Foto mostra Dieike Andrigo de Mello (detalhe) sendo preso pela Polícia, em 2023, na chamada Operação Enxuta (Foto: Arquivo FM)
Foto mostra Dieike Andrigo de Mello (detalhe) sendo preso pela Polícia, em 2023, na chamada Operação Enxuta (Foto: Arquivo FM)

Venâncio Aires - O julgamento de um dos casos mais rumorosos de Venâncio Aires, que deveria ter ocorrido no dia 29 de janeiro, já não tem mais data para ser realizado. No fim do mês passado, Dieike Andrigo de Mello, de 41 anos, seria levado ao banco dos réus pelo assassinato de Jonas Ricardo Stolben, que foi morto na madrugada do dia 29 de setembro no bairro Cidade Alta, aos 26 anos. Estava tudo pronto para o júri, mas a sessão acabou cancelada em virtude de a defesa de Dieike ter acionado o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) com um pedido para que duas armas fossem apresentadas durante o julgamento.

As armas foram entregues à Polícia, em uma Delegacia da Mulher de Porto Alegre, pela mulher que sobreviveu ao ataque que vitimou Stolben. Na mesma ocasião, ela apresentou outra versão sobre o crime, dessa vez tirando Dieike da cena e apontando um ex-namorado como autor dos disparos, de acordo com o promotor de Justiça Pedro Rui da Fontoura Porto, responsável pela acusação. “É bem provável que a testemunha tenha sofrido coação, suborno ou ameaça”, afirmou. Segundo Porto, as imagens obtidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público deixarão claro que o ex-namorado da sobrevivente não tem participação.

Para o promotor, a apresentação das armas durante a sessão do júri “é irrelevante”. Porto diz ter convicção de que Dieike será condenado pelo assassinato de Stolben e lembrou que o delegado de Polícia de Venâncio Aires, Guilherme Dill, já indiciou a sobrevivente por denunciação caluniosa. “Na verdade, foram três versões de uma mesma pessoa. Primeiro, afirmou que o atirador era o Dieike, e isso foi o que realmente aconteceu. Depois, em Juízo, disse que não tinha certeza de que o autor dos disparos era ele. E, agora, tenta incriminar outra pessoa, que não esteve no local”, comentou.

Desaparecido

Embora não tenha condições de prever quando o júri será finalmente realizado, o promotor espera para breve a sessão. “Este e outros dois casos passionais serão, provavelmente, os primeiros três julgamentos deste ano. Só não sabemos em que ordem”, declarou. Porto compartilhou ainda que, pelo que sabe, o ex-namorado apontado pela mulher como autor do crime está desaparecido.

“Não há qualquer motivação”

O que o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto entende como irrelevante, o advogado criminalista Jean Severo, que faz a defesa de Dieike, classifica como “fundamental”. Para ele, a apresentação das armas ao Conselho de Sentença é essencial para que o julgamento seja justo.

Severo, que ficou muito conhecido pela atuação no caso da Boate Kiss, antecipa que a tese é a negativa de autoria. “Não há qualquer motivação por parte do Dieike para esse crime pelo qual ele está sendo acusado. Ele nem aparece nas câmeras de videomonitoramento”, sustenta.

O criminalista está convicto de que, quando o julgamento for realizado, o réu será absolvido. “Eu até me surpreendi com o fato de o promotor falar tão abertamente sobre esse caso, porque é extremamente sensível. Estou acostumado a ver a Promotoria proteger as vítimas, mas nessa oportunidade o que ele fez foi escancarar os nomes”, completou.

Com o adiamento do júri, Severo espera que sejam autorizadas a perícia e a balística das armas entregues à Polícia pela vítima. “Os argumentos da Promotoria já eram muito frágeis. Agora, com esta nova versão, não posso acreditar que uma comunidade vá condenar uma pessoa a 30 anos de prisão sem que ela tenha cometido um crime”, finalizou.

Saiba mais

  • Dieike Andrigo de Mello responde pela morte de Jonas Ricardo Stolben (na época com 26 anos) e, ainda, pela tentativa de assassinato de uma mulher que estava com a vítima fatal no momento do crime.
  • Stolben foi atingido por dois disparos — à traição, de acordo com a denúncia da Promotoria — quando estava em um veículo Celta, estacionado na frente da casa da ex-mulher de Dieike, na rua Félix da Cunha. A vítima esperava o desembarque de uma mulher que teria brigado com o companheiro e pediu carona. Em princípio, não a conhecia, mas concordou em ajudar.
  • Para o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, Dieike agiu por ciúme, achando que era a ex-mulher dele que estava chegando em casa com outro homem. Isso porque, após matar o jovem, ele disparou contra a mulher, que estava entrando na residência e não foi atingida. O autor portava uma pistola calibre 380.
  • Imagens de câmeras de vigilância obtidas pelas autoridades revelam que, após o crime, Dieike fugiu em um veículo Fiat Uno de cor branca. Foi encontrado e capturado no dia 9 de março de 2025, no Paraguai.
  • A prisão exigiu uma ação conjunta da Polícia de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e de Pedro Juan Caballero, no país vizinho. Permaneceu detido no Paraguai até ser expulso, oportunidade em que foi transferido à unidade prisional do Centro-Oeste do país.
  • Atualmente, está recluso na Penitenciária Estadual de Venâncio Aires (Peva), em Vila Estância Nova, no interior do município.