
Rio Grande do Sul - A pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT), 50 anos, foi a terceira entrevistada da série com os pré-candidatos ao Palácio Piratini promovida pelo Grupo Folha do Mate, por meio do projeto ‘Seu Voto, Sua Voz’. Em entrevista concedida ao vivo ao programa Folha 105 – 1ª Edição, na programação da Terra FM, na quinta-feira, 22, a ex-deputada estadual defendeu a união de forças do campo de centro-esquerda como alternativa política para o estado nas Eleições 2026.
A conversa ocorreu em uma data simbólica para a trabalhista. Em 22 de janeiro, o avô, Leonel Brizola, completaria 104 anos. Naquela manhã, Juliana participou de um ato em homenagem ao ex-governador do estado, em Porto Alegre, reunindo lideranças políticas de diferentes partidos. Juliana destacou que carrega o legado de Brizola como inspiração, mas rejeita a ideia de viver à sombra dele. “Eu não vivo na sombra do meu avô, eu vivo na luz do meu avô. A luz da coragem de um político que nunca se vendeu e teve coragem de enfrentar os grandes para libertar o nosso povo”, disse.
Em entrevista à Terra FM, Juliana Brizola diz que candidatura ao governo é “irreversível”. “No ponto que chegamos, isso já é uma missão, um compromisso. Eu sou uma soldada do partido, uma soldada da causa do meu avô. O meu objetivo é servir ao nosso estado e construir com todos aqueles que queiram construir um Rio Grande do Sul ainda mais próspero”, frisou.
Sobre a definição de alianças e do nome para vice, projetou avanços a partir de março e garantiu que vai liderar a disputa majoritária. “Não serei a vice de ninguém”, garantiu. Afirmou que não fará uma campanha apontando erros de ninguém. “Eu quero apontar soluções”, pontuou.
Juliana disse que já viajou o estado inteiro ao longo do ano passado para fazer um diagnóstico das regiões. “Agora estou me debruçando com um grupo de pessoas muito qualificadas, incluindo pessoas da universidade, do empresariado, para desenvolver um plano de governo que atente para as diferenças das nossas regiões e que a gente possa apostar naquilo que vai dar certo em cada região”, antecipou.
A pré-candidata anunciou a educação como a bandeira da futura campanha. “A educação precisa ser a base de um desenvolvimento que una crescimento econômico e desenvolvimento social”, frisou.
Impulso após pesquisas
Juliana revelou que o objetivo inicial era concorrer a deputada federal, mas que a pré-candidatura ao governo gaúcho surgiu a partir de um “chamamento popular”, impulsionado por pesquisas eleitorais. Segundo ela, o PDT chegou à decisão de lançar candidatura própria, após uma série de 20 encontros realizados em todas as regiões do estado, incluindo uma agenda em Venâncio Aires. “Vimos que o que unificava o partido era a candidatura própria”, ressaltou.
Sobre as articulações políticas, Juliana confirmou conversas com diversas siglas. Na entrevista à Terra FM, lembrou que, quando decidiu pela candidatura a governadora, procurou Eduardo Leite — o PDT faz parte da base aliada do governo estadual — e comunicou a decisão ao chefe do Executivo gaúcho. “Eu fui, por consideração, dizer para ele: ‘Governador, obrigada pelo seu apoio à Prefeitura de Porto Alegre. Eu agora estou liderando as pesquisas e vim te comunicar que eu sou pré-candidata a governadora e vou procurar outras forças políticas’. Ele me deu a maior força”, relembrou. O mesmo comunicado fez ao vice-governador Gabriel Souza (MDB), que também é pré-candidato ao Palácio Piratini. Ela também citou diálogos com Podemos, Avante, Solidariedade, PSDB, PT, PSOL e PCdoB. “Ainda estamos neste momento de conversas, mas há uma possibilidade forte de uma união de centro-esquerda. Que a gente consiga apresentar um projeto baseado numa proposta de resgate do protagonismo do gaúcho e da gaúcha no Brasil. Porque o nosso estado já foi líder de muitos rankings, inclusive em educação, e hoje nós amargamos índices horríveis”, lamentou.
“Nós não vamos fugir da luta, já que o povo gaúcho está nos identificando como uma possível saída do estado que a gente está. Eu acho que o Rio Grande do Sul pode muito mais.”
JULIANA BRIZOLA – Pré-candidata a governadora do RS
Apoio do PT
Sobre a possibilidade de coligar com o PT na formação da chapa majoritária — o Partido dos Trabalhadores sinaliza desejo em ter Juliana na chapa —, a pré-candidata falou do respeito ao também pré-candidato Edegar Pretto, mas foi enfática ao defender que o PDT lidere a disputa.
Inclusive, Juliana contou que o PDT fez um pedido para o presidente Lula para que o PT apoie a candidata do PDT no Rio Grande do Sul, com a possibilidade de o PT indicar o vice dela. “Estamos aguardando com muita expectativa essa resposta.”
Ela defendeu um olhar responsável para o atual momento da política e destacou a importância da análise das pesquisas. “Elas são muito importantes e não só as de primeiro turno. Nós precisamos olhar as pesquisas de segundo turno. As candidaturas petistas vêm demonstrando que elas têm força para chegar no segundo turno, mas que quando chegam no segundo turno acabam perdendo a eleição aqui no estado”, analisou. “Por isso que a gente entende que o PDT deve encabeçar a chapa, porque temos mais possibilidades no segundo turno de abrir essa bolha e outras forças pra poder apoiar. Não basta participar da eleição, a gente tem que ganhar a eleição”, acrescentou.
Prioridades
EDUCAÇÃO – Entre os eixos prioritários de um futuro plano de governo, Juliana destacou a educação pública. “O PDT tem uma luta histórica pela educação pública de qualidade. Meu avô construiu mais de 6.300 escolas neste estado e sempre dizia que só a educação transforma vidas ”, lembrou. Ela falou da preocupação com a falta de mão de obra qualificada e alertou para os baixos índices educacionais atuais. “As crianças estão passando de ano sem estarem alfabetizadas. Isso é um crime com a nossa juventude”, criticou.
SAÚDE – A saúde também foi apontada como área urgente. “As pessoas estão morrendo em filas de espera por exames e cirurgias que não chegam. Precisa haver um choque de gestão na saúde”, defendeu, citando ainda a necessidade de socorro financeiro aos hospitais e o trabalho por essa causa liderado pelo deputado estadual e colega de partido, Airton Artus, ex-prefeito de Venâncio Aires.
MULHERES – Como única mulher pré-candidata ao Governo do Estado, Juliana deu destaque especial às políticas públicas para mulheres. “O Rio Grande do Sul é campeão em feminicídio. A luta das mulheres hoje é para sobreviver”, afirmou. Segundo ela, políticas voltadas às mulheres são essenciais para o desenvolvimento do Estado. “As mulheres são maioria do eleitorado, chefiam famílias, sustentam casas e são as maiores pagadoras de impostos. Não há desenvolvimento sem políticas públicas voltadas às mulheres.”
MUDANÇAS CLIMÁTICAS – “Também precisamos enfrentar com seriedade os efeitos das mudanças climáticas. No Vale do Taquari, por exemplo, já passou mais de um ano das enchentes e a estrutura segue praticamente a mesma. Se chover forte de novo, vai cair outra vez. Precisamos ouvir os técnicos, planejar a longo prazo e garantir que tragédias como as de 2024 não se repitam.”
Trajetória
- Nascida em Porto Alegre, Juliana Brizola tem 50 anos. Neta de Leonel Brizola (ex-governador dos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), ela cresceu em um ambiente fortemente marcado pelo debate político e pela militância.
- Aos 3 anos, Juliana mudou-se para o Uruguai , em função do exílio imposto pela ditadura ao avô Leonel Brizola. Em 1982, ela foi morar na cidade do Rio de Janeiro, quando Leonel se elegeu governador do estado. Juliana Brizola é formada em Direito pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Após a conclusão do curso, retornou à capital gaúcha.
- Ingressou formalmente na política institucional em 2008, quando foi eleita vereadora de Porto Alegre, sendo a mais votada do PDT naquele pleito. Dois anos depois, em 2010, elegeu-se deputada estadual, cargo para o qual foi reeleita por três mandatos consecutivos, atuando na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul por 12 anos.
- Ao longo da carreira, também disputou cargos majoritários, tendo sido candidata a vice-prefeita e a prefeita de Porto Alegre no pleito de 2024. Em 2026, Juliana Brizola se apresenta como pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PDT. “Eu nunca imaginei que fosse ter mandato. Sempre gostei da política em si. Mas percebi que não bastava ser neta do Brizola, era preciso ter votos”, destacou.
- Durante a entrevista, Juliana Brizola contou que a relação com a política começou ainda na infância, em meio às campanhas do avô. “Quando criança, brincava de carreata, adorava entregar panfleto, empunhar bandeira, então eu cresci nesse ambiente. Na minha casa, a política era um ente sentado à mesa. Era política no café da manhã, no almoço e no jantar. Esse ambiente acabou me forjando”, relatou.