
Venâncio Aires - Em tempos de altas temperaturas, fica evidente a importância das árvores nas cidades para amenizar o calor. Mas você sabe quais são as espécies mais adequadas para a arborização urbana? A escolha correta é fundamental para evitar problemas em calçadas, na pavimentação e fiação elétrica.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-estar Animal de Venâncio Aires, Gustavo Von Helden, as espécies mais indicadas para a arborização urbana variam conforme o porte, o local de plantio — como calçadas, canteiros centrais, parques ou áreas com fiação aérea — e o bioma regional. “A regra de ouro é priorizar espécies nativas”, explica.
Von Helden compartilhou com a reportagem as espécies indicadas, divididas em dois grupos: árvores de pequeno porte, adequadas para locais com fiação elétrica, e de porte médio, indicadas para áreas sem rede elétrica. Além disso, ele citou exemplos de espécies cujo plantio não é permitido. Confira a seguir.
LOCAIS COM REDE ELÉTRICA
Em locais onde há rede elétrica devem ser plantas espécies de pequeno porte para evitar sucessivas podas e danos à pavimentação como:
- Pitangueira (Eugenia uniflora)
- Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
- Manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis)
- Araçá (Psidium sp)
- Camboim (Myrciaria sp)
- Guabiju (Myrcianthes pungens)
- Aroeira-salsa (Schinus molle)

LOCAIS SEM REDE ELÉTRICA
Em locais onde não há rede elétrica são indicadas espécies de porte médio, para evitar danos futuros das raízes na pavimentação, como:
- Sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides)
- Pau-ferro (Caesalpinia leiostachya)
- Guabiroba (Campomanesia sp)
- Medalhão de ouro (Cassia leptophylla)
- Ipê (Handroanthus sp)
- Pata-de-vaca (Bauhinia sp)
NÃO É PERMITIDO
Não é permitido o plantio de Ficus sp., Pinus sp., tuias, ciprestes, ligustros, tipuanas e outras espécies não nativas do Rio Grande do Sul.
Deve-se evitar espécies com raízes agressivas em calçadas, espécies muito frágeis ou com frutos grandes e pesados em áreas de circulação. Também não é permitido o plantio em esquinas.
Arborização urbana: “uma das estratégias mais eficazes e naturais para regular o clima das cidades”
“A arborização urbana é uma das estratégias mais eficazes e naturais para regular o clima das cidades, especialmente durante períodos de altas temperaturas e ondas de calor”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-estar Animal de Venâncio Aires, Gustavo Von Helden.
Segundo ele, a arborização urbana atua de várias formas complementares: diminui temperaturas, combate ilhas de calor, aumenta o conforto térmico, reduz o consumo de energia e torna as cidades mais resilientes às mudanças climáticas.
“Na prática, muitos municípios até plantam árvores, mas cometem erros estruturais e recorrentes que criam entraves históricos e fazem a arborização urbana não se consolidar ao longo do tempo. Os entraves históricos surgem porque a arborização urbana é tratada como decoração e não como infraestrutura essencial, assim como água, esgoto e energia”, cita.
PLANO DE ARBORIZAÇÃO
Em entrevista para o caderno Responsabilidade Ambiental de dezembro, quando projetou prioridades da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-estar Animal de Venâncio Aires para 2026, Von Helden citou a implantação do Plano Municipal de Arborização, em fase de elaboração pela equipe técnica da pasta e que deve abranger todos os bairros do perímetro urbano. “É um plano bem abrangente, que vai impactar diretamente a qualidade de vida da nossa cidade no futuro”, disse.
Dentro dessa proposta, ele também mencionou a previsão para este ano de um grande mutirão de plantio de árvores, respeitando o período mais adequado para o plantio de mudas, entre os meses de maio e agosto. Ele citou a iniciativa como uma forma de buscar ampliar a cobertura vegetal e formar corredores verdes, contribuindo para um ambiente urbano mais equilibrado.