
Por Ana Flávia Hantt ([email protected])
Com a retomada lenta do turismo pós-pico da pandemia, ainda é complexo buscar acomodações mais alternativas, como o house-sitting, expressão em inglês que pode ser entendida como ‘tomar conta de uma casa’. E se estiver tudo certo para a viagem, por exemplo, mas na última hora um governo fecha fronteiras ou muda regras de entrada no país?
Com esse risco em mente, tenho utilizado o website Trusted House-sitters (Cuidadores de Casas Confiáveis, em uma tradução livre) para acompanhar as oportunidades no Brasil. Neste último mês de monitoramento, foram duas as ‘vagas’ que surgiram na busca, uma em Salvador e a outra na cidade de São Paulo. Ambos os donos das casas eram americanos radicados no país.
Apesar deste website funcionar para o mundo todo, não é comum que brasileiros o utilizem. Na nossa cultura, estamos acostumados a pedir para alguém de extrema confiança cuidar da nossa residência e animais quando estamos fora, geralmente um familiar ou amigo muito próximo. Em outras culturas, ao contrário, especialmente aquelas derivadas da britânica, é ‘inaceitável’ que você vá ‘incomodar’ alguém para cuidar da sua casa. Ou você paga um prestador para fazer esse serviço ou utiliza um sistema como o mencionado acima.
Outra diferença diz respeito ao apego a bens materiais e à segurança. Para nós, brasileiros, é muito difícil imaginar que um estranho terá completo acesso às nossas casas (e muitas vezes ao carro), e que essa pessoa que nunca vimos antes dormirá nas nossas camas, comerá nos nossos pratos, assistirá nossa TV, etc. Na nossa cultura, somos treinados a trabalhar duro para conquistar coisas como casa e conforto e, depois, trabalhar duro para protegê-los. Em outros países, isso também existe, é claro, mas talvez o acesso a bens de consumo mais baratos e uma menor criminalidade façam com que haja mais confiança para deixar sua casa sob os cuidados de um desconhecido.
Vale lembrar que os websites especializados fazem a verificação de identidade dos participantes e, sempre após uma experiência, tanto anfitriões quanto hóspedes escrevem sua avaliação, a qual fica visível para todos. Quanto mais avaliações positivas, maior a reputação construída dentro da plataforma. Em um sistema de economia colaborativa, é essa a moeda que conta.
House-sitting
House-sitting é um sistema fantástico, muito popular nos países de língua inglesa, no qual um viajante mora de graça em uma casa enquanto os donos dessa residência viajam – o objetivo é que os viajantes cuidem de animais de estimação, plantas, recolham correspondência, etc, ao mesmo tempo em que economizam com acomodação.