
Já faz tempo que eles deixaram de fazer parte da rotina da população. Com a popularização dos telefones residenciais, décadas atrás, e especialmente com o surgimento dos celulares e todas as funcionalidades que oferecem, os telefones públicos deixaram de ser utilizados. Nos últimos anos, eles foram sendo desativados e, pouco a pouco, ‘sumindo’ do cenário urbano. Mas é inegável a nostalgia despertada quando se fala no assunto. Todo mundo tem uma ou várias histórias de orelhão para contar.
Afinal, gerações confidenciaram segredos, compartilharam novidades, falaram com familiares distantes e mataram a saudade de amigos em ligações feitas das cabines de design peculiar. Comigo não foi diferente. Durante minha infância, havia um telefone público na frente da nossa casa – por muito tempo, ele foi cor de laranja, depois substituído por um mais moderno – e lembro como se fosse hoje de como a gurizada da rua adorava correr para atender as ligações. Esse orelhão também dava, a mim e minha irmã Sabrina, o privilégio de encontrar vários cartões telefônicos já sem créditos, deixados pelos usuários, e que contribuíam para aumentar a nossa coleção.
Quando dormíamos na vó Lucira, que não tinha telefone, a ligação a cobrar feita do orelhão perto da casa dela era a forma de avisar aos nossos pais que tínhamos chegado. Tempos bem diferentes, e olha que nem faz tanto tempo assim!
Tenho certeza que, assim como eu, muitos leitores vão se identificar e relembrar histórias emocionantes ou engraçadas com orelhões. O assunto voltou à pauta com o anúncio da Anatel, neste mês, sobre a extinção do sistema neste ano, após o fim da concessão do serviço de telefonia das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.
Na edição de hoje, na página 16, o tema é abordado na reportagem do colega Júnior Posselt. Aos 20 anos, ele falou num orelhão, pela primeira vez, durante o programa Folha 105 – 1ª Edição, da rádio Terra FM, na quinta-feira, 29. Além dele, o repórter Ismael Stürmer e a moradora de Vila Deodoro, Solange Schulz (foto), conversaram, ao vivo, com a apresentadora do programa, jornalista Letícia Wacholz, direto do único orelhão em funcionamento em Venâncio Aires. Mais do que um programa descontraído, uma entrevista simbólica para marcar o fim de uma era na comunicação e que promete deixar saudade.
Comunidade escolar presente
Na edição de hoje da Folha do Mate, destacamos a importância do envolvimento das famílias no cuidado e na manutenção das escolas. O exemplo destacado na capa do jornal e na reportagem da página 19 é da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Yolita da Cruz Portella, do bairro Brígida, onde a comunidade escolar realizou um mutirão para colorir os espaços da instituição e deixá-la ainda mais bonita para a volta às aulas. Este é apenas um exemplo de muitos que vi nas últimas semanas, como nas Emeis Bela Vista, Arco-Íris e Vovô Weber – esta última, onde estuda minha filha Laura, 3 anos, e faço parte da Associação de Pais e Mestres (APM).
Durante as férias, pais e demais familiares se uniram a professores e equipes diretivas para colocar a mão na massa: roçar, capinar, limpar, pintar. Um trabalho voluntário que contribui de forma significativa para a manutenção das escolas públicas.
A atuação da comunidade escolar já foi pauta muitas vezes da Folha do Mate e, certamente, novas notícias assim vão surgir. O envolvimento comunitário é uma característica local e que diz muito sobre o município que somos e que queremos ser: no qual a educação seja uma prioridade para todos, com participação ativa, presença e valorização.