
O início do ano letivo na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Osmar Armindo Puthin, no bairro Cruzeiro, foi marcado por um reencontro especial entre professora e aluno, na terça-feira, 3. Uma história que começou em dezembro de 2023, na mesma escola.
No dia 12 daquele mês, o pequeno Theodoro Beppler Battisti, com apenas um ano de idade, se engasgou com um pedaço de melão. A professora Carine Horn percebeu imediatamente que algo estava errado e agiu rápido. Utilizando uma técnica aprendida em um curso de capacitação oferecido pela Secretaria Municipal de Educação, realizou manobras que desobstruíram as vias aéreas da criança. Em seguida, acompanhou Theodoro até a UPA, onde ouviu dos profissionais de saúde que o procedimento foi decisivo para salvar a vida do menino. Agora, o destino tratou de colocá-los novamente na mesma sala de aula. Carine voltou a ser professora de Theodoro, hoje com 3 anos. Ao conferir a lista de alunos, a emoção foi imediata.
“É uma alegria reencontrar ele e a turminha. Pelo que aconteceu, eu e o Theodoro temos uma ligação forte. Nesse período, sempre que ele me encontrava nos corredores da escola, vinha me abraçar e me beijar”, disse Carine.
O reencontro também emocionou a mãe do menino, Stella Beppler, de 39 anos. Ela conta que Carine recebeu Theodoro no primeiro dia de aula e que o abraço entre os dois foi comovente. “Toda nossa família ama essa escola. Eu deixo meu filho aqui e vou trabalhar tranquila, pois sei que ele está bem cuidado”, afirmou a mãe.
Segundo Stella, após o episódio, Theodoro precisou passar por uma cirurgia, mas a recuperação ocorreu sem complicações. Agora, professora e aluno têm todo um ano letivo pela frente para fortalecer ainda mais esse vínculo. Um laço que Carine acredita ser permanente: “Não vou esquecer o Theodoro nunca e acredito que ele também não esquecerá de mim. E espero que a gente tenha vínculo e se encontre fora da escola.”
Casos não são incomuns
A diretora da Emei Osmar Armindo Puthin, Daiane Junqueira, de 40 anos, destacou a importância do treinamento em primeiros socorros no ambiente escolar. Segundo ela, não é incomum que crianças pequenas se engasguem com alimentos, e saber como agir faz toda a diferença quando uma situação de emergência acontece. O treinamento vai além da teoria: ensina, na prática, técnicas de salvamento e até a forma mais adequada de ofertar os alimentos às crianças.
A capacitação é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), responsável por instruir os profissionais da educação, baseada na Lei Lucas. Durante o treinamento, os participantes recebem noções de primeiros socorros com ênfase em casos de engasgo, quedas, possíveis fraturas e convulsões, situações mais frequentes no cotidiano escolar. O secretário de Educação, Emerson Eloi Henrique, afirma que todo esse trabalho realizado de parceria com o Samu já salvaram vidas nas nossas escolas municipais.
Lei Lucas
A Lei Lucas é a Lei Federal nº 13.722, sancionada em 4 de outubro de 2018. Ela torna obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de escolas públicas e privadas de educação básica, além de estabelecimentos de recreação infantil, como creches, berçários e similares.
A lei surgiu após a morte de Lucas Begalli Zamora, um menino de 10 anos que se engasgou durante um passeio escolar em Campinas (SP), em 2017. Ele passou mal após ingerir um alimento e não recebeu atendimento adequado no local. Nenhum dos adultos presentes sabia realizar a manobra de desengasgo. Lucas chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois em decorrência da falta de oxigenação no cérebro.