Em apenas uma semana, centenas de obras literárias entre romances, crônicas, teatro, contos, poesias e a literatura infantojuvenil ficaram órfãs. Nos deixaram João Ubaldo Ribeiro (dia 18), Rubem Alves (dia 19) e Ariano Suassuna (dia 23). O que precisa ficar para eternidade, porém, é justamente aquilo que não pode ser substituído, os livros por eles escritos.

Em Venâncio Aires, profissionais da educação e demais pessoas ligadas ao mundo da leitura, a pedido da reportagem, falaram sobre a perda destes talentos e o quão suas obras faziam parte e influenciavam no dia a dia.
O Chefe do Departamento de Administração e Planejamento do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), André Ruschel de Assumpção, é um admirador da obra do baiano Ubaldo. Segundo ele, o que lhe atraiu para leitura do escritor foi a brasilidade que ele representa em sua obra.
“Em uma leitura desatenta, acreditamos que Ubaldo Ribeiro escreve de forma despreocupada, sem compromisso com a formalidade, mas se observarmos a fidelidade com que ele descreve as suas personagens, descobrimos que ele é um profundo conhecedor não só da natureza humana, mas principalmente do brasileiro”, ressalta André.
Personalidade diferenciada
E a admiração por Ariano Suassuna está presente em Maria Denise Stahl Gomes, que é apaixonada pela literatura brasileira, e escritores como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato e João Ubaldo Ribeiro. Professora dos anos iniciais na escola Odila Rosa Scherer, ela ressalta a forte personalidade do paraibano como diferencial, especialmente ao defender o povo embora tenha nascido em família tradicional.
“Eu pessoalmente tinha uma coisa em comum com ele, que eu gostava, parecia que era alguém bem íntimo, porque ele tinha muito medo de avião e eu também, tanto que ele não fez viagens internacionais, apesar de ser um monstro sagrado da literatura”, ressalta Maria Denise.
Grandes pensadores deixam legado
Em um momento de perda para literatura brasileira, como destes três pensadores, inevitavelmente a procura por suas obras cresce. Em Venâncio Aires, a Biblioteca Pública Municipal Caá Yari disponibiliza livros dos três escritores.
Segundo a bibliotecária Rosaria Costa, de Rubem Alves estão disponíveis cerca de 20 livros. Dois infantis muito procurados – ‘O gambá que não sabia sorrir’ e ‘O gato que gostava de cenouras’; na área da educação se destaca a obra ‘Conversas com quem gosta de ensinar’ e alguns de crônicas como ‘Ostra feliz não faz pérola’.

De Ariano Suassuna está disponível ‘Seleta em prosa e verso’ e mais os dois textos teatrais: ‘O Auto da Compadecida’ e ‘O santo e a Porca’. De João Ubaldo Ribeiro o acervo conta com dez livros: na literatura juvenil – Vida e paixão de Pandonar, o cruel; na lietarura adulto o destaque é ‘A casa dos Budas ditosos’ e ‘Viva o povo brasileiro’.
Rosaria Costa, de forma pessoal, ressalta que sentirá mais “a falta que vai fazer ao nosso mundo o olhar doce e poético de Rubem Alves. Ele olhava o mundo com olhos de ver e de se encantar com o que vê.”

A reportagem completa você confere na edição impressa de 26/07 e 27/08.