
O deputado federal e tenente-coronel Luciano Zucco (PL), 51 anos, foi o segundo entrevistado da série com os pré-candidatos ao Governo do Estado nas Eleições 2026, promovida pelo Grupo Folha do Mate neste mês de janeiro. A iniciativa integra o projeto ‘Seu Voto, Sua Voz’.
Durante entrevista ao programa Folha 105 – 1ª edição, ao vivo na programação da Terra FM, na quinta-feira, 15, ele destacou que o trabalho de pré-campanha já está em andamento, com foco na escuta de diferentes setores da sociedade. “O Rio Grande do Sul pode mais, o Rio Grande do Sul merece mais, e é nesse sentido que a gente inicia este ano, escutando entidades, pessoas, prefeitos, vereadores.”
O pré-candidato afirmou que a construção do projeto também passa por debates com especialistas em diversas áreas e pontuou o diálogo com todas as regiões como central na formulação do futuro plano de governo. “Estamos visitando várias regiões para entender as dores e para trazer um novo rumo para o Estado. A gente vai ter a maturidade e a responsabilidade de continuar projetos que estão trazendo resultado, buscando até um aperfeiçoamento, mas logicamente que entendemos que há muito a ser feito”, acrescentou.
Zucco também defendeu maior alinhamento entre o governo estadual e os municípios e menos entraves ao setor produtivo. “Para se ter uma ideia, nos últimos 20 anos, o Rio Grande do Sul foi elencado como o Estado que menos cresceu na federação. Nós precisamos resgatar o orgulho de ser gaúcho, e eu tenho orgulho de ser gaúcho. [..] Precisamos que o governo atrapalhe menos os nossos empresários, que o governo pare de olhar só o pagamento de dívidas e comece a prospectar geração de emprego e renda.” Segundo ele, o Estado precisa avançar com “gestão e governança técnica, baseada em propósitos e metas claras”.
Sobre o próximo pleito, o parlamentar disse que as expectativas são positivas e observou que 2026 será decisivo para os rumos do Estado e do País. “A gente está logicamente muito atento, de certa forma preocupado, pois é um ano determinante, não só para a realidade do Rio Grande, como também do cenário nacional.” Na avaliação de Zucco, há hoje “a manutenção no âmbito nacional de um projeto de poder, não é um projeto de nação na gestão”, pontuou, ao se referir ao governo Lula.
“Eu quero ser governador porque eu acredito no Estado e, principalmente, no valor da nossa gente. Eu não faço política para agradar esse sistema, eu faço o que é certo, não faço o que é fácil. E o nosso gaúcho está cansado de promessa vazia, de discurso bonito. O Estado precisa de coragem, de prioridade, de ação, de método de gestão, de governança.”
LUCIANO ZUCCO – Pré-candidato a governador do RS
À espera da decisão do PP
Sobre alianças políticas para o pleito de outubro, Zucco destacou a proximidade com Republicanos, citou conversas com o Podemos e afirmou que o PL aguarda pela decisão do Progressistas para compor a chapa majoritária. “É um partido importante também nessa estratégia de união da centro-direita. É um partido que respeito, que admiro, que tem maior número de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, e é com esse intuito que a gente aguarda uma reunião que haverá na terça-feira.” O Progressistas marcou para o dia 20 uma reunião para definir o pré-candidato do partido na eleição majoritária e também deliberar sobre o apoio ao PL na disputa ao Palácio Piratini. Sem unanimidade interna, o PP deve decidir pelos deputados Covatti Filho ou Ernani Polo.
Questionado sobre o convite ao empresário Celso Rigo, também do PP, para compor a chapa como candidato a vice-governador, Zucco afirmou que “não houve nenhum convite formal.” Segundo ele, a indicação caberá ao Progressistas. “O Progressistas tem um papel importantíssimo no Estado. E, sim, temos que tentar construir, até pela sua história, um partido de centro-direita.Fica muito mais natural que a gente possa caminhar juntos. Isso deve se concretizar nos próximos dias e estamos otimistas. A gente vai aguardar com muita maturidade e respeito a decisão dessa agremiação”, pontuou.
Zucco afirma que tem o apoio de diversos governadores na disputa eleitoral. Entre eles, mencionou Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina; Ratinho Junior, do PSD, líder do executivo do Paraná; do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); de Romeu Zema, do Novo, de Minas Gerais; de Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
Durante a entrevista, Zucco revelou a afinidade com o líder do executivo paulista e disse que ele é um dos principais incentivadores para a disputa no pleito deste ano. “É um amigo de 34 anos, no qual todo dia trocamos mensagens, conversas. É uma pessoa que eu estou extremamente feliz de estar compartilhando conhecimento”, revelou. Também citou que vem recebendo o apoio da família do ex-presidente Bolsonaro, que foi quem lhe convidou a ingressar na política.
Prioridades
INFRAESTRUTURA – Entre as áreas prioritárias, Zucco citou infraestrutura, logística, educação e saúde. Falou sobre a importância de avançar na construção de aeroportos regionais, defendendo inclusive uma estrutura ampliada na região dos Vales.
Também citou a recuperação de estradas destruídas durante as enchentes, fortalecimento do modal ferroviário e projetos como o Porto de Arroio do Sal. Também citou a relevância do agronegócio e mencionou o tabaco para a região. Além disso, defendeu investimentos em infraestrutura hídrica.
SAÚDE E EDUCAÇÃO – Na saúde, alertou para a interiorização das políticas públicas. “A gente acaba muitas vezes tendo um acúmulo de questões relacionadas à Grande Porto Alegre, sem enxergar o interior.” Na educação, defendeu ensino integral e técnico. “A educação para mim é a base de uma nação pujante.” Zucco defendeu o modelo das escolas cívico-militares proposto por ele quando ainda era deputado estadual. Disse que é um modelo de sucesso em alguns estados, como São Paulo e Paraná, e criticou a não implementação do modelo no RS. “Eu aprovei a lei, foi sancionada pelo governador, mas ele não cumpriu a sua palavra.”
GESTÃO TÉCNICA – O pré-candidato afirmou que pretende reduzir o número de secretarias e priorizar quadros técnicos. “Não acredito ser o resultado efetivo ter 30 secretarias”, ao se referir ao número atual. Segundo ele, “precisamos ter secretários técnicos que tragam resultados ou metas objetivas”. Também enumerou uma gestão mais próxima das Prefeituras como prioridade. “Nós vamos trabalhar com os prefeitos, nós vamos municipalizar o governo estadual”, disse.
Da carreira militar à política
- Filho de Valmor Zucco e Cleuza Lorenzini, Luciano Zucco relembrou a trajetória militar e contou que nunca esteve nos planos pessoais ingressar na política até 2018. “Como tenente-coronel do Exército tinha não só a intenção de permanecer na instituição, mas as palestras, o conhecimento acabou ultrapassando as fileiras da instituição e acabei sendo lembrado por alguns políticos”, contou. Segundo ele, o convite partiu do então deputado federal e ex-presidente da República, Jair Bolsonaro. “Eu falei para ele em 2017, olha, agradeço o convite, mas nunca tive partido, nunca fui nem síndico de prédio, eu só tenho meus princípios e valores.”
- Estreou na política em 2018, quando foi eleito deputado estadual pelo PSL, sendo o mais votado para ocupar uma das cadeiras na Assembleia Legislativa. Antes de assumir o mandato, Zucco atuava no Comando Militar do Sul, com sede em Porto Alegre. Em 2022, concorreu a deputado federal pelo Republicanos e novamente se elegeu como o mais votado do Rio Grande do Sul. Descontente com o partido, conseguiu a chamada carta de anuência para deixar o partido pelo qual se elegeu e se filiou no PL em 2023, após receber uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Zucco é natural de Alegrete, mas a base familiar reside na região da Serra Gaúcha, nas cidades de Bento Gonçalves, Farroupilha e Caxias do Sul. “Conheci o Rio Grande pelo Exército, servi na região sul, no Alegrete e também em Jaguarão, depois fui para Porto Alegre”, contou. Estudou no Colégio Militar da capital gaúcha, onde concluiu o Ensino Médio. Ingressou no Exército Brasileiro e graduou-se em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras. Ele permaneceu 25 anos na carreira militar.
- Ainda no campo político, citou a experiência como líder da oposição no Congresso ao longo de 2025. “Tive a oportunidade de ser o líder da oposição, de conseguir mostrar para a sociedade o trabalho que fizemos.”