai além dos arquivos e bibliotecas. “Todo dia é um novo aprendizado. É preciso se adaptar ao idioma, ao fuso horário e, principalmente, aos costumes. Mas tudo vale a pena quando percebemos que o nosso jeito de ver o mundo é apenas mais um em um mar de possibilidades”, reflete.
Lúcio destaca que o distanciamento da família e da região onde nasceu permite uma visão sobre própria origem. “O distanciamento do meu país permite-me pensá-lo com um pé dentro e outro fora. É o aprendizado mais importante: conseguir pensar a partir de diferentes pontos de vista”. Apesar do entusiasmo, os desafios fazem parte da rotina.
A saudade da família, amigos e antigos alunos pesa, especialmente durante as festas de final de ano. Com uma diferença de quatro horas a mais em relação ao horário de Brasília, a tecnologia se torna uma aliada para manter os vínculos. “A vida é feita de adaptações. Mudanças podem assustar no início, mas são elas que nos impulsionam e nos fazem descobrir capacidades que nem imaginávamos ter”, conclui.
Mais dados sobre a Universitat de València
- A Universidade de Valência tem origem em uma longa tradição de ensino superior na cidade, iniciada no século XIII, quando o rei Jaime I obteve do papa Inocêncio IV, em 1245, a criação de um Studium Generale.
- A fundação oficial da universidade ocorreu em 1499, sendo confirmada pela bula de 1501 do papa valenciano Alexandre VI e pelo privilégio real concedido em 1502 por Fernando II, o Católico.
- Inicialmente dedicada à medicina, às humanidades, à teologia e ao direito, a instituição passou, nas últimas décadas, por um intenso processo de modernização, consolidando-se hoje como uma universidade global, inovadora e entre os principais centros científicos da Espanha.
Doutorado-sanduíche
- O Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) tem como objetivo apoiar a formação de recursos humanos de alto nível.
- São concedidas bolsas de doutorado-sanduíche em instituições estrangeiras.
- A duração das bolsas pode variar entre quatro e nove meses.