
Rio Grande do Sul e Venâncio Aires - Antônio Britto era o governador do Estado (1995-1999) quando foram construídas as três ‘pontes secas’ na ERS-244, em Linha Estrela, na várzea do arroio Taquari Mirim. Por mais de 20 anos elas permaneceram como verdadeiros ‘elefantes brancos’, servindo apenas como abrigo para quem fosse pescar na região. A retomada efetiva dos trabalhos de base e drenagem da rodovia que liga Venâncio Aires a Vale Verde, em uma extensão de 16,8 quilômetros, aconteceu após a assinatura de ordem de reinício de serviço, em junho de 2022. Em fevereiro de 2023, as pontes receberam aterro nas cabeceiras, como parte das obras retomadas e, na prática, foram inauguradas.
Depois de muitos entraves e paralisações, em janeiro de 2025 a Construtora Pelotense, responsável pela obra, orçada em 52,5 milhões, colocou a primeira camada de asfalto. Ela iniciou próximo ao entroncamento com a RSC-287 e foi até a terceira das quatro ‘pontes secas’, em uma extensão de pouco mais de 3 quilômetros.

Questionada sobre o andamento das obras, a assessoria de comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que a Construtora Pelotense fez férias coletivas no fim do ano, retomando os serviços na segunda-feira, 5. Neste momento, diz a nota, “está sendo executado o aterro entre o km 3+060 e o km 3+600, e estão sendo executados dispositivos de drenagem entre o km 6+500 e o km 8+300”.
Na tarde de quinta-feira, 8, a reportagem do Grupo Folha do Mate percorreu parte do trecho dos 16,8 quilômetros. Assim que se acessa o asfalto, nota-se movimentação intensa de máquinas e caminhões, que levam cargas de aterro ao local indicado pelo Daer. A terra é depositada logo depois da terceira ponte, onde o material é espalhado. Por cerca de meio quilômetro, homens e máquinas trabalham na compactação do material.
Seguindo, é possível ver que já há bueiros construídos e está feita a demarcação da via, assim como o serviço de terraplenagem. A obra ‘para’ na propriedade de Talis Celeste, onde há uma porteira com arame e madeira. Perguntada sobre a situação e se foi feita a desapropriação da área, a assessoria do Daer respondeu que “estão sendo executados dispositivos de drenagem dentro das terras dele, sem problemas.”
Coordenador do movimento ‘Destrava 244’, o ex-prefeito Giovane Wickert disse que a obra nunca parou e que foi feita a desapropriação da área do pecuarista Talis Celeste. Entusiasta da obra, o prefeito Jarbas da Rosa acredita que o asfaltamento da ERS-244 trará desenvolvimento para a região , mas lamenta o fato de não ser informado sobre o andamento dos trabalhos e das paralisações. “Mas espero que ela avance e seja finalizada”, comenta. Ricardo Froemming, prefeito de Vale Verde, é a favor da pavimentação e ressalta que ela atrairá novos investidores para o município. Já Edgar Thiesen, prefeito de Passo do Sobrado, foi contatado, mas não se manifestou.
Jarbas da Rosa, prefeito de Venâncio Aires
“Se trata de uma obra importante, que vai possibilitar o escoamento da produção para o porto de Rio Grande. Mas, infelizmente, é uma obra que desde o início teve grandes dificuldades, principalmente com relação ao Daer [Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem] e à empresa [Construtora Pelotense], pois não foi muito debatida com os prefeitos da região. A própria Prefeitura não tem o contato direto do andamento das obras, das paralisações, e a gente fica triste com relação a isso, porque a população cobra é dos prefeitos, dos vereadores, que estão na linha de frente. Mas quem está no comando é a Secretaria de Obras do Estado, o Daer e o Governo do Estado, não é a Prefeitura de Venâncio Aires. A gente merece um pouco mais de respeito e, principalmente, que seja reportado à Prefeitura quando tem alguma dificuldade com o andamento das obras. Faço votos que essa obra continue e avance, pois é fundamental para o desenvolvimento, não só para o nosso município, mas para a microrregião. Os municípios terão muitos benefícios e a população terá benefícios, pois, do ponto de vista econômico, essa obra é fundamental”.
Giovane Wickert, coordenador do movimento ‘Destrava 244’
“Hoje [quarta-feira, 7] estive reunido com o diretor [do Daer] Luciano Faustino e o secretário-adjunto da Secretaria de Logística e Transportes. Clóvis Magalhães, bem como fiz contato com a supervisora Magna e com a Construtora Pelotense. A obra nunca parou. Sempre tem uma frente de trabalho. Foi asfaltado até a terceira ponte e seguiram até a propriedade do Talis Celeste. A partir dali, faltava o processo de desapropriação, que foi resolvido no fim do ano passado, na Justiça, com emissão de posse em favor do Estado. Também já foi feito o estudo e aprovado pelos moradores os ajustes do traçado a partir da propriedade do Olavo Ferreira, no quilômetro 14. A empresa já encaminhou as jazidas para extração de material, mas a multa ambiental que a Prefeitura de Venâncio Aires deu, atrasou o processo para encaminhar a documentação na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), pois, como o contrato é antigo, gerou um passivo jurídico da competência do pagamento da multa, o que inviabilizou avançar na licença ambiental. Atualmente tem gente e equipamentos trabalhando em terraplenagem no trecho da rodovia”.
Ricardo Froemming, prefeito de Vale Verde
“O asfaltamento da rodovia ERS-244 vai trazer muito mais benefícios do que malefícios. O único ponto negativo é que alguns comerciantes acham que moradores daqui aproveitarão o asfaltamento da rodovia para irem a Venâncio Aires fazer compras. Mas, de resto, são só pontos positivos. Será mais uma rodovia de acesso ao Vale do Taquari, que nos trará mais facilidade para termos acesso à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e ao Hospital São Sebastião Mártir, ambos em Venâncio Aires, diminuindo custos, por exemplo. Vejo como superpositivo o fato do Vale do Taquari poder ter um olhar um pouco mais diferenciado sobre o município de Vale Verde. Isso certamente atrairá investidores, pois em cidades maiores, como Lajeado, por exemplo, há dificuldade de encontrar novas áreas. Em Vale Verde, temos muitas áreas disponíveis. Aqui já estão instaladas as empresas Arla e Dália, que são do Vale do Taquari e poderão ampliar seus negócios. Sobre a demora na obra, entendo que é preciso obedecer prazos e ritos, mas acredito que, em breve, com a liberação das licenças ambientais, a obra vai andar em ritmo mais acelerado até a sua conclusão”.