
Pauta no programa jornalístico Folha 105 – 1ª Edição, da Rádio Terra FM, na última semana, as canetas emagrecedores têm ganhado espaço no debate popular. Apresentada, muitas vezes, como “milagrosa”, a medicação é segura, mas precisa ser utilizada conforme a orientação de um especialista e com lotes originais, alertou a médica endocrinologista Gabriela Jacques Hoss, durante a entrevista.
Segundo ela, as canetas revolucionaram o tratamento para controle de uma série de problemas que vão além do sobrepeso – que pode chegar a uma perda de 20% -, como a diabetes, gordura no fígado e até apneia do sono. No entanto, advertiu, o tratamento só terá o efeito almejado se for aliado à prática de exercício e dieta controlada. “A medicação sozinha não faz milagre. Se não seguir as orientações, o paciente pode perder massa muscular de uma forma perigosa”, disse.
Além de comer melhor e fazer atividades, outro conselho fundamental para a manutenção da saúde com o tratamento é comprar produtos originais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprova os tipos liraglutida (Saxenda e Victoza), semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Monjauro). “Os outros a gente não recomenda porque não conhece”, comentou a endocrinologista.
Tratamento é caro
O tratamento, por sua vez, não é tão acessível. O custo, em geral, varia entre R$ 600 e R$ 3 mil por mês, a depender do medicamento e da aplicação indicada pelo profissional. As compras devem ocorrer necessariamente em farmácias, mediante apresentação de receita médica. As canetas reduzem o apetite, aumentando a saciedade.
Dessa forma, o paciente passa a comer em menor quantidade, o que resulta na diminuição do peso. Mesmo com supervisão, há efeitos colaterais bastante comuns, como náusea, vômito, desconforto, sensação de inchaço, diarreia e constipação. “É pior no início, mas à medida que o tratamento segue, diminui”, afirmou.
As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis, que simulam hormônios como o GLP-1. O conteúdo é colocado, em geral, na região abdominal. A aplicação pode ser diária ou semanal, dependendo do tratamento escolhido.
Anvisa alerta para risco de pancreatite
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu ontem, 9, em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras. Em nota, a Anvisa destacou que, embora o risco conste nas bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional como no cenário nacional, o que exige reforço das orientações de segurança.
“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a agência no comunicado.
O monitoramento médico, segundo a Anvisa, é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. “Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, completou a agência.
O comunicado cita que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.
Fonte: Agência Brasil