No início da tarde dessa sexta-feira, 2, fui até a agência da Caixa Econômica Federal (CEF), na rua Osvaldo Aranha, no Centro de Venâncio Aires. Precisava fazer um saque da conta poupança e, como em anos anteriores, cheguei ao local e pedi uma senha para ir ao caixa convencional. No mesmo momento, fui perguntado por um dos recepcionistas se meu saque seria acima de R$ 2 mil. Quando respondi que não, fui orientado a pegar uma senha para o atendimento pessoal, pois teria que fazer a biometria para, somente depois, conseguir sacar o valor no caixa eletrônico. Ou seja, supostamente, no caixa normal não se pode mais sacar menos que R$ 2 mil. Pelo menos foi isso o que me argumentaram.

De cara, deu pra notar que os funcionários não estavam à vontade, mas cumpriam ordens. Como não sou um cliente que tem R$ 2 mil na conta para saque a toda hora, passei pelo atendimento pessoal, fiz uma nova senha para o caixa eletrônico e, depois, acabei encaminhado para outro funcionário, que finalizou o atendimento confirmando a minha biometria. Consegui fazer o saque, mas levei uma hora e meia para que todo o processo fosse concluído. Muito bem atendido, é importante dizer, por todos pelos quais passei, mas a história dos R$ 2 mil me intrigou muito, já que pela primeira vez não tive acesso ao caixa convencional.

Ainda na agência, durante contato com os funcionários, perguntei de quando era essa determinação e se tinham divulgado a novidade para a comunidade, porque não foi difícil notar que muita gente esperava por atendimento semelhante ao que tive. Os breves comentários foram, claramente, de despiste, com ares de constrangimento. E, depois que saí da agência e fui pesquisar, descobri que o tal saque de, pelo menos, R$ 2 mil nada mais é do que uma estratégia da CEF — da cúpula, não dos funcionários aqui de Venâncio Aires — para literalmente afastar os clientes de dentro da agência. Querem direcioná-los para as lotéricas e para terminais.

Embora as normas do Banco Central garantam aos clientes o saque na forma que preferirem — e isso inclui o caixa convencional —, agências que liberam nos caixas saques de menos de R$ 2 mil são penalizadas por conta de regras que a própria CEF criou. Por conta de metas internas, o cidadão, mais uma vez, é quem paga a conta. Ou melhor, só saca nas lotéricas ou terminais. Também mais tarde, soube que, se eu tivesse dito que conhecia as regras do Banco Central, ou que iria levar o assunto para a Ouvidoria, pois configura recusa de atendimento, muito provavelmente teria recebido meu valor no caixa convencional. Repito: os funcionários não têm culpa, estão cumprindo ordens. Mas muitos ficam constrangidos, porque sabem que a Caixa está forçando seus clientes a fazerem saques nas lotéricas e terminais de autoatendimento. Seria falta de pessoal ou manobra para evitar mais contratações? Não há o que não possa acontecer neste país. Só fico me lembrando de tantas pessoas que vi na agência que pareciam até um tanto envergonhadas por estarem lá ‘dependendo’ daquele serviço. É revoltante.

Soltura de fogos durante Gre-Nal

Repercutiu muito, durante a semana, um vídeo que circulou nos grupos de WhatsApp, no qual aparece o vereador Dudu Luft (PDT) chegando para o Gre-Nal da A Fúria, no bairro Santa Tecla, no último domingo, dia 28. Junto aos demais atletas que jogariam o clássico na categoria Força Livre, Luft caminha em direção ao campo onde a partida seria disputada e uma pessoa, que está perto dele, solta alguns fogos de artifício.

Colegas de Poder Legislativo — mais especificamente, Ezequiel Stahl (PL) e Eligio Weschenfelder, o Muchila (PSB), que está afastado da Câmara — cobraram o vereador por, supostamente, incentivar a soltura dos artefatos. Embora o Gre-Nal da A Fúria tenha a chegada das equipes para o confronto tradicionalmente dessa forma, muita gente reclama, por entender que os fogos assustam, especialmente, os animais. Sobrou até para Alessandra Ludwig (PDT) e Nilson Lehmen (MDB), ativistas da causa animal e que foram pressionados a se manifestarem.

A coluna, é claro, fez contato com Dudu Luft, que mandou a seguinte resposta: “Eu não soltei nenhum foguete! Entendo e respeito todos. Acredito que temos que trabalhar para a lei ser mais bem aplicada e avançarmos no assunto. Também gostaria de aproveitar e parabenizar a organização do evento da A Fúria, que é beneficente, realizado há mais de 20 anos e para o qual muitas pessoas se dedicam praticamente o ano todo”.