Débora Beina/Divulgação
Débora Beina/Divulgação

Rio Grande do Sul - O Grupo Folha do Mate deu início, nesta semana, à série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul nas Eleições 2026. O primeiro entrevistado é Edegar Pretto (PT), 54 anos, ex-deputado estadual e atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ele concedeu entrevista ao programa Folha 105 – 1ª edição, da Rádio Terra FM, na quinta-feira, 8. Assista aqui.

Pretto defende um novo plano de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul e uma força-tarefa para garantir o protagonismo do estado no mapa nacional. Com o intuito de ouvir e levar propostas aos quatro cantos do território gaúcho, propõe a construção coletiva do futuro plano de governo. “Eu vou passar novamente o Rio Grande do Sul de ponta a ponta. Eu sou um estradeiro. Eu vou botar o pé na estrada e vou humildemente buscar diálogo.”

Durante a entrevista, disse que, se eleito, quer ser um governador presente para resolver os “problemas do presente”. “Não são os problemas do futuro, são os problemas de agora, porque onde estão os gargalos do desenvolvimento econômico do nosso estado, nós já sabemos. É preciso agir. O Governo do Estado, na minha opinião, perdeu muito a capacidade de fazer gestão”, criticou. Pretto também falou do apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e citou o quanto se espelha na forma de fazer gestão do atual presidente da República.
“Quero escutar os prefeitos e prefeitas, compreender as principais demandas e entender qual é a angústia dos nossos administradores. Quero conversar também com os setores organizados de cada uma dessas regiões, compreender o que eles esperam do próximo governador”, antecipou o pré-candidato, que teve o nome confirmado na corrida ao Piratini em novembro do ano passado, durante Encontro Estadual do PT.

Da eleição de 2022 às alianças para 2026

Pretto relembrou a participação nas Eleições 2022, quando ficou em terceiro lugar na disputa para governador e disse estar mais preparado para o pleito deste ano. Lembrou o que considera uma virada durante aquela campanha, que elegeu Eduardo Leite como chefe do Executivo gaúcho. “Eu comecei a minha pré-campanha com 4%. Na última semana eu estava com 17% e dois dias depois fiz 27% de votos. Foram 1,7 milhão de votos. Faltaram apenas quatro votos por município, 2.441 votos para que eu chegasse no primeiro turno, na frente do atual governador. Foi uma disputa muito apertada”, relembrou. “Mesmo que eu não tenha alcançado a vitória, foi uma eleição muito positiva. Foi esse resultado que levou o presidente Lula a me convidar a presidir a Conab, a maior Companhia de Abastecimento da América Latina”, completou.

Segundo Pretto, essa trajetória também foi determinante para a nova indicação do partido na disputa para o pleito marcado para 4 de outubro deste ano. “Depois dos 27 encontros regionais que o PT fez, eu sou novamente pré-candidato, por unanimidade, no maior partido político do nosso Rio Grande do Sul.”

Diálogo com o PDT

Pretto disse que quer ter a oportunidade de conversar com todos os partidos que fazem parte da base do governo Lula para “escutar e ser escutado” por todos os dirigentes partidários. O pré-candidato afirmou que a construção das alianças já começou e há articulações com diversas siglas, além dos partidos que já compõem a federação PT, PV e PC do B. “Também já estamos muito sintonizados, fechamos coligação com o PSOL e a Rede, que também formam uma federação.” Pretto também citou avanços no diálogo com Avante, PSB e o PDT. “Estamos conversando, dialogando e queremos ter a oportunidade de ter o PSB inteiro, completo, junto conosco, se possível, já no primeiro turno, porque já tem uma posição de apoio ao presidente Lula”, destacou.

Com relação ao partido trabalhista, não escondeu o desejo de uma união já no primeiro turno do pleito. “O primeiro partido em que meu pai se filiou foi o PDT. Tenho maior respeito pelo partido”, destacou. Sobre a relação com Juliana Brizola, que é pré-candidata a governadora pelo PDT, Pretto destacou o respeito e o diálogo permanente. “O que nós temos conversado é que nós dois vamos como pré-candidatos. […] Eu sei que ela é pré-candidata a governadora, mas obviamente, nós dois juntos seria, na minha opinião, muito potente, mas tem tantas outras lideranças que a gente pode continuar esse diálogo. O certo é que nós vamos continuar conversando e querendo muito estar juntos, se não for no primeiro, certamente nós estaremos juntos no segundo turno”, declarou.

“Se eu tiver a honra de ser governador, quero começar um governo a 120 por hora, sem levar multa, com muito cuidado, mas trabalhar com mais rapidez, ver o nosso Rio Grande recuperar a capacidade de fazer gestão e ter essa agenda de desenvolvimento.”
EDEGAR PRETTO – Pré-candidato a governador do RS

Trajetória política

  • Filho de Adão e Otília, Edegar Pretto é natural de Miraguaí, município que se emancipou de Tenente Portela, localizado na Região Celeiro. Durante a entrevista, relembrou as origens no interior do estado e a relação com a agricultura familiar. “Eu tenho a minha origem no interior, com muito orgulho. Eu sempre digo: eu venho do cabo da enxada, verdadeiramente”, disse o pré-candidato que vem de uma família de nove irmãos e saiu da roça aos 16 anos.
  • A trajetória política começou a partir da eleição do pai, Adão Pretto, que integrava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Adão foi eleito uma vez deputado estadual e por seis mandatos foi parlamentar federal. “O meu pai foi o primeiro pequeno agricultor que foi eleito deputado estadual, em 1986.”
  • Com a mudança da família para Porto Alegre, Pretto passou a acompanhar o pai em viagens pelo estado. “Foi pela companhia do meu pai que eu conheço cada palmo do Rio Grande do Sul. Não há um município que eu não conheça.”
  • Após a morte de Adão, em 2009, Pretto deu continuidade ao legado político da família. A primeira eleição que disputou foi em 2010, quando foi eleito deputado estadual, sendo o mais votado da bancada do PT, e voltou a se destacar nas duas eleições seguintes, sendo reeleito para uma cadeira no parlamento gaúcho em 2014 e 2018. “Fiz quase 92 mil votos neste pleito. Nunca um deputado do meu partido tinha feito uma votação como essa.” Em 2017, presidiu a Assembleia Legislativa.
  • Esse destaque após três eleições lhe credenciou para ser o representante do partido no pleito de 2022, quando concorreu a governador, promovendo a mudança geracional na disputa pelo cargo no PT, que já tinha elegido Olívio Dutra e Tarso Genro. Nessa eleição, Pretto ficou na terceira colocação e logo após, foi convidado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para presidir a Conab, em Brasília.

Prioridades

Saúde – Entre os principais eixos do futuro plano de governo, Pretto apontou a saúde como prioridade e fez críticas à atual gestão. “O Governo do Estado não está investindo o mínimo constitucional de 12% do orçamento em saúde pública.” Ele também criticou as longas filas por atendimento. “Tem casos de pessoas que estão há sete anos esperando uma cirurgia. Isso não é possível.” Perguntado sobre como mudar esse cenário, defendeu a proposta de ampliação do terceiro turno nos hospitais gaúchos, citando o exemplo do Grupo Hospitalar Conceição, que registrou uma redução de mais de 80% no tempo de espera de uma cirurgia pelo SUS. “Não tem milagre, precisa fazer gestão e cumprir o mínimo constitucional.”

Segurança e educação – Na segurança pública, Pretto destacou a preocupação com o aumento dos feminicídios. “O Rio Grande do Sul é campeão de feminicídios de mulheres que já têm medida protetiva.” Também defendeu a valorização das forças de segurança. “Quero uma polícia forte. Não se faz segurança pública sem ter os agentes valorizados, aparelhados e respeitados.” Na educação, defende a valorização dos professores e demais servidores das escolas e lamentou a infraestrutura precária dos educandários, citando que atualmente 75% das escolas públicas do Rio Grande do Sul não têm ar-condicionado.

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA: