
O vice-governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato ao Palácio Piratini pelo MDB, Gabriel Souza, 42 anos, foi o quarto a participar da série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Estado nas Eleições 2026, por meio do projeto Seu Voto, Sua Voz, do Grupo Folha do Mate. Ele concedeu entrevista ao vivo na quarta-feira, 28, ao programa Folha 105 – 1ª Edição, da Rádio Terra FM.
Durante a participação, Souza se apresentou como alternativa de centro ao comando do Estado e antecipou os eixos que devem nortear o futuro plano de governo. “A eleição será muito importante para o futuro do Rio Grande do Sul e eu vou estar disputando com o enfoque de resguardar a capacidade do Estado de fazer investimentos”, adiantou. Ele defendeu uma campanha baseada na apresentação de propostas e prometeu pressionar os adversários quanto a projetos concretos. “Eu já adianto que vou apertar o adversário para saber o que eles pensam, porque frase feita de impacto ou lacrações meramente na internet não governam, não servem para governar”, disse.
Souza reforçou a defesa do debate como eixo central da disputa eleitoral. “Vamos debater o Rio Grande do Sul. É para isso que eu estou me propondo a concorrer, e é o que eu vou buscar fazer nos debates, nas entrevistas, para que a gente possa provocar os adversários a apresentarem suas ideias. É dessa forma que a população poderá julgar qual é o melhor projeto para o Rio Grande do Sul”, argumentou.
Continuidade com avanços
Na condição de pré-candidato da situação, o vice-governador ressaltou que defenderá a continuidade do projeto liderado pelo governador Eduardo Leite, com o objetivo de “evitar retrocessos e propiciar avanços”. “Não vou defender uma continuidade meramente, porque senão não precisava ter eleição. A eleição serve para aprimorar, mudar para melhor, mas não retroceder”, afirmou.
Souza citou uma série de dados para sustentar a defesa do atual modelo de gestão. De acordo com ele, o Estado voltou a investir em áreas estratégicas. Destacou obras em cerca de mil escolas da rede estadual e a distribuição inédita de uniformes para mais de 700 mil estudantes. Também mencionou a modernização da frota da Brigada Militar, com a aquisição de viaturas semiblindadas, e destacou os R$ 30 milhões investidos em hospitais da região, além do compromisso com o cumprimento dos 12% constitucionais em saúde.
Ao defender a necessidade de controle rígido das contas — não gastar mais do que se arrecada —, Souza disse que o Estado não pode voltar ao tempo em que não tinha dinheiro para pagar as contas básicas. “Os meus potenciais adversários defendem projetos distintos. Quando se observa tanto os extremos da esquerda quanto da extrema direita, polos radicalizados da política brasileira, além de não conseguirem criar ambiente para atrair investimentos privados e avançar a partir do diálogo, também defendem projetos que vão acabar levando, inevitavelmente, o Rio Grande do Sul ao tempo em que as contas estavam desorganizadas. E eu repito, sem as contas estarem organizadas, todo o resto é discurso político”, enfatizou.
Ao abordar o cenário pré-eleitoral, o vice-governador destacou a unidade do MDB em torno de seu nome. “Em 2025, a gente conseguiu reconstruir isso. Em novembro, tivemos o maior congresso da história do MDB dos últimos anos”, pontuou.
O pré-candidato também mencionou a importância de ter no currículo a experiência como vice-governador e o apoio do atual chefe do Executivo, Eduardo Leite.
Alianças
Souza destacou a formação de uma aliança que já reúne MDB, PSD (partido de Leite) e o União Brasil. “Hoje somos a coligação com o maior número de partidos já pré-formada”, observou.
Ele confirmou ainda diálogo com outras siglas. “Naturalmente, os partidos que estão na base do governo, como PDT, Podemos, Republicanos, PSB e até o PP, que ainda vive debates internos, são legendas com as quais estamos conversando. E, claro, respeitando aqueles partidos que deliberarem por ter candidaturas próprias”, ponderou. Ao se referir às siglas, avaliou que seria incoerente, agora, criticarem um programa de governo que foi construído junto ao atual governo.
O cenário atual indica uma base de governo dividida. Entre os partidos citados por ele, o PDT tem Juliana Brizola como pré-candidata ao Governo do Estado, enquanto o PP anunciou a saída do governo e lidera um projeto de apoio ao pré-candidato do PL, Luciano Zucco.
A definição do candidato a vice, segundo Souza, ficará para um momento posterior, mas ressaltou a importância dessa escolha. “Eu brinco que eu sou o presidente do sindicato dos vices do Rio Grande do Sul. Eu sou defensor dos vices”, disse.
O pré-candidato afirmou que não fará acordos oportunistas. “É importante ter convergência no programa, do contrário, a gente tem uma aliança que não se sustentará”, pontuou.
Sobre a construção do plano de governo, Gabriel Souza anunciou que o ex-senador e ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, foi convidado para coordenar o trabalho. “Nós vamos ouvir as regiões, as entidades e as pessoas, para entender quais são os próximos passos que o Rio Grande do Sul precisa dar”, explicou.
Cenário nacional
Durante a entrevista, criticou a polarização política. Na visão do emedebista, os adversários dele estarão “mais preocupados em defender candidatos nacionais do que em governar o Rio Grande do Sul”. “Não contem comigo para ser meramente um representante de candidato presidencial. Eu vou discutir os problemas dos gaúchos”, reforçou.
O pré-candidato comentou ainda a possibilidade de Eduardo Leite concorrer à presidência da República ou ao Senado. Revelou que, pessoalmente, gostaria de vê-lo disputando uma vaga no Senado, mas considerou que uma candidatura ao Palácio do Planalto seria positiva para o Rio Grande do Sul, que, segundo ele, “perdeu protagonismo em Brasília demasiadamente nos últimos anos”. “Eu torço muito para que Eduardo Leite viabilize a candidatura presidencial. Mas eu não sou do PSD e, portanto, o máximo que posso fazer é torcer. Vai ser muito bom para o Rio Grande do Sul ter novamente um gaúcho na cena política nacional”, afirmou.
“Espero que consigamos fazer uma eleição de alto nível, que é o nível que os gaúchos merecem, e, principalmente, que a gente consiga debater projetos. Me sinto preparado para governar o Rio Grande do Sul.”
GABRIEL SOUZA – Pré-candidato a governador do RS
Prioridades
CONTROLE DE GASTOS – Para Gabriel Souza, é primordial o controle de gastos para manter a capacidade de investimento. Segundo ele, o modelo atual permitiu reorganizar as contas públicas, retomar investimentos e atrair capital privado. “Em 2025, chegamos perto da cifra de R$ 100 bilhões em investimentos privados”, citou.
Relembrou o período em que o Estado, segundo ele, não tinha dinheiro nem para pagar o básico e fez um alerta para o próximo ano. “Vamos voltar a pagar a dívida com a União, que vai resultar em uma despesa parecida com o que nós gastamos em saúde anualmente. São quase 12% do orçamento do Estado. É muito dinheiro, que acaba indo a Brasília a partir de 2027”, lembrou.
LIBERDADE ECONÔMICA – “Liberdade econômica para termos cada vez mais empreendedorismo, atrair investimentos privados e parcerias com a iniciativa privada, sem preconceito ideológico, para que os gaúchos possam abrir seus negócios quando quiserem e contar com um Estado amigável ao investimento.”
CAPITAL HUMANO – O investimento em capital humano, segundo Souza, é primordial. Ele defende foco desde a primeira infância, atenção à educação básica para preparar os jovens para o ingresso no mercado de trabalho e qualificação profissional. “O capital humano são as pessoas. Está mudando a demografia, estamos vivendo mais e estamos tendo menos filhos.”
EVENTOS CLIMÁTICOS – O pré-candidato defendeu a preparação para eventos climáticos e lembrou as enchentes históricas que atingiram o estado, citando o impacto na Região dos Vales. “É fundamental para tornar o estado mais resiliente.”
Trajetória
- Nascido em Porto Alegre, em 2 de janeiro de 1984, Gabriel cresceu em Tramandaí, no Litoral Norte, onde iniciou a trajetória na vida pública ainda na adolescência, como líder estudantil. É casado com Talise Tiecher e pai de Dora, de 8 anos. “Muito do meu trabalho na política visa preparar um futuro melhor não só para ela, mas para todas as crianças do Rio Grande do Sul”, afirmou.
- Sem histórico familiar na política, destacou que a militância estudantil o levou à filiação partidária ainda jovem, aos 15 anos, no então PMDB, hoje MDB, sigla à qual pertence há 27 anos.
- Ao longo da carreira, foi presidente da Juventude do MDB nos âmbitos municipal, estadual e nacional; elegeu-se deputado estadual aos 26 anos; foi líder do governo José Ivo Sartori na Assembleia Legislativa e presidiu o Parlamento gaúcho. Em 2018, integrou a chapa vencedora ao lado de Eduardo Leite, assumindo o cargo de vice-governador. A dupla se reelegeu em 2022.
- Médico veterinário de formação, Gabriel Souza também destacou a trajetória acadêmica. “Tenho especializações na área da gestão pública e atualmente estou cursando doutorado em Administração Pública, na Universidade de Lisboa, em Portugal, e também no IDP, no Brasil”, concluiu.