
Quando uma figura pública morre, os veículos de comunicação preparam conteúdos especiais para registrar a trajetória e destacar o legado de quem, em muitos casos, marcou uma nação inteira. É assim com nomes da música, da televisão, do esporte e da política. Em âmbito nacional, a morte de um cantor, apresentador de TV, jogador de futebol ou presidente da República mobiliza grandes coberturas, à altura do que aquele ídolo representa. No jornalismo local, esse papel não é diferente. Pelo contrário, talvez seja ainda mais desafiador, pela proximidade dos vínculos e pelo sentimento de despedida que está na esquina, nas rodas de conversa, na fila do mercado, na Câmara de Vereadores onde muitas figuras ilustres costumam ser veladas.
Cabe aos veículos locais e regionais, a missão e a responsabilidade de evidenciar quem são os nossos ‘Pelés’, as nossas figuras populares e fundamentais para a história de uma cidade inteira. Registrar quem foram é um gesto de homenagem e respeito, mas também um compromisso com as próximas gerações.
Em Venâncio Aires, é unânime afirmar que Almedo Dettenborn é o nome mais popular das últimas décadas. Três vezes prefeito — foram 14 anos à frente do Executivo Municipal —, Almedo construiu uma trajetória que ultrapassou os limites da política. Almedão, como todos o conheciam, era aquele homem de voz potente e 1,81 metro de altura, estatura que lhe garantiu a posição de zagueiro do Guarani.
Fez história como o prefeito dos ginásios municipais e ‘lutou’ pela vinda de novas empresas. Foi o gestor que mandou instalar um outdoor no trevo da cidade para destacar Venâncio como campeã nacional na geração de empregos. Foi também fundador da Assoeva, idealizador do Parque do Chimarrão e criador da Festa Nacional do Chimarrão, um dos maiores legados culturais do município.
Quando Almedo encerrava o terceiro mandato como prefeito, eu iniciava minha trajetória no Jornalismo. Mas, como ouvinte e leitora assídua, cresci ouvindo e lendo sobre o Almedão. Ele já estava fora dos “palanques políticos”, quando tive a oportunidade de entrevistá-lo em poucas ocasiões. Uma delas ocorreu durante um trabalho da faculdade, sobre a história da Fenachim. Dessas prosas, aliás, ficaram informações exclusivas, guardadas até hoje para um projeto especial.

A última entrevista foi em julho de 2020, em meio à pandemia de Covid-19. Na ocasião, produzi uma reportagem para a Folha do Mate para marcar os 80 anos de Almedo. Já tinham se passado três anos do acidente doméstico que mudou a rotina daquele homem tão ativo, apaixonado por futebol e por uma boa partida de bocha entre amigos. Mesmo com dificuldades na fala, ele relembrou momentos marcantes da vida pessoal e da trajetória pública. Emoção não faltou. Almedo se emocionou diversas vezes e, com os olhos marejados, disse uma frase que me marcou: “Sinto falta de conviver com o povo”.
Lembro do frio na barriga por estar diante de um gestor que marcou gerações em Venâncio Aires e que foi responsável por escrever um dos capítulos mais especiais da história do município: a criação da Festa Nacional do Chimarrão. Aliás, foi com o chimarrão em mãos e uma camiseta da Assoeva sobre o peito, que aconteceu a nossa última prosa. Essa também foi a última entrevista concedida por Almedo Dettenborn a um veículo de comunicação, o jornal Folha do Mate, que hoje compartilha com os leitores a despedida deste que é, para muitos, “o prefeito dos prefeitos”.
Homenagem póstuma
O falecimento de Almedo Dettenborn reacendeu, nas rodas de conversa, o debate sobre a importância de garantir uma homenagem à altura do legado do ex-prefeito de Venâncio Aires. Há muito tempo se comenta que o reconhecimento mais justo seria atribuir ao Parque do Chimarrão o nome de Almedão — ideia que, inclusive, foi defendida ainda em vida.
No entanto, a legislação impõe regras para esse tipo de indicação quando envolve espaços públicos. Na terça-feira, 20, durante a transmissão de um programa especial em homenagem a Almedo, na Rádio Terra FM, o presidente do Legislativo, Nelsoir Battisti, lembrou que uma homenagem póstuma dessa natureza só pode ser proposta um ano após a data do falecimento.
Em fevereiro do ano passado, o vereador Eligio Weschenfelder (Muchila) (PSB), atualmente afastado das atividades parlamentares, chegou a apresentar uma indicação ao Executivo para estudar a viabilidade de homenagear o ex-prefeito, atribuindo ao espaço o nome de Parque Municipal do Chimarrão Professor Almedo Dettenborn. Certamente, homenagens não faltarão para lembrar o legado de Almedo, que, entre tantos feitos, idealizou o Parque do Chimarrão e a Festa Nacional do Chimarrão, evento que celebra 40 anos em maio deste ano.
Melhorias no pórtico da cidade
O vereador André Puthin (Republicanos) protocolou, na Câmara, um pedido de providências solicitando à Prefeitura de Venâncio Aires a reforma e a manutenção do pórtico de acesso ao município. Segundo o parlamentar, a solicitação se justifica pela situação estética da estrutura, que dá boas-vindas a quem chega à cidade. Entre as melhorias solicitadas estão pintura, troca de lâmpadas queimadas, conserto do forro e outros reparos necessários. O vereador pede urgência na execução dos serviços, em razão da proximidade da Fenachim 40 Anos, que ocorre de 30 de abril a 10 de maio de 2026.