Kelly Moraes e Airton Artus participaram da posse de Sergio Peres,  na terça (Foto: Juan Grings e AI Airton Artus)
Kelly Moraes e Airton Artus participaram da posse de Sergio Peres, na terça (Foto: Juan Grings e AI Airton Artus)

Ano de eleições gerais, 2026 deve ser agitado na Assembleia Legislativa no Rio Grande do Sul (AL/RS). Na cerimônia de posse do novo presidente do Parlamento, Sergio Peres (Republicanos), na terça-feira, 3, a reportagem conversou com os deputados estaduais Airton Artus (PDT) e Kelly Moraes (PL), representantes do Vale do Rio Pardo no Legislativo e já pré-candidatos a uma vaga na Casa, para projetar a atuação das lideranças no ano eleitoral.

Ex-prefeito de Venâncio Aires, Artus, que também é médico, comentou a situação do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), que passa por um momento delicado do ponto de vista financeiro. O HSSM chegou a ter atrasos pontuais no pagamento de plantões a médicos. Recentemente, o prefeito Jarbas da Rosa afirmou que está na mesa de negociação a possibilidade de reformular o modelo de gestão da instituição. A condição é reconhecida, inclusive, pela administração da casa de saúde.

“O hospital me preocupa muito, não só pelo endividamento, mas também pelo déficit operacional. É uma equação muito difícil de ser resolvida, mas nós estamos trabalhando junto ao Governo do Estado, e também no Congresso Nacional, no sentido de securitizar as dívidas dos hospitais e depois melhorar a Tabela SUS, que é a única maneira que as nossas casas de saúde têm para prestar um serviço de qualidade sem ficar o tempo todo recorrendo a bancos”, afirmou. Ao lado de colegas parlamentares, o pedetista é o autor do Programa Pró-Hospitais, que permite que empresas destinem até 5% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a melhoria da infraestrutura hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS).

Artus fica até março

O deputado ainda afirmou que deve ficar na AL/RS até o mês de março, uma vez que o atual secretário estadual de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, Gilmar Sossella, correligionário de Artus, deve deixar o primeiro escalão do Governo Leite para concorrer à reeleição como parlamentar do estado, conforme prevê o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a desincompatibilização.

“Este ano pode ser que eu tenha um pouco mais de tempo para fazer uma campanha mais organizada, especialmente no Vale do Rio Pardo e no Vale do Taquari. Fizemos a primeira reunião do ano voltada para essa pauta e eu acredito que a gente vai fazer assim de forma muito técnica, mas também muito emocional, no sentido de levar para a população que a gente está preparado para solucionar aqueles gargalos que hoje impedem o desenvolvimento econômico, as questões da dívida rural, de infraestrutura, mas, especialmente, da área da saúde”, pontuou.

CPI dos Pedágios

Assim como Artus, pelo PDT, Kelly Moraes é suplente do PL na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Contratos de Concessão de Rodovias Estaduais, a CPI dos Pedágios. O grupo investiga os blocos 1, 2 e 3, o que inclui a RSC-453, no trecho entre Venâncio Aires e Lajeado.

Como explicou a liberal, que assinou a CPI, a adesão ocorreu por entender que é necessário fazer um debate sobre o assunto: “Não sou contra pedágio, não sou contra desenvolvimento, até porque, na nossa região, a RSC-287 foi a primeira concessão, mas assinei pelos desafios e por uma região que tinha alguns questionamentos e a própria CPI pode ser esclarecedora. Quando vem uma obra gigantesca, a comunidade também precisa estar perto, então por isso que eu concordo e acompanho. Temos a convicção que veio pra somar.”

Instalada em 2025, a CPI já realizou uma oitiva neste ano. Ainda em 2026, a comissão deverá realizar sessões regionalizadas, com uma no Vale do Taquari. A expectativa do Governo do Estado é que o leilão do bloco 2 ocorra no dia 9 de março.

Heitor Schuch também presente

  • Outro parlamentar da região, mas que atua na esfera federal, Heitor Schuch (PSB) também acompanhou a posse de Sergio Peres.
  • Em contato com a imprensa, criticou a lentidão do andamento do projeto da securitização das dívidas rurais no Senado: “É preciso dizer que ela foi votada e aprovada quase de forma unânime na Câmara dos Deputados em julho do ano passado e o projeto foi para o Senado, onde ele está nas gavetas desde aquele dia. Se não teve securitização é responsabilidade do Senado e do governo, porque a Câmara fez o seu trabalho.”
  • “Eu espero que eles possam rever esse assunto, mas não tenho muita esperança, porque assuntos dessa magnitude, em ano de eleição, dificilmente vão para a pauta”, lamentou.
  • Sobre o tema central que vai pautar o trabalho de Peres, o municipalismo, o socialista afirmou que esta também é uma bandeira que defende. “Houve uma PEC [Proposta de Emenda a Constituição] há cinco anos que queria extinguir todos os municípios com menos de 5 mil habitantes. Nós conseguimos derrubar isso. O município, mesmo pequeno, tem prestação de serviço, tem escola, tem posto de saúde, tem atendimento às pessoas. Se nós formos olhar as finanças dos grandes municípios, estão muito piores do que os pequenos. Então acho que essa é uma pauta importante”, concluiu.

Pepe Vargas: “cumprimos nossa missão”

Líder da AL/RS em 2025, o deputado Pepe Vargas (PT) avaliou positivamente o trabalho realizado ao longo do ano. “Fizemos um ano em 2025 com bastante tranquilidade aqui dentro do Parlamento, com matérias importantes, também desenvolvemos um processo de discussão sobre o crescimento sustentável do estado, que culminou com um documento final que traz subsídios para o governo e para Assembleia pensar políticas públicas visando o crescimento com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Então, entregamos com a certeza de que cumprimos nossa missão”, afirmou.

Vargas conduziu os trabalhos promovendo discussões sobre o crescimento do estado, retenção de jovens e desenvolvimento regional. Em 2025, foi realizada uma série de fóruns em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, incluindo a região dos Vales do Rio Pardo e Taquari, que ocorreu na Universidade do Vale do Taquari (Univates), em setembro.

O parlamentar avaliou as realidades observadas nos encontros: “Nós temos algumas regiões com maior dinamismo econômico que atraem pessoas. E nós temos regiões com menor dinamismo que estão perdendo população. Se a gente pegar o último censo, comparar com o anterior, tem 290 municípios que diminuíram. Então isso é muito preocupante. E como a nossa economia cresce abaixo da média nacional e abaixo da média da região Sul, esse é um extraordinário desafio. Nós temos que pensar políticas públicas que vejam esses recortes regionais.”

Juan Grings

Repórter

Atento aos principais fatos que impactam a comunidade, também é produtor de programas jornalísticos da Rádio Terra FM.

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