
Nos últimos meses, foram vários os tornados que atingiram a região Sul do Brasil, provocando perdas materiais, deixando rastros de destruição e, em casos mais graves, até com vítimas fatais. O evento climático mais extremo foi registrado no dia 7 de novembro de 2025, em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, que atingiu a marca de 333 km/h, na escala F4 – que vai de F0 a F5. Segundo a Defesa Civil, foram 1,5 mil casas danificadas, 835 pessoas ficaram feridas e seis morreram.
Além desta, no Rio Grande do Sul, foram dois tornados apenas no mês de dezembro, ambos na Serra Gaúcha: um em Flores da Cunha, no dia 9, e outro em Farroupilha, no dia 23. Nas duas ocorrências, milhares de edificações sofreram avarias e muitas pessoas precisaram buscar abrigo.

Esta maior incidência, por sua vez, pode ter ligação com a ação do homem e as mudanças climáticas. Uma das hipóteses trabalhadas pela comunidade científica, embora ainda não haja consenso entre os especialistas, é que os tornados têm se tornado mais comuns. “É muito difícil conseguir afirmar isso por enquanto, porque até 20, 30 anos atrás, não se tinham muitos registros. Hoje em dia, com os celulares com câmera em boa resolução, qualquer pessoa consegue fazer fotos e vídeos destes eventos”, explica o meteorologista da Defesa Civil do Estado, Bruno Zanetti. O que pesquisadores já têm de mais estabelecido, por outro lado, é que as mudanças climáticas provocam, cada vez mais, tempestades. Além disso, estas também ficam progressivamente, na média, ficam mais agressivas. Por sua vez, como afirma Zanetti, o tornado está associado a estes temporais, na maioria dos casos.
O que é um tornado?
Tornados são redemoinhos que se formam em terra firme e são relativamente pequenos, variando entre 100 metros e um quilômetro de diâmetro. Diferente de furacões e ciclones, que são ventanias em larga escala, “às vezes do tamanho do Rio Grande do Sul”, como exemplifica o meteorologista. No entanto, justamente por ser pequeno é que se torna tão perigoso e potencialmente destrutivo, porque concentra toda a ‘força’ em um curto espaço.
Além disso, esta característica faz com que os efeitos sejam bastante pontuais. Às vezes atingem especificamente bairros ou localidades do interior, sem que a cidade, como um todo, fique comprometida. Segundo Bruno Zanetti, outro traço marcante de tornados é que trata-se de um evento facilmente observado a olho nu, por isso as imagens chamam tanta a atenção e rendem registros que, de forma bastante rápida, viralizam na internet.
Sul é região de risco
Por estar localizada distante dos trópicos, a região Sul do Brasil e a parte mais meridional do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, são mais propensas a estes eventos climáticos extremos. “São algumas características que deixam uma área predisposta a tornados. São elas: instabilidade no tempo, presença de ar quente na superfície e frio na atmosfera e o cisalhamento, que é a forma como o vento fica mais intenso quando ganha altura”, afirma.
Escala Fujita
- A Escala Fujita foi desenvolvida pelo pesquisador de tempestades severas americano Tetsuya Theodore Fujita e é utilizada para medir a intensidade de tornados. A variação vai de F0 a F5.
- A escala mínima trata de ventos de 64 a 116 km/h, enquanto a máxima tem rajadas de 419 km/h a 512 km/h.
- Segundo o meteorologista Bruno Zanetti, o Brasil nunca registrou tornados de proporção F5, mas a América do Sul, sim, uma vez: na Argentina, na cidade de San Justo.
- Zanetti explica que tipos F4 costumam ocorrer a cada 10 ou 20 anos no Brasil, na média.